# Irã reconhece impactos econômicos de sanções dos EUA na guerra

> O Irã reconheceu oficialmente os impactos econômicos das sanções dos EUA durante a guerra, com comércio exterior em queda de 35% e inflação anual de 66%. Teerã promete resistir às pressões, enquanto o Catar atua como mediador. A crise afeta setores como importação de alimentos e energia, agravando a situação interna.

*Portal Notícias MG · Cidade · 31 de agosto de 2026 · Cláudia Resende*

O Irã reconheceu os impactos econômicos das sanções dos EUA em meio à guerra, com comércio exterior em queda de 35% e inflação anual de 66%. Teerã promete resistir, enquanto o Catar tenta mediar.

O Irã reconheceu publicamente os impactos econômicos das sanções dos EUA em meio à guerra, com o comércio exterior em queda de quase 35% e a inflação anual em 66% no mês passado. O presidente Masoud Pezeshkian declarou à mídia estatal que as exportações e importações iranianas caíram devido às sanções americanas e ao bloqueio naval dos portos. Apesar disso, Teerã não deu sinais de recuo neste sábado (29), prometendo resistir à pressão dos EUA e manter o controle sobre o Estreito de Ormuz, via navegável estratégica para os mercados globais de energia.

O governo iraniano, em comunicado divulgado pela mídia estatal, afirmou que combater as pressões econômicas é uma das principais prioridades. A nota cita o controle da inflação, a gestão dos mercados, a criação de empregos e a redução gradual da dependência do dólar. O Líder Supremo, Aiatolá Mojtaba Khamenei, que não é visto em público desde que foi ferido no ataque de 28 de fevereiro que matou seu pai, pediu ao governo que enfrente as dificuldades. "É preciso abordar seriamente a cadeia de desafios econômicos e de subsistência, como inflação, desemprego e gestão de preços", disse ele, em declaração escrita.

Seis meses após o início da guerra, as negociações estão num impasse. O governo de Donald Trump intensificou os esforços para punir financeiramente o Irã com o chamado "Dia D econômico". Washington alertou outros países para que cortem relações comerciais com Teerã ou enfrentem sanções secundárias, embora o Departamento do Tesouro tenha evitado penalizar grandes parceiros como China e Índia. O Tesouro impôs sanções ao Banque Misr do Egito e a uma entidade em Hong Kong ligada ao Banco Melli do Irã.

A onda de sanções agrava o impacto da guerra na economia iraniana. Pezeshkian afirmou que o Irã vendeu cerca de 90 milhões de barris de petróleo durante o memorando de entendimento assinado em junho, quando Washington permitiu a venda. Ele pediu a retomada do acordo, que se desfez por divergências sobre o Estreito de Ormuz. Enquanto isso, o Catar tenta mediar, com o primeiro-ministro Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani reunindo-se com líderes iranianos em Teerã. O Irã afirma que a diplomacia e a defesa são "duas vertentes complementares" para proteger seus interesses nacionais.

Para famílias e empresas que acompanham o cenário global, a crise iraniana pode influenciar os preços de energia, já que o Estreito de Ormuz transportava 20% do petróleo e do GNL do mundo antes da guerra. Comandantes militares dos EUA afirmam que removeram minas marítimas do estreito, mas a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã nega, dizendo que a hidrovia permanece fechada para navios sem permissão. Acompanhar os desdobramentos é essencial para entender possíveis impactos no bolso e no abastecimento global.

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