Israel teme corrida armamentista após acordo nuclear EUA-Arábia Saudita
Um acordo entre EUA e Arábia Saudita, que permite ao reino construir reatores nucleares com tecnologia americana e enriquecer urânio, acendeu alertas em Israel sobre uma possível corrida armamentista no Oriente Médio. Líderes israelenses criticam a falta de transparência.
Israel teme corrida armamentista após acordo nuclear EUA-Arábia Saudita
Um acordo anunciado na quarta-feira (22) entre Estados Unidos e Arábia Saudita acendeu um alerta em Israel. O pacto permite que o reino construa reatores nucleares com tecnologia norte-americana e enriqueça urânio. Para críticos israelenses, o movimento abre caminho para uma corrida armamentista no Oriente Médio.
Israel teme que o acordo nuclear civil entre EUA e Arábia Saudita, que permite enriquecimento de urânio em solo saudita, desencadeie uma corrida armamentista no Oriente Médio. Críticos, como o ex-premiê Naftali Bennett, veem o pacto como uma grave falha estratégica que ameaça a segurança israelense e pode levar à proliferação nuclear na região.
O acordo, que ainda precisa da aprovação do Congresso dos EUA, tem como objetivo permitir que os sauditas desenvolvam um programa nuclear civil. Mas, para lideranças israelenses, o risco de que o programa civil se transforme em militar é real e imediato.
Por que Israel teme o acordo nuclear com a Arábia Saudita?
O temor central é que o enriquecimento de urânio em território saudita, mesmo sob bandeira civil, possa ser desviado para fins militares. Israel, que é amplamente considerado o único país da região com arsenal nuclear, vê no acordo uma ameaça direta à sua superioridade estratégica.
O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, que busca derrotar Netanyahu nas eleições de 27 de outubro, foi duro nas críticas. "O acordo nuclear que está sendo fechado com a Arábia Saudita, sem o conhecimento de Israel, é uma grave falha estratégica que coloca em risco nossa segurança", afirmou. Para ele, "o enriquecimento nuclear em solo saudita pode levar a uma corrida nuclear regional e a uma perigosa perda de controle".
O ex-ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lieberman, ecoou o alerta: "O programa nuclear civil na Arábia Saudita resultará em armas nucleares e levará a uma corrida armamentista insana em todo o Oriente Médio".
Quem são os críticos do acordo em Israel?
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seus ministros da Defesa e das Relações Exteriores ainda não se pronunciaram sobre o acordo. O silêncio contrasta com a reação de ex-líderes, que enxergam o pacto como uma falha de inteligência e diplomacia.
Benny Gantz, ex-titular da pasta israelense da Defesa, afirmou que "não há nenhuma autoridade de segurança que diria que introduzir capacidade nuclear civil na Arábia Saudita sem integrar essa medida à construção de uma aliança regional moderada seja um passo benéfico para a segurança de Israel".
Lieberman, por sua vez, disse que Israel deve se opor ao acordo e pressionar o Congresso dos EUA para impedi-lo.
Histórico do acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita
Um acordo nuclear civil entre Estados Unidos e Arábia Saudita vem sendo elaborado há anos. A negociação avançou tanto durante o primeiro mandato do presidente norte-americano, Donald Trump, quanto durante o do ex-presidente Joe Biden.
No entanto, nenhum acordo havia sido concretizado até agora, em parte devido às advertências de grupos de não proliferação. Esses grupos afirmam que o pacto poderia abrir caminho para a Arábia Saudita desenvolver uma arma nuclear.
Os israelenses também esperavam que qualquer acordo fizesse parte de um pacto de normalização das relações há muito almejado entre Israel e os sauditas, conforme previsto no plano de Biden. A ausência dessa integração no anúncio atual é vista como um revés diplomático.
O que está em jogo para a segurança de Israel?
A possibilidade de uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio é o maior temor. Se a Arábia Saudita, mesmo que indiretamente, adquirir capacidade de enriquecer urânio, outros países da região podem buscar o mesmo caminho.
Para Israel, que mantém uma política de ambiguidade nuclear há décadas, qualquer avanço saudita representa uma mudança no equilíbrio de poder. A falta de transparência nas negociações, segundo os críticos, compromete os interesses de segurança de longo prazo de Israel.
Próximos passos do acordo
O acordo ainda precisa da aprovação do Congresso dos EUA. É nessa etapa que Israel pode concentrar seus esforços de lobby para tentar barrar ou modificar o pacto. A pressão política sobre os parlamentares americanos deve aumentar nas próximas semanas.
Enquanto isso, o silêncio de Netanyahu gera especulações. Para analistas, o premier pode estar avaliando o impacto do acordo nas eleições de 27 de outubro, nas quais Bennett o desafia.
Perguntas Frequentes
O acordo já está em vigor?
Não. O acordo foi anunciado na quarta-feira (22), mas ainda precisa da aprovação do Congresso dos EUA para ser implementado.
O que o acordo permite que a Arábia Saudita faça?
O pacto permite que o reino construa reatores nucleares utilizando tecnologia norte-americana e enriqueça urânio, dentro de um programa nuclear civil.
Israel pode impedir o acordo?
Israel pode pressionar o Congresso dos EUA para bloquear o acordo, como sugeriu o ex-ministro Avigdor Lieberman. No entanto, a decisão final cabe ao Legislativo americano.
Por que Israel se opõe ao enriquecimento de urânio na Arábia Saudita?
Porque o enriquecimento de urânio pode ser usado tanto para fins civis quanto militares. Israel teme que o programa civil saudita evolua para a produção de armas nucleares.
O que muda para o Oriente Médio com este acordo?
Se aprovado, o acordo pode desencadear uma corrida armamentista nuclear na região, com outros países buscando capacidades semelhantes, o que eleva o risco de conflito.