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Imigrantes têm acampamento destruído por moradores de Ceuta

ResumoCeuta registrou na quinta-feira (27) protestos de moradores contra imigrantes, com incêndio de pertences em uma praia e confrontos com a polícia. Governos da Espanha e de Ceuta pediram calma diante da escalada de tensão. A ação destruiu um acampamento improvisado, intensificando o clima de hostilidade na região autônoma espanhola.

Protestos contra imigrantes em Ceuta escalaram na quinta-feira (27), com moradores incendiando pertences em uma praia e confrontando a polícia. Governos da Espanha e de Ceuta pediram calma diante da tensão.

Daniele Xavier
Daniele Xavier Repórter de Cidades · 28 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
Imigrantes têm acampamento destruído por moradores de Ceuta

Moradores de Ceuta foram até uma praia onde imigrantes passam a noite e incendiaram seus pertences na quinta-feira (27), quase um mês após a entrada em massa de pessoas vindas do Marrocos no exclave espanhol no norte da África. O grupo entrou em confronto com a polícia, que interveio para dispersá-los. Os governos da Espanha e de Ceuta pediram calma diante da escalada da tensão.

Mais cedo, dezenas de manifestantes bloquearam o acesso de veículos da Cruz Vermelha à praia, impedindo a distribuição de comida. Muitos agitavam bandeiras espanholas e gritavam "Vão embora!" e "Fora, Cruz Vermelha!" antes de serem dispersados pela polícia.

A crise se agravou após a entrada de mais de 70 mil migrantes em Ceuta, no fim de julho. O episódio provocou protestos de moradores, que relatam problemas de segurança e higiene e acusam o governo central de abandono. A maioria retornou ao Marrocos poucas horas depois, mas milhares permaneceram no território. O governo espanhol estima o número entre 3.500 e 7.000, enquanto as autoridades de Ceuta falam em pelo menos 10 mil.

Na noite de quarta-feira (26), milhares de moradores participaram de um protesto que terminou em confronto. Segundo a imprensa espanhola, a polícia usou gás lacrimogêneo para evitar choques com imigrantes acampados em uma praia. Na madrugada de quinta, um veículo militar com quatro soldados teria sido atacado por cerca de 70 imigrantes, segundo a Polícia Nacional. Doze migrantes, todos marroquinos, foram detidos. Um militar sofreu ferimentos leves após ser atingido por uma pedra.

A secretária da Fazenda do governo de Ceuta, Kissy Chandiramani, afirmou à rádio Cadena Ser que a tensão na cidade é elevada pela falta de respostas do governo central e pela sensação de abandono entre os moradores. Ela pediu que os protestos ocorram sem violência, argumentando que a escalada não ajudaria a resolver a crise.

Em Madri, o ministro da Justiça, Félix Bolaños, pediu confiança no Estado. Sob críticas de que reagiu lentamente, o governo do premiê Pedro Sánchez adotou medidas para abrigar os imigrantes e acelerar seu retorno ao Marrocos. Também criou um "comando único" para Ceuta, sob responsabilidade do ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres. Torres pediu "compreensão" aos moradores e afirmou que cada imigrante precisa ser identificado para que as autoridades decidam se ele tem direito a asilo ou pode ser devolvido.

O Ministério do Interior anunciou o envio de mais funcionários para identificar os imigrantes. Os menores desacompanhados terão proteção especial. O governo aprovou a transferência de € 25 milhões (cerca de R$ 150 milhões) para seu acolhimento. Em paralelo, uma equipe de coveiros começou, na sexta-feira, a sepultar alguns dos dezenas de migrantes que morreram durante a travessia em massa há três semanas. O gerente interino do cemitério, Said Mohammed, disse que o plano era sepultar cerca de 70 corpos nos próximos dias, com 10 a 12 enterros por dia. Cerca de 95% das pessoas ainda não foram identificadas, mas cada túmulo recebeu uma pedra com um número, caso o corpo venha a ser reivindicado e eventualmente repatriado.

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