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Maioria nas urnas, minoria no poder: por que as mulheres ainda são sub-representadas?

ResumoAs mulheres brasileiras, que representam 52,83% do eleitorado em 2026, ocupam apenas 18,1% das cadeiras na Câmara dos Deputados. O Brasil ocupa a 133ª posição global em representação feminina, segundo a ONU Mulheres. Em Juiz de Fora, a maior bancada feminina foi eleita em 2024, com 5 vereadoras.

As mulheres são 52,83% do eleitorado brasileiro em 2026, mas ocupam apenas 18,1% das cadeiras na Câmara dos Deputados. O Brasil ocupa a 133ª posição global em representação feminina, segundo a ONU Mulheres. Em Juiz de Fora, a maior bancada feminina foi eleita em 2024, com 5 verea

Sérgio Tadeu Mafra
Sérgio Tadeu Mafra Repórter de Economia Regional · 22 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Maioria nas urnas, minoria no poder: por que as mulheres ainda são sub-representadas?

Maioria nas urnas, minoria no poder

As mulheres são 52,83% do eleitorado brasileiro em 2026, mas a força nas urnas não se traduz em cadeiras nos parlamentos. Na Câmara dos Deputados, ocupam apenas 18,1% das vagas; no Senado, menos de 20%. O Brasil ocupa a 133ª posição no ranking de representação feminina da ONU Mulheres. Em Juiz de Fora, a maior bancada feminina foi eleita em 2024, com 5 vereadoras entre 23 eleitos.

O ritmo lento da paridade

Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná apontam um crescimento gradual, mas a equiparação ainda é distante. Um estudo da Oxfam Brasil calculou que, no ritmo atual, seriam necessários 144 anos para igualar candidaturas de homens e mulheres. Em Juiz de Fora, desde a eleição de Vera Faria em 1966 (com mandatos em 1967-1970 e 1973-1976), o número de vereadoras cresceu lentamente. Apesar de as mulheres serem maioria entre eleitores e população na cidade, nenhuma mulher presidiu o legislativo local.

Violência política e financiamento

A violência política de gênero é um dos componentes da disparidade. No Congresso, 81% das parlamentares relataram algum tipo de violência; entre candidatas a prefeita em 2020, o índice foi de 75%. O modelo de financiamento de campanha também contribui. Embora exista cota de recursos, o TSE decidiu que despesas com segurança pessoal das candidatas não podem ser contabilizadas dentro dos 30% mínimos destinados às candidaturas femininas. A medida visa impedir que os partidos cumpram a cota "no papel" sem investir de fato nas campanhas.

A lógica dos partidos e o preconceito

O discurso de que mulher não vota em mulher reflete o preconceito, segundo a análise. A questão começa na formatação das chapas e na distribuição de recursos. Além das mulheres, candidatos negros ou candidatas negras passam pelas mesmas restrições. Os partidos adotam uma lógica utilitarista de priorizar os potenciais eleitos. A disparidade se repete no Judiciário e nos governos: apenas 28 países têm uma mulher como chefe de Estado ou de Governo; em outros 101, nunca houve uma mulher no comando.

O caso de Dilma Rousseff

O Brasil elegeu Dilma Rousseff em duas ocasiões, mas seu segundo mandato foi interrompido por um impeachment. A análise aponta que a gênese do processo teve motivações de gênero e de disputa política. Personagens que endossaram a decisão admitiram, posteriormente, que ela caiu por rejeitar acordos, ser autoritária e não ceder a pressões, mas não cometeu qualquer ilícito (nem as pedaladas) em sua passagem pelo poder.

O que muda com a pressão por representatividade

A lei existe, mas as legendas têm uma dinâmica própria para burlá-la. A tendência para os próximos anos é de crescimento lento, mas a equiparação de cadeiras ainda é um dado distante. Em Minas Gerais, a realidade de Juiz de Fora reflete o cenário nacional: maioria nas urnas, minoria no poder.

Perguntas Frequentes

Por que as mulheres são minoria no poder mesmo sendo maioria do eleitorado?

A disparidade decorre de violência política de gênero, financiamento de campanha desigual e lógica utilitarista dos partidos, que priorizam potenciais eleitos.

Qual a posição do Brasil em representação feminina?

O Brasil ocupa a 133ª posição no ranking da ONU Mulheres, com 18,1% de cadeiras na Câmara e menos de 20% no Senado.

Quantas vereadoras foram eleitas em Juiz de Fora em 2024?

Foram eleitas 5 vereadoras entre 23 cadeiras, a maior bancada feminina da história da cidade.

Quanto tempo levaria para a paridade de gênero na política?

Segundo a Oxfam Brasil, seriam necessários 144 anos no ritmo atual de equiparação entre candidaturas.

O que o TSE fez para melhorar a representação feminina?

O TSE decidiu que despesas com segurança pessoal das candidatas não podem ser contabilizadas dentro da cota mínima de 30% destinada às candidaturas femininas.

Quantos países têm mulheres como chefe de Estado?

Apenas 28 países são liderados por uma mulher; em outros 101, nunca houve uma mulher no comando.

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