# Mapa da indecisão no cabo de guerra pelo Planalto

> Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul concentram 8,9 milhões de eleitores indecisos para a disputa presidencial. O volume supera em quatro vezes a margem de votos que definiu a eleição de Lula em 2022. O estoque de votos em aberto nesses estados representa fator crítico para o resultado do pleito.

*Portal Notícias MG · Cidade · 06 de setembro de 2026 · Cláudia Resende*

Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul concentram o maior estoque de eleitores indecisos do país. São 8,9 milhões de votos em aberto, mais de quatro vezes a diferença que elegeu Lula em 2022.

Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul concentram o maior estoque de eleitores indecisos do país para a sucessão presidencial. Nesses estados, o percentual de indefinidos supera a média nacional de 12,9%, chegando a 18% no Rio Grande do Sul, 17% em Minas e no Espírito Santo, 16% no Rio e 13% em São Paulo.

Se repetida a taxa de comparecimento de 80% do segundo turno de 2022, a estimativa é que os indecisos representem 8,9 milhões de votos, mais de quatro vezes a diferença de 0,9% que elegeu Lula (PT) sobre Jair Bolsonaro (PL) há quatro anos. "A eleição no Brasil será definida nesses cinco estados", afirma o cientista político Fábio Vasconcellos, professor da Uerj, da PUC Rio e pesquisador do INCT.

O levantamento considera simulações de primeiro turno de pesquisas Quaest realizadas em 23 estados nas duas últimas semanas de agosto. Pará, Ceará, Piauí e Sergipe ficaram de fora. Esses cinco colégios reúnem 74,9 milhões de eleitores; com abstenção estimada em 20%, são esperados 60 milhões de votantes, dos quais 8,9 milhões ainda não se posicionaram. Em São Paulo, são quase 3,5 milhões de indecisos; 2,2 milhões em Minas; 1,6 milhão no Rio; 1,2 milhão no Rio Grande do Sul; e 400 mil no Espírito Santo.

Um dado comum une esses estados: a desaprovação ao governo Lula está acima da média nacional de 49%, variando entre 51% e 58%. "Mesmo com a avaliação negativa mais alta, são estados onde os indecisos, até aqui, não optaram pelo voto em Flávio Bolsonaro", observa Vasconcellos. As simulações de segundo turno divulgadas na última semana por Datafolha, BTG Pactual/Nexus, Quaest e Atlas Intel apontam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Enquanto o Sudeste e o Sul seguem em aberto, nove estados, sobretudo do Nordeste, têm taxas de indecisos abaixo da média, entre 8% e 12%, com intenção de voto em Lula superior à média nacional. Bahia, Pernambuco, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Tocantins, Amazonas e Amapá tendem a repetir o resultado de 2022. Na Bahia, Lula tem 53% contra 16% de Flávio Bolsonaro; em Alagoas, 54% a 19%; no Rio Grande do Norte, 54% a 20%; no Maranhão, 58% a 20%.

No Sul, Centro-Oeste e Norte, outros nove estados também têm menos indecisos e preferência majoritária por Flávio Bolsonaro: Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima, Acre, Goiás e Distrito Federal. Em Santa Catarina, ele registra 45% contra 20% de Lula; no Paraná, 41% a 23%; no Acre, 44% a 24%; em Roraima, a maior diferença proporcional: 54% a 17%.

Comparando com 2022, Vasconcellos lembra que Lula venceu em 14 estados no primeiro turno e Bolsonaro em 13. As bases seguem parecidas: Lula mantém folga no Nordeste; a oposição lidera em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e no Norte. A mudança está no Sul e no Sudeste. "Naquela eleição, Jair Bolsonaro venceu em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul, enquanto Lula levou Minas Gerais por margem estreita", diz. Agora, nenhum dos cinco estados aponta favoritismo claro. "Flávio Bolsonaro não pode dar como garantida a vantagem herdada do pai em São Paulo e no Rio, assim como Lula não pode tomar Minas Gerais como vitória certa", conclui o pesquisador.

Para a família que acompanha a disputa, o recado é de atenção: a eleição segue indefinida e o voto de cada estado pode ser decisivo. Acompanhe os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral para se manter informado.

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