Irã renova ataques contra países do Golfo após ofensiva dos EUA
Irã lançou novos ataques contra aliados dos EUA no Golfo neste sábado (18), após sétima noite consecutiva de ofensiva norte-americana. Kuwait teve usina de energia e dessalinização atingida. Preços do petróleo subiram mais de 4%.
Irã renova ataques contra países do Golfo após ofensiva dos EUA
O Irã lançou novos ataques contra aliados dos Estados Unidos no Golfo neste sábado (18), após a sétima noite consecutiva de ofensiva norte-americana contra instalações militares iranianas. A escalada já começa a bater no bolso: os preços do petróleo subiram mais de 4% na sexta-feira (17), atingindo o maior nível em mais de um mês. É o tipo de notícia que chega primeiro no posto de gasolina, antes de qualquer comunicado oficial.
O que aconteceu no Kuwait
As autoridades do Kuwait informaram que uma das usinas de geração de energia e dessalinização de água do país foi atingida por um ataque iraniano. O bombardeio causou danos, um incêndio e a interrupção de um grande número de unidades de geração de eletricidade. Mais tarde, o exército do Kuwait afirmou que estava respondendo a ataques de drones iranianos.
Ataque ao Bahrein e alertas na Arábia Saudita
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado um depósito de drones americanos no Bahrein e destruído o principal centro de inteligência artificial do país com mísseis balísticos e drones. Enquanto isso, a defesa civil da Arábia Saudita emitiu alertas antecipados, os primeiros em vários meses, em pelo menos dois locais, mas ainda não havia relatado nenhum dano. No início da guerra, o Irã atingiu algumas instalações de energia do reino rico em petróleo.
Confronto no mar
A agência de notícias estatal IRNA informou que a Marinha iraniana disparou um míssil de cruzeiro terra-mar contra o que chamou de embarcação hostil dos EUA no norte do Oceano Índico. O Exército iraniano afirmou que o lançamento causou "medo e pânico" e forçou a embarcação a sair do alcance.
Ambos os lados também visaram o tráfego marítimo. Os EUA afirmaram que estavam aplicando um bloqueio naval, enquanto o Irã disse que tinha como alvo embarcações que violassem suas regras de navegação no Estreito de Ormuz. Os EUA afirmaram que suas forças redirecionaram quatro navios mercantes, desativaram um e abordaram outro. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que quatro embarcações que violavam as normas foram impedidas de atravessar o estreito.
O que os EUA dizem
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA afirmou ter concluído sua mais recente rodada de ataques, atingindo locais de vigilância, infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armas e instalações marítimas. "As forças americanas empregaram aeronaves de combate, drones aéreos e navios de guerra, além de outros recursos", afirmou o Comando Central. "Mais de 50.000 militares americanos estão operando no Oriente Médio e permanecem vigilantes, letais e prontos para o combate."
Impacto no Irã e vítimas civis
A mídia iraniana informou no sábado (18) que vários mísseis atingiram instalações de energia e bombas de dessalinização na cidade de Jask, no sul do Irã. Uma autoridade local disse que o abastecimento de água potável foi interrompido em vilarejos da região. Na madrugada de sábado, a TV estatal informou que três pessoas morreram e oito ficaram feridas na província costeira de Hormozgan, além de duas pontes e um túnel rodoviário terem sido danificados. Na sexta-feira (17), a mídia estatal informou que pelo menos cinco pontes foram atingidas no sul do país, com sete mortes no porto de Bandar Khamir, onde uma estação ferroviária também foi atingida.
O risco para o bolso e para o mundo
A televisão estatal iraniana citou a Guarda Revolucionária dizendo que, enquanto a "agressão" dos EUA não terminar, não será possível exportar fertilizantes químicos ou sequer uma "gota de petróleo e gás" da região. Homens armados apreenderam mais uma embarcação perto do Iêmen, aumentando a preocupação com a segurança em outro ponto de estrangulamento do transporte de petróleo, na entrada do Mar Vermelho.
Trump ameaçou lançar ataques aéreos em larga escala contra a infraestrutura do Irã e não descartou um ataque terrestre. Autoridades americanas afirmaram que os ataques ao sul do Irã visam, em parte, dar opções a Trump. O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com a escalada da violência, em particular com os "ataques à infraestrutura civil no Irã e em toda a região".
O que esperar
Washington e Teerã têm testado os limites da escalada desde que seu acordo de cessar-fogo entrou em colapso na semana passada, aumentando a possibilidade de um retorno à guerra total. Enquanto isso, o produtor rural e o motorista brasileiro já sentem o reflexo: petróleo mais caro, gasolina na bomba subindo e a incerteza de até onde essa crise vai.
Perguntas Frequentes
O Irã atacou o Brasil?
Não. Os ataques do Irã foram contra aliados dos EUA no Golfo, como Kuwait e Bahrein. O Brasil não foi citado na ofensiva.
Por que o preço do petróleo subiu?
Os preços do petróleo subiram mais de 4% na sexta-feira (17) devido à escalada do conflito e ao bloqueio naval no Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo mundial.
O que é o Estreito de Ormuz?
É um canal estratégico no Oriente Médio por onde passa cerca de 20% do petróleo global. O Irã ameaçou impedir a passagem de embarcações que violem suas regras.
A ONU se posicionou?
Sim. O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com a escalada da violência, especialmente com os ataques à infraestrutura civil no Irã e na região.
Quantos militares dos EUA estão na região?
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA afirmou que mais de 50.000 militares americanos estão operando no Oriente Médio.