# Irã não tem planos para negociações e responderá a ataques, diz porta-voz

> O Irã, por meio do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Nasser Kanani, declarou não ter planos para negociações com potências ocidentais. A afirmação foi feita em coletiva de imprensa em Teerã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano. O país responderá a qualquer ataque, segundo a declaração oficial.

*Portal Notícias MG · Cidade · 15 de julho de 2026 · Marília Stefani*

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Nasser Kanani, declarou que o país não tem planos para negociações com potências ocidentais e responderá a qualquer ataque. A afirmação foi feita em coletiva de imprensa em Teerã, em meio a tensões sobre o programa nuclear

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Nasser Kanani, afirmou nesta quarta-feira (12) que o país não tem planos para negociações com potências ocidentais e responderá a qualquer ataque. A declaração foi feita em coletiva de imprensa em Teerã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano e sanções internacionais.

O Irã não tem planos para negociações e responderá a ataques, diz porta-voz. A afirmação de Kanani ocorre após semanas de especulações sobre possíveis conversas entre Teerã e países do P5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) para retomar o acordo nuclear de 2015, do qual os EUA se retiraram em 2018.

## Contexto da declaração

A fala do porta-voz iraniano foi motivada por declarações recentes de autoridades americanas e europeias, que ameaçaram novas sanções e ações militares caso o Irã não recue em seu enriquecimento de urânio. Segundo Kanani, "qualquer ataque será respondido de forma proporcional e no mesmo nível".

O Irã tem intensificado seu programa nuclear nos últimos anos. Dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) indicam que o país enriquece urânio a 60%, próximo do nível necessário para uso militar (90%). O governo iraniano, no entanto, nega buscar armas nucleares e afirma que o programa tem fins pacíficos.

## Reações internacionais

A declaração gerou reações em diversas capitais. O governo dos Estados Unidos, por meio do Departamento de Estado, disse que "continuará a usar todas as ferramentas diplomáticas e econômicas para impedir que o Irã adquira uma arma nuclear". Já a União Europeia pediu "moderação e diálogo" de ambas as partes.

Israel, que considera o programa nuclear iraniano uma ameaça existencial, afirmou que "se o Irã não negociar, todas as opções estão sobre a mesa". O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, já havia dito anteriormente que seu país não permitiria que o Irã se tornasse uma potência nuclear.

## Histórico de negociações

As negociações entre Irã e potências ocidentais têm um histórico de avanços e recuos. O acordo nuclear de 2015, conhecido como JCPOA, limitou o enriquecimento de urânio iraniano em troca do alívio de sanções. Em 2018, o então presidente americano Donald Trump retirou os EUA do acordo e reimpôs sanções, levando o Irã a descumprir gradualmente seus compromissos.

Desde 2021, conversas indiretas entre EUA e Irã, mediadas pela União Europeia, ocorreram em Viena, mas não resultaram em um novo acordo. O impasse atual reflete a desconfiança mútua e as demandas divergentes: o Irã exige o fim de todas as sanções, enquanto os EUA pedem verificação rigorosa do programa nuclear.

## Análise de especialistas

Para analistas de relações internacionais, a declaração de Kanani pode ser interpretada como uma tentativa de fortalecer a posição iraniana antes de qualquer negociação futura. "O Irã historicamente usa retórica dura para ganhar vantagem tática", afirmou o professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), João Paulo Cândia, em entrevista à Agência Brasil.

"A declaração não fecha a porta para negociações, mas estabelece uma linha vermelha: não negociar sob ameaça", completou. Especialistas apontam que o Irã pode estar testando a unidade das potências ocidentais, que divergem sobre como lidar com o programa nuclear.

## Impacto no cenário regional

A tensão entre Irã e potências ocidentais também afeta o Oriente Médio. Países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que normalizaram relações com Israel, acompanham de perto os desdobramentos. O Irã é acusado por seus vizinhos de apoiar grupos armados no Iêmen, Síria e Líbano, o que aumenta a instabilidade na região.

Em janeiro de 2026, o Irã realizou exercícios militares no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O governo iraniano afirmou que os exercícios são "defensivos", mas analistas veem como um sinal de que o país pode tentar bloquear a passagem de navios em caso de conflito.

## Próximos passos

A comunidade internacional aguarda os próximos passos do Irã e das potências ocidentais. Em fevereiro, o Conselho de Segurança da ONU deve se reunir para discutir o programa nuclear iraniano. Enquanto isso, a União Europeia tenta mediar um diálogo direto entre EUA e Irã, mas a declaração de Kanani sugere que o caminho será difícil.

Para o Brasil, que mantém relações diplomáticas com o Irã, a situação é delicada. O Itamaraty afirmou que "acompanha com preocupação" as tensões e defende uma solução pacífica e negociada. O Brasil já atuou como mediador em crises anteriores, mas não há sinal de que isso ocorra agora.

## Perguntas Frequentes

### Por que o Irã não quer negociar?

O Irã alega que as potências ocidentais não cumprem acordos anteriores e que as sanções são injustas. A declaração do porta-voz reflete a posição de que negociações só ocorrerão sem ameaças ou pressões externas.

### O que o Irã quer com seu programa nuclear?

O governo iraniano afirma que o programa nuclear tem fins pacíficos, como geração de energia e produção de radioisótopos para medicina. No entanto, a AIEA e países ocidentais suspeitam que o Irã busca desenvolver armas nucleares.

### Quais são as consequências de um ataque ao Irã?

Um ataque ao Irã poderia desencadear uma guerra regional, com impacto no preço do petróleo e na segurança de países vizinhos. O Irã tem capacidade de retaliar com mísseis e ataques cibernéticos, além de influenciar grupos aliados no Oriente Médio.

### O que é o acordo nuclear de 2015?

O JCPOA (Plano de Ação Conjunto Global) foi assinado em 2015 entre Irã e seis potências mundiais. Ele limitou o enriquecimento de urânio iraniano em troca do fim de sanções. Os EUA se retiraram em 2018, e o Irã passou a descumprir o acordo gradualmente.

### Como o Brasil se posiciona?

O Brasil defende uma solução diplomática e pacífica para o impasse. O país mantém relações com o Irã e já atuou como mediador em outras crises, mas não há envolvimento direto no momento.

### Qual o papel da ONU na crise?

A ONU, por meio da AIEA, monitora o programa nuclear iraniano. O Conselho de Segurança pode impor novas sanções se considerar que o Irã viola resoluções anteriores. As discussões devem ocorrer em fevereiro de 2026.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/cidade/ira-nao-tem-planos-negociacoes-respondera-ataques-diz-porta-voz/
