Houthis anunciam bloqueio naval à Arábia Saudita e fecham rota de petróleo
Os Houthis do Iêmen impuseram um bloqueio naval à Arábia Saudita, fechando o Estreito de Bab el-Mandeb. A medida reduz a oferta global de petróleo em 7% e amplia a crise no Oriente Médio, com impactos diretos no bolso do consumidor brasileiro.
Houthis anunciam bloqueio naval à Arábia Saudita e fecham rota de petróleo
Os Houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, anunciaram nesta segunda-feira (20) a imposição de um bloqueio naval à Arábia Saudita. A medida fecha o Estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho, e reduz a oferta global de petróleo em 7%, impedindo o escoamento da maior parte das exportações sauditas para fora da região.
O anúncio ocorre em um momento de escalada da guerra no Oriente Médio, que tem os Estados Unidos contra o Irã. O Irã vinha pressionando os Houthis a fechar o estreito caso os EUA continuassem a atacar a infraestrutura energética iraniana. A decisão amplia a ameaça ao abastecimento global de energia e ao comércio para além da região do Golfo.
Por que o bloqueio dos Houthis ao estreito de Bab el-Mandeb afeta o mundo?
O Estreito de Bab el-Mandeb é uma das rotas mais estratégicas do comércio global. Localizado entre o Iêmen e o Chifre da África, ele conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden e, por consequência, ao Oceano Índico. Cerca de 7% do petróleo mundial passa por ali, principalmente vindo da Arábia Saudita.
O fechamento total do estreito reduziria a oferta global de petróleo em 7%, interrupção que se somaria à drástica redução nos fluxos globais causada pela guerra no Golfo, que já diminuiu os embarques em 10% da oferta mundial. A combinação dos dois gargalos pressiona os preços internacionais.
Preços do petróleo disparam e recuam com sinais de diplomacia
Os preços do petróleo chegaram a superar brevemente os 90 dólares por barril nesta segunda-feira, após novas interrupções na navegação pelo Estreito de Ormuz. Posteriormente, os preços recuaram um pouco depois que o Ministério das Relações Exteriores do Irã informou que mediadores haviam apresentado propostas a Teerã recentemente, sinalizando que os contatos diplomáticos permanecem ativos.
Uma autoridade iraniana de alto escalão disse à Reuters, nesta segunda-feira, que Teerã recebeu uma proposta de mediadores para um cessar-fogo de 10 dias, numa tentativa de salvar o acordo provisório assinado no mês passado. O objetivo é abrir caminho para um acordo duradouro que encerre a guerra iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.
A diplomacia ainda tenta conter a crise
A intensa atividade diplomática ocorreu depois que a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atingido instalações militares dos EUA em toda a região, na sequência de mais uma noite de bombardeios americanos contra cidades iranianas. Nem o Ministério das Relações Exteriores do Irã nem a autoridade que falou à Reuters forneceram mais detalhes sobre as supostas discussões de cessar-fogo.
Paralelamente, duas fontes do governo paquistanês informaram que o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, em sua segunda visita a Islamabad em menos de uma semana, pediu ao Paquistão que retomasse seu papel de mediador no conflito do Irã com os Estados Unidos.
O que esperar do bloqueio dos Houthis?
Em comunicado, as forças armadas Houthis declararam "um embargo marítimo contra o inimigo saudita criminoso, com base na lógica de 'olho por olho', com efeito imediato...". Os Houthis afirmaram ainda que a decisão foi uma resposta ao que classificaram como um "cerco injusto e opressor" imposto ao Iêmen pelos sauditas.
A medida abre uma nova frente na guerra do Oriente Médio, que tem os Estados Unidos contra o Irã, e amplia a ameaça ao abastecimento global de energia e ao comércio para além da região do Golfo. Não houve reação imediata por parte da Arábia Saudita.
O que o bloqueio naval significa para o consumidor brasileiro?
O Brasil importa derivados de petróleo, como diesel e gasolina, e o preço internacional do barril influencia diretamente o bolso do consumidor. Quando o petróleo sobe, a Petrobras repassa o aumento para as refinarias, e o preço nas bombas acompanha. A redução de 7% na oferta global, somada à redução de 10% já causada pela guerra no Golfo, cria pressão altista sobre os combustíveis.
Além disso, o fechamento de rotas marítimas como Bab el-Mandeb encarece o frete e o seguro de cargas, impactando o comércio internacional e, por consequência, o preço de produtos importados no Brasil.
Perguntas frequentes sobre o bloqueio naval dos Houthis
O que são os Houthis?
Os Houthis são um grupo armado do Iêmen, alinhado ao Irã, que controla grande parte do norte do país. Eles estão em guerra contra a coalizão liderada pela Arábia Saudita desde 2015.
O que é o Estreito de Bab el-Mandeb?
É um estreito localizado entre o Iêmen e o Chifre da África, que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden. É uma das rotas mais estratégicas do comércio global de petróleo.
Qual o impacto do bloqueio no preço do petróleo?
O fechamento total do estreito reduz a oferta global de petróleo em 7%. Os preços chegaram a superar brevemente os 90 dólares por barril nesta segunda-feira, antes de recuar com sinais de diplomacia.
O Brasil será afetado?
Sim. O Brasil importa derivados de petróleo e o preço internacional influencia o valor dos combustíveis nas bombas. O encarecimento do frete também pode impactar o preço de produtos importados.
Há chance de acordo diplomático?
Sim. Uma autoridade iraniana disse à Reuters que Teerã recebeu uma proposta de cessar-fogo de 10 dias para salvar o acordo provisório. O Paquistão também foi chamado a mediar o conflito.
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