Investigado em esquema de R$ 27 milhões na compra de livros deixa prisão para usar tornozeleira
Um investigado por participação em esquema de desvio de R$ 27 milhões na compra de livros deixou a prisão e passou a usar tornozeleira eletrônica. A decisão judicial gerou debate sobre os critérios de monitoramento. Entenda os detalhes do caso.
Investigado em esquema de R$ 27 milhões na compra de livros deixa prisão para usar tornozeleira eletrônica
Um investigado por participação em esquema de desvio de R$ 27 milhões na compra de livros deixou a prisão e passou a usar tornozeleira eletrônica. A decisão judicial autorizou a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares, incluindo monitoramento eletrônico. O caso segue em investigação, com o suspeito proibido de se ausentar da comarca.
Como funciona a tornozeleira eletrônica no Brasil
A tornozeleira eletrônica é um dispositivo de monitoramento usado para substituir a prisão preventiva em casos específicos. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o equipamento emite sinais para uma central de monitoramento, que alerta as autoridades em caso de violação de área permitida. O uso é autorizado por juiz, com base em análise de risco e necessidade.
O sistema é gerido por empresas contratadas pelos tribunais de justiça estaduais. Em Minas Gerais, por exemplo, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) mantém convênio com a Secretaria de Estado de Administração Prisional (SEAP) para operação do serviço.
Entenda o esquema de R$ 27 milhões na compra de livros
O esquema investigado envolve a compra de livros superfaturados para a rede pública de ensino. A operação, conduzida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), apontou desvio de aproximadamente R$ 27 milhões. As investigações revelaram fraudes em licitações e contratos com editoras.
Segundo o MPMG, os investigados utilizavam empresas de fachada para simular concorrência e direcionar contratos. O esquema teria ocorrido entre 2022 e 2024, envolvendo servidores públicos e empresários do setor editorial.
Decisão judicial: prisão substituída por tornozeleira
A Justiça decidiu substituir a prisão preventiva do investigado por medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. A decisão, proferida pela 5ª Vara Criminal de Belo Horizonte, considerou a ausência de risco de fuga e a colaboração do suspeito com as investigações.
Entre as condições impostas estão: proibição de se ausentar da comarca, comparecimento mensal em juízo e proibição de contato com outros investigados. O descumprimento pode levar à revogação da medida e retorno à prisão.
Critérios para uso de tornozeleira eletrônica
A Lei 12.403/2011, que alterou o Código de Processo Penal, prevê a tornozeleira como medida cautelar alternativa à prisão. Os critérios incluem: gravidade do crime, risco de fuga, periculosidade do agente e necessidade de garantir a ordem pública.
No caso do esquema de livros, a defesa argumentou que o investigado não oferecia risco à sociedade e que a prisão preventiva era desproporcional. O Ministério Público, por sua vez, manifestou-se contra a substituição, mas o juiz acolheu o pedido.
Repercussão do caso
A decisão gerou debate sobre a eficácia do monitoramento eletrônico em casos de grande vulto. Especialistas ouvidos pela imprensa apontam que a tornozeleira não impede a comunicação com outros envolvidos, apenas controla a localização.
O caso segue sob sigilo judicial, mas a operação do MPMG continua em andamento. Outros suspeitos permanecem presos, aguardando julgamento.
Próximos passos da investigação
A investigação do esquema de R$ 27 milhões na compra de livros deve se estender por mais meses. O MPMG aguarda a quebra de sigilos bancários e fiscais para aprofundar as apurações investigação de fraudes em licitações.
A Justiça também analisa pedidos de busca e apreensão em endereços ligados a outros suspeitos. A expectativa é que novas denúncias sejam formalizadas até o final do ano.
Perguntas Frequentes
Por que o investigado deixou a prisão?
A Justiça entendeu que a prisão preventiva poderia ser substituída por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, por considerar que o suspeito não oferecia risco de fuga.
Como funciona a tornozeleira eletrônica?
O dispositivo emite sinais de localização para uma central de monitoramento, que alerta as autoridades se o investigado sair da área permitida.
Quais as condições impostas ao investigado?
Ele está proibido de se ausentar da comarca, deve comparecer mensalmente em juízo e não pode contatar outros investigados.
O que acontece se ele descumprir as regras?
O descumprimento pode levar à revogação da medida cautelar e ao retorno à prisão preventiva.
Outros investigados também foram soltos?
Não. Apenas este investigado obteve a substituição da prisão. Outros suspeitos permanecem presos.
Como denunciar fraudes em licitações?
Denúncias podem ser feitas ao Ministério Público, à Polícia Federal ou ao Tribunal de Contas, de forma anônima ou identificada.