# Grupo é denunciado por organização criminosa em Leopoldina

> O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou nove pessoas por organização criminosa em Leopoldina e região. A ação, fundamentada na Lei Antifacção, é uma das primeiras do país contra grupo ligado ao Comando Vermelho. A denúncia formaliza acusações de integração a estrutura criminosa com atuação local e regional.

*Portal Notícias MG · Cidade · 03 de setembro de 2026 · Marília Stefani*

Nove pessoas foram denunciadas pelo MPMG por integrar organização criminosa ligada ao Comando Vermelho em Leopoldina e região. A denúncia, baseada na Lei Antifacção, é uma das primeiras do país.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou nove pessoas por integrarem uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho que atuava em Leopoldina e em municípios da Zona da Mata. A denúncia foi oferecida nesta quarta-feira (2), com base nas investigações da Operação Quione, deflagrada para desarticular um esquema interestadual com ramificações no Rio de Janeiro.

Nove pessoas foram denunciadas pelo MPMG por integrarem organização criminosa ligada ao Comando Vermelho em Leopoldina e região. A denúncia, oferecida nesta quarta-feira (2), é uma das primeiras do país com base na Lei nº 15.358/2026, a Lei Antifacção, que criou tipos penais específicos para organizações que exercem domínio territorial e controle social sobre comunidades.

A Operação Quione, deflagrada em julho, já cumpriu 70 mandados judiciais, sendo 27 de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão, em Leopoldina, Recreio, Juiz de Fora e no Rio de Janeiro. As investigações resultaram na apreensão de mais de cinco mil porções de drogas, quatro fuzis e diversos carregadores de armas de fogo. Também foram documentados episódios de violência grave atribuídos ao grupo, incluindo torturas, espancamentos, ameaças e ataques contra desafetos.

Segundo o MPMG, o grupo mantinha estrutura organizada, com divisão de funções e logística de distribuição de drogas vindas do Rio de Janeiro. A atuação incluía a expansão do domínio territorial em bairros de Leopoldina e cidades vizinhas, além do uso de violência e intimidação para impor regras de convivência. Os investigados são acusados de promover punições como "disciplinas" e "tribunais do crime", monitorar forças de segurança e usar armamento de uso restrito.

A denúncia também aponta o recrutamento de adolescentes para atividades criminosas e ações de consolidação da influência da facção, como financiamento de eventos locais e cobrança de valores para distribuição de benefícios. A padronização das embalagens e etiquetas dos entorpecentes apreendidos indica uma cadeia centralizada de fornecimento entre o Rio de Janeiro, Leopoldina e outras cidades da região.

A denúncia foi encaminhada ao Poder Judiciário, que analisa o recebimento da acusação. A ação contou com participação de integrantes do MPMG, policiais militares, com apoio do Gaeco e do Centro de Segurança e Inteligência (CSI) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

A nova legislação, que instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, representa uma mudança no enfrentamento a grupos que usam violência para controlar comunidades. Casos como este, em Leopoldina, mostram como a lei pode ser aplicada na prática, mas o desfecho depende da análise judicial e do andamento da ação penal.

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