Mendonça afasta diretor-geral da PF e chefe da Inteligência
O ministro André Mendonça, do STF, afastou nesta terça-feira (8) o diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada da Costa. Decisão aponta irregularidades em relatórios de inteligência usados por Moraes.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa. Na decisão, Mendonça ordenou que a PF, por meio de sua Corregedoria, abra procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar para apurar os "graves fatos identificados" na produção de relatórios de inteligência.
O afastamento ocorre após o relatório de inteligência da PF, usado pelo ministro Alexandre de Moraes, apontar que Mendonça "denota interesse no início de investigação formal" sobre o Banco Master e o escândalo do INSS. O documento, sem valor probatório, também sugere que Mendonça adota "posturas muito diferentes" diante de suspeitas envolvendo os ministros Dias Toffoli e Nunes Marques em comparação com Moraes. Na quinta-feira (3), Moraes divulgou trechos do relatório dois dias depois de Mendonça levantar o sigilo das investigações sobre a relação entre Moraes e o empresário Daniel Vorcaro.
Em sua decisão de 33 páginas, Mendonça afirma que o relatório é "apócrifo, sem timbre ou qualquer outro símbolo gráfico capaz de lhe empregar o mínimo grau de legitimidade e confiabilidade". Ele cita ainda a entrevista do presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix de Paiva, que disse que a divulgação causou "estranheza muito grande" entre delegados, que chegaram a desconfiar da origem do documento.
O ministro argumenta que os relatórios podem configurar violação da independência do Poder Judiciário, por avaliarem decisões judiciais e monitorarem ministros do STF e o advogado-geral da União. Para ele, a "superlativa gravidade e ilicitude" na produção dos documentos impõe providências imediatas. O Estadão solicitou manifestação do delegado afastado, e o espaço segue aberto.
A medida de Mendonça é preventiva, mas sinaliza uma escalada no confronto institucional entre ministros do STF. A Corregedoria da PF agora decide se instaura os procedimentos e quais serão os desdobramentos para os dois diretores. investigação STF Relatório de inteligência PF