# Sobrevivente de feminicídio: 'Me vi morta, estou viva por um milagre' após arma falhar

> A sobrevivente de feminicídio em Contagem (MG), de 34 anos, relatou que a arma do ex-companheiro falhou durante o ataque, permitindo sua fuga. A mulher descreveu o momento como um milagre e destacou a rede de apoio que a salvou. O caso expõe dados alarmantes de violência doméstica em Minas Gerais.

*Portal Notícias MG · Cidade · 17 de julho de 2026 · Cláudia Resende*

'Me vi morta, estou viva por um milagre', diz mulher que sobreviveu a tentativa de feminicídio em Contagem (MG) após arma do ex-companheiro falhar. Aos 34 anos, ela relata o ataque e a rede de apoio que a salvou. Entenda os dados da violência doméstica em Minas Gerais e saiba com

## 'Me vi morta, estou viva por um milagre', diz mulher que sobreviveu a tentativa de feminicídio após arma do ex falhar

Uma mulher de 34 anos, moradora de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, sobreviveu a uma tentativa de feminicídio depois que a arma do ex-companheiro falhou. Ela conta que o agressor, de 38 anos, a abordou na porta de casa e disparou duas vezes contra a cabeça dela. O revólver não disparou. "Me vi morta, estou viva por um milagre", disse a vítima, que preferiu não se identificar. A Polícia Civil investiga o caso como tentativa de feminicídio. Em 2025, Minas Gerais registrou 182 feminicídios, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

## A falha da arma que salvou uma vida

A falha no mecanismo do revólver calibre 38 impediu que os disparos ocorressem. A arma, apreendida pela polícia, passará por perícia. O caso ocorreu em 12 de abril de 2026, no bairro Novo Riacho. A vítima havia terminado o relacionamento há duas semanas. Ela já tinha medida protetiva contra o ex-companheiro, concedida pela Justiça de Minas Gerais em março. O agressor está foragido. "A medida protetiva existe, mas não impede a aproximação física se o agressor não for preso", afirma a delegada responsável, que não foi identificada oficialmente. A Polícia Civil faz buscas.

## Dados da violência doméstica em Minas Gerais

Os números da violência contra a mulher em Minas Gerais seguem altos. Em 2025, a Sejusp registrou 182 feminicídios no estado, uma média de um a cada dois dias. As tentativas de feminicídio somaram 412 no mesmo período. A maioria das vítimas tinha entre 25 e 44 anos. Em 2024, foram 173 feminicídios e 398 tentativas (Sejusp, Anuário de Segurança Pública, 2025). A cada 10 vítimas, 7 conheciam o agressor, parceiro ou ex-parceiro.

### Perfil do agressor

O ex-companheiro da vítima de Contagem tinha 38 anos, trabalhava como vigilante e possuía registro de arma de fogo. A polícia investiga se ele usou a arma do trabalho. Em 56% dos casos de feminicídio em Minas Gerais, o agressor usou arma de fogo, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP, Anuário 2025). O uso de facas aparece em 28% dos casos.

## A rede de apoio que acolhe a vítima

Após a tentativa de assassinato, a mulher foi acolhida pela Casa da Mulher Mineira, em Belo Horizonte. A unidade oferece abrigo sigiloso, atendimento psicológico e orientação jurídica. Ela está acompanhada dos dois filhos, de 7 e 10 anos. "A Casa da Mulher Mineira funciona 24 horas e recebe mulheres em risco iminente de morte", informou a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese). Em 2025, a unidade atendeu 1.234 mulheres em situação de violência doméstica.

## Como denunciar a violência doméstica

A denúncia é o primeiro passo para romper o ciclo de violência. Em Minas Gerais, canais oficiais estão disponíveis 24 horas:

- Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, serviço gratuito e sigiloso, com orientação jurídica e encaminhamento para rede de proteção.
- Disque 190: Polícia Militar, para emergências em flagrante.
- Delegacia de Mulher: a vítima pode registrar boletim de ocorrência presencialmente ou pela delegacia virtual.
- Aplicativo MG Mulher: permite acionar a polícia com um toque e compartilhar localização em tempo real.

A medida protetiva de urgência pode ser solicitada na delegacia ou no Ministério Público. O juiz tem 48 horas para decidir. Em 2025, a Justiça de Minas Gerais concedeu 23.456 medidas protetivas (Tribunal de Justiça de Minas Gerais, TJMG).

## O que diz a Lei Maria da Penha

A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) completa 20 anos em 2026. Ela define cinco formas de violência doméstica: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. A tentativa de feminicídio é qualificada como homicídio tentado, com pena de 12 a 30 anos de reclusão. Em 2025, o Congresso aprovou a Lei 14.994/2025, que torna o feminicídio crime autônomo e aumenta a pena para 20 a 40 anos. A nova lei entrou em vigor em janeiro de 2026.

## Perguntas Frequentes

### O que fazer se a arma falhar durante uma tentativa de feminicídio?

A prioridade é buscar abrigo seguro e acionar a polícia pelo 190. A falha da arma não garante segurança futura. A vítima deve registrar boletim de ocorrência e solicitar medida protetiva imediatamente.

### Como conseguir medida protetiva em Minas Gerais?

A medida protetiva pode ser solicitada na Delegacia de Mulher ou no Ministério Público. Basta apresentar boletim de ocorrência e relatar a situação de risco. O juiz analisa em até 48 horas.

### Qual o número de feminicídios em Minas Gerais em 2025?

Foram 182 feminicídios registrados pela Sejusp, uma média de um a cada dois dias. As tentativas somaram 412.

### Onde buscar acolhimento após uma tentativa de feminicídio?

A Casa da Mulher Mineira, em Belo Horizonte, oferece abrigo sigiloso e atendimento multidisciplinar. O Ligue 180 orienta sobre a unidade mais próxima.

### A Lei Maria da Penha protege mulheres em relacionamento recente?

Sim. A lei protege qualquer mulher em relação íntima de afeto, independentemente de coabitação ou tempo de relacionamento. Inclui namorados e ex-companheiros.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/cidade/me-vi-morta-estou-viva-por-um-milagre-diz-mulher-sobreviveu-tentativa-feminicidi/
