# A mando do tráfico, homem usava drone para monitorar policiais

> A operação em Duque de Caxias resultou na prisão de um homem que confessou operar drone a mando do tráfico local. O equipamento servia para monitorar policiais e facções rivais, com pagamento mensal de R$ 1.200. A ação revela o uso crescente de tecnologia por organizações criminosas para vigilância e contra-inteligência.

*Portal Notícias MG · Cidade · 02 de setembro de 2026 · Marília Stefani*

Um homem foi preso em Duque de Caxias após confessar que usava drone a mando do tráfico para monitorar policiais e criminosos rivais. Ele recebia R$ 1.200 por mês.

Um homem foi preso nesta segunda-feira (31) em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ao confessar que operava um drone a mando do tráfico para monitorar a movimentação de policiais e de criminosos rivais no bairro Pantanal. Segundo relatou aos agentes, ele recebia R$ 1.200 por mês para prestar o serviço a um chefe do tráfico conhecido como Flamengo, apontado como uma das lideranças do Terceiro Comando Puro (TCP) na região.

A prisão foi feita por equipes do Serviço Reservado do 15º BPM (Duque de Caxias), após monitoramento e diligências na área, onde ocorrem disputas territoriais entre facções rivais. O suspeito foi abordado nas proximidades da rua Maria Fernandes no momento em que pilotava remotamente o equipamento, onde havia várias gravações de monitoramento de viaturas.

Ele e o drone apreendido foram encaminhados à 60ª DP (Campos Elíseos), onde o caso foi registrado. A Polícia Civil deve agora investigar a atuação do suspeito e o uso do equipamento pelo grupo criminoso. Ele será representado pela Defensoria Pública na audiência de custódia, que ainda não foi realizada.

Em nota, a Polícia Militar afirmou que "a apreensão evidencia o uso de novas tecnologias por grupos criminosos como ferramenta de vigilância e obtenção de informações estratégicas". "O emprego de drones pode ampliar a capacidade de monitoramento de áreas sob disputa territorial e permitir o acompanhamento da movimentação das forças de segurança e de grupos rivais", acrescentou.

Levantamento da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil do Rio, mostrou que ruas e vielas do Complexo do Alemão, na zona norte da cidade, vêm sendo cobertas por estruturas para possivelmente dificultar o monitoramento por drones. A comparação entre imagens de satélite de novembro de 2025 e registros aéreos de fevereiro de 2026 revela mudanças no intervalo de 84 dias: ruas que antes apareciam nas imagens ficaram encobertas por telhados, um antigo estacionamento ganhou cobertura. Há também o caso de uma laje que passou a ter uma piscina.

Segundo os investigadores, os telhados funcionam como blindagem contra ataques com explosivos lançados por drones de facções rivais, mas também comprometem o monitoramento feito pela própria polícia.

O uso de drones por facções é monitorado pela polícia desde 2017, quando a corporação identificou a aquisição dos equipamentos por Peixão para monitorar rivais e agentes públicos. Diante do crescimento dos episódios, a Polícia Civil formalizou em 13 de julho a criação da Coant, que reúne pilotos próprios e concentra o trabalho de inteligência sobre drones. A estrutura já existia desde março, quando a corporação comprou seis drones chineses, dentro de investimento em tecnologia de R$ 2,1 milhões em dois anos.

O Terceiro Comando Puro (TCP) foi criado no início dos anos 2000, a partir da dissidência do antigo Terceiro Comando (TC), facção que atuou na década de 1990. Na época, havia uma aliança com a facção Amigos dos Amigos (ADA), parceria que durou até 2002, quando uma rebelião comandada por Fernandinho Beira-Mar, do CV, terminou com líderes do TC mortos e um detento, da ADA, vivo. A suspeita de traição levou à adição do "P", de "Puro", à sigla, apontando para a permanência apenas de criminosos "sem mistura", ou seja, que só "prestam serviço" para o TC.

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