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Justiça remarca júri de réu por morte de Vanessa Lara em Juatuba

A Justiça de Minas Gerais remarcou para 30 de setembro o julgamento de Ítalo Jefferson da Silva, de 43 anos, acusado de estuprar e matar a estudante de Psicologia Vanessa Lara de Oliveira Silva, de 23 anos, em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A sessão do Tribunal do Júri está prevista para começar às 9h30, na Comarca de Juatuba. O réu responde pelos crimes de homicídio qualificado, estupro e ocultação de cadáver.

O julgamento havia sido marcado inicialmente para 24 de setembro, também às 9h30. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou a alteração para o dia 30 do mesmo mês. Segundo o Judiciário, o reagendamento ocorreu após pedido do Ministério Público de Minas Gerais, enquanto o horário e o local da sessão foram mantidos.

O que aconteceu com Vanessa Lara

O júri representa uma nova etapa de um caso iniciado em fevereiro de 2026 e que mobilizou forças de segurança em diferentes regiões de Minas Gerais. Vanessa morava com a família em Pará de Minas, estudava Psicologia e mantinha uma rotina de deslocamentos até Juatuba, onde exercia atividades profissionais ligadas ao Sistema Nacional de Emprego, o Sine.

No dia 9 de fevereiro, Vanessa esteve no Sine localizado no Centro de Juatuba. As informações reunidas durante as investigações apontam que, após deixar o local, ela iniciou o trajeto que fazia para chegar ao ponto onde pegaria o transporte para retornar a Pará de Minas. Ela deixou de manter contato com familiares durante a tarde. Como não retornou para casa e não respondeu às tentativas de comunicação, parentes começaram a procurá-la e acionaram as autoridades.

Na manhã do dia 10 de fevereiro, a família procurou a Polícia Militar e formalizou a ocorrência relacionada ao desaparecimento. Buscas passaram a ser realizadas em Juatuba, principalmente nas áreas próximas ao trajeto que Vanessa costumava fazer depois de deixar a região central da cidade. Ainda naquele dia, o corpo da estudante foi localizado em uma área de vegetação próxima à BR-262, um dia depois de ela ter sido vista pela última vez. A Polícia Militar e a perícia foram acionadas, e a investigação passou a tratar o desaparecimento como um caso de morte violenta.

Segundo as informações divulgadas pelas autoridades durante a apuração, o corpo apresentava sinais de violência. Os elementos recolhidos no local e os exames realizados posteriormente passaram a integrar o inquérito que buscava esclarecer as circunstâncias da morte e identificar o responsável. As investigações também recorreram a imagens de câmeras instaladas na região, que ajudaram a reconstruir parte do percurso realizado por Vanessa depois de deixar o Centro de Juatuba.

O que diz a acusação do Ministério Público

De acordo com a acusação apresentada pelo Ministério Público, Ítalo Jefferson teria seguido a estudante durante parte do trajeto. A apuração indicou que ele e Vanessa não mantinham relacionamento ou vínculo anterior conhecido. A dinâmica apresentada pela acusação será analisada pelos jurados durante o julgamento.

A denúncia sustenta que Vanessa foi abordada em uma área de vegetação próxima à rodovia e vítima de violência sexual. O Ministério Público afirma ainda que o homicídio teria sido praticado posteriormente com a finalidade de ocultar o crime sexual. Conforme a acusação e informações divulgadas durante a investigação, Vanessa morreu por estrangulamento, com uso de cabos de um notebook na ação.

A investigação apontou ainda que, após a morte da estudante, o corpo teria sido colocado dentro de uma mala e levado para uma manilha utilizada para drenagem. Segundo a denúncia, vegetação foi colocada sobre o local numa tentativa de dificultar a localização. A forma como o corpo teria sido escondido levou o Ministério Público a incluir, além das acusações relacionadas à violência sexual e ao homicídio, o crime de ocultação de cadáver.

Prisão e antecedentes do réu

Enquanto a Polícia Civil avançava na investigação, as forças de segurança iniciaram buscas pelo homem apontado como suspeito. Informações obtidas durante as diligências levaram à identificação de Ítalo Jefferson da Silva, então com 43 anos. Segundo relatos registrados pela Polícia Militar na época, familiares de Ítalo disseram que ele havia aparecido após o período do crime com arranhões pelo corpo e roupas sujas.

A Polícia Militar também informou que, durante as buscas, Ítalo entrou em contato por telefone com familiares. Segundo o boletim de ocorrência divulgado à época, ele teria confessado participação no crime durante a ligação e afirmado que estava na região central de Belo Horizonte. Câmeras de segurança registraram o suspeito na Rodoviária de Belo Horizonte no dia 10 de fevereiro.

No dia 11 de fevereiro, a Justiça expediu mandado de prisão contra Ítalo Jefferson, pela Vara Única da Comarca de Juatuba. A prisão aconteceu no dia 12 de fevereiro, em Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas Gerais. A Polícia Militar recebeu informações de que um homem com as características do procurado estaria viajando escondido em uma composição ferroviária que seguia em direção ao interior. Segundo a Polícia Militar, Ítalo estava entre os vagões e tentou correr durante a abordagem, mas foi alcançado e preso. Uma faca e uma sacola com roupas também foram encontradas com ele.

Informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça também revelaram que Ítalo possuía condenações anteriores. Os registros judiciais apontaram penas que, somadas, chegavam a 38 anos, 10 meses e 29 dias, das quais mais de 23 anos já haviam sido cumpridos. Entre os antecedentes estavam condenações por crimes sexuais. Registros citados posteriormente apontam três condenações anteriores por estupro relacionadas a crimes ocorridos em 2002, 2004 e 2008. Na época da morte de Vanessa, Ítalo cumpria pena em regime semiaberto.

O que esperar do júri de 30 de setembro

Com a conclusão da investigação, o Ministério Público apresentou a acusação formal à Justiça. Ítalo passou a responder judicialmente pelos fatos relacionados à morte da estudante, enquanto a prisão preventiva permaneceu em vigor durante a tramitação do processo. Em 12 de junho, a Justiça realizou uma audiência de instrução no Fórum da Comarca de Juatuba. Testemunhas indicadas pela acusação e pela defesa foram ouvidas, e o próprio réu também prestou depoimento.

A sessão do Tribunal do Júri de 30 de setembro, às 9h30, colocará a acusação e a defesa diante do Conselho de Sentença. A definição da responsabilidade criminal cabe à Justiça e será submetida aos jurados. Para a família de Vanessa e para a comunidade de Juatuba e Pará de Minas, o julgamento encerra uma etapa processual que se arrasta desde fevereiro, mas não devolve a rotina interrompida. segurança pública na Região Metropolitana de BH

Sérgio Tadeu Mafra
Repórter de Economia Regional
De Uberlândia, cobre economia do Triângulo e agronegócio mineiro com dado na mão e linguagem clara.
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