Injeção em professora: responsável não é biomédica
A professora Lidiane Gomes de Souza Alves, 50 anos, morreu após receber uma injeção no glúteo em um salão em Ceilândia. O CFBM afirma que a responsável pela aplicação não tem registro nos CRBMs, e a SES-DF aponta que o local operava de forma clandestina.
A investigação sobre a morte da professora Lidiane Gomes de Souza Alves, 50 anos, ganhou novos desdobramentos nesta semana. O Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) informou que a mulher que aplicou a substância no salão de beleza não possui registro nos Conselhos Regionais de Biomedicina (CRBMs) nem habilitação em Biomedicina Estética. Ou seja, não estava autorizada pelo sistema CFBM/CRBMs a realizar procedimentos estéticos ou aplicações injetáveis como profissional da categoria.
A resposta direta que o caso exige é esta: a responsável pela aplicação não é biomédica registrada, e o salão funcionava de forma irregular. Por não integrar os quadros do conselho, ela não responde a processos ético-disciplinares pela autarquia. A apuração fica restrita ao âmbito criminal e administrativo dos órgãos públicos.
O CFBM reforçou que atuar como biomédico esteta exige habilitação específica e inscrição regularizada no conselho regional. Clínicas e profissionais da área precisam de inscrição de pessoa jurídica ou certidão de regularidade técnica emitidas pelo CRBM, além do alvará sanitário. O conselho disse atuar em parceria com a Polícia Civil, o Ministério Público Federal e a Vigilância Sanitária em casos de atuação irregular que fogem ao alcance do órgão.
A Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) revelou que o estabelecimento, no Setor P Norte, em Ceilândia, operava de forma clandestina: o endereço é um imóvel exclusivamente residencial, sem alvará sanitário, sem cadastro na Vigilância Sanitária e sem registro de CNPJ para atividades comerciais de saúde ou estética.
As apurações conduzidas pelo delegado Petter Ranquetat, da 23ª Delegacia de Polícia (P Sul), tratam o caso como exercício ilegal da medicina e eventual homicídio culposo. A suspeita não está presa. O Correio tenta contato com a mulher para manifestação.
Lidiane morreu após receber uma injeção no glúteo com a promessa de combater a queda de cabelo e fortalecer os fios, enquanto fazia as unhas e o cabelo no local. Após a aplicação, voltou para casa com sudorese intensa, falta de ar e tosse. Conduzida pelo marido, Valdeci Alves dos Santos, à UPA do P Norte, sofreu uma parada cardiorrespiratória no trajeto e não resistiu às complicações de um choque anafilático decorrente da reação alérgica.
Segundo Valdeci, Lidiane tinha histórico de bronquite asmática e alergia a certos medicamentos, mas não passou por anamnese ou teste alérgico antes da aplicação. A dona do salão chegou a ir até a UPA para informar o nome do composto à equipe médica, mas deixou o local após a confirmação do óbito. A vítima deixa o marido e uma filha de 26 anos.
O que muda com essas informações é o desenho da apuração. Sem vínculo com o conselho profissional, a responsável pela aplicação não será alcançada por processo ético-disciplinar da autarquia, e a apuração se concentra nas esferas criminal e administrativa. Para quem procura procedimentos estéticos, a checagem de registro no CRBM e de alvará sanitário do estabelecimento segue como caminho de proteção. como verificar registro de profissional de saúde
A memória de Lidiane fica com quem acompanhou sua rotina de professora e com a família, que agora espera respostas dos órgãos públicos. Acompanhar o andamento do inquérito da 23ª DP é a forma concreta de não deixar o caso esfriar. segurança em procedimentos estéticos