Do manicômio ao divã: Augusto Cury cresce e vira opção
O mal-estar que ronda 47% do eleitorado brasileiro encontrou um nome: Augusto Cury (Avante). Médico psiquiatra e escritor, Cury saltou de 2% para 11% das intenções de voto após o debate da Band, realizado em 23 de agosto, segundo a pesquisa BTG Pactual/Nexus. O levantamento, feito por telefone entre 28 e 30 de agosto, mostra que 53% dos eleitores se declaram "lulistas convictos" (25%) ou "bolsonaristas convictos" (28%). Para os outros 47%, a escolha presidencial é mais complexa: 5% não têm Lula como primeira opção, 7% não escolhem Flávio Bolsonaro, 20% não se engajam com nenhum dos polos, 9% rejeitam ambos e 6% não se posicionam.
O movimento é emblemático. Cury, que nunca concorreu a cargo eletivo, aparecia na categoria "outros" nas pesquisas. Após o debate, saltou ao topo da cabeça de 8% dos eleitores na intenção espontânea. A Atlas Intel confirma: entre 25 e 30 de agosto, o psiquiatra cresceu 6,2 pontos percentuais, de 1,6% para 7,8%. Enquanto isso, os outros nomes da chamada terceira via não decolam. Romeu Zema (Novo) tem rejeição líquida de 56%, maior que a de Lula (50%) e Flávio Bolsonaro (52%). Ronaldo Caiado (PSD), com 50%, ainda lidera em Goiás, mas não convence o eleitor de centro. Renan Santos (Missão), por sua vez, é rejeitado por 62% dos 56% que o conhecem.
A comparação com o "manicômio" da política brasileira, como Cury define, encontra eco no comportamento de Renan Santos, que ataca eleitores e jornalistas. Enquanto a rejeição de Renan subiu de 35% para 40% na semana, a imagem de Cury emerge como um "divã" acolhedor. Para o eleitor mineiro, o fenômeno representa uma alternativa concreta à polarização, mas a sustentação do crescimento é incerta: Cury tem apenas 35 segundos de horário eleitoral gratuito e 47 inserções até 1º de outubro. A falta de experiência administrativa será um dos eixos de ataque. A tendência, para os próximos meses, é que o psiquiatra continue atraindo os descontentes, mas a disputa segue aberta, com Zema e Caiado tentando se reposicionar. pesquisas eleitorais 2026