# Governo vê direita pragmática e sem liderança de Milei na América do Sul

> O governo brasileiro avalia que novos líderes de direita na América do Sul adotarão uma postura pragmática nas relações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esses governantes não demonstram interesse em replicar a estratégia de confronto utilizada pelo presidente argentino Javier Milei, indicando uma abordagem mais moderada e sem liderança regional do ultraliberal.

*Portal Notícias MG · Cidade · 29 de julho de 2026 · Inácio Bicalho*

O governo brasileiro está convencido de que novos líderes de direita na América do Sul vão seguir uma cartilha de relações pragmáticas com Lula e não têm interesse em emular a postura de enfrentamento adotada por Javier Milei.

## Governo vê direita pragmática e sem liderança de Milei na América do Sul

O governo brasileiro está convencido de que novos líderes de direita na América do Sul vão seguir uma cartilha de relações pragmáticas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e não têm interesse em emular a postura de enfrentamento ao petista adotada por Javier Milei. A avaliação, feita por fontes do Itamaraty, aponta que, apesar da escalada na crise diplomática com a Argentina, a influência do argentino hoje é limitada na vizinhança.

## Por que o governo Lula acredita em uma direita pragmática?

Um dos exemplos citados no Itamaraty foi o depoimento da presidente recém-empossada do Peru, Keiko Fujimori, em um encontro com embaixadores latino-americanos ainda durante a campanha eleitoral. Na reunião, segundo relatos feitos à CNN, Keiko reconheceu diferenças ideológicas com o petista, mas disse que Lula era o único líder na América do Sul capaz de unir a região.

Sinais de diálogo e pragmatismo também foram enviados, segundo a diplomacia brasileira, pelo colombiano Abelardo de la Espriella, que se inspira no salvadorenho Nayib Bukele, uma das principais referências da direita na América Latina, com um discurso de tolerância zero na segurança pública e de defesa radical da liberdade de expressão.

No fim de junho, ao vencer as eleições presidenciais na Colômbia e receber um cumprimento oficial de Lula, Espriella respondeu ao petista no X (antigo Twitter): "O continente americano enfrenta problemas comuns de natureza transnacional, que só podem ser superados por meio de um trabalho conjunto, respeitoso e soberano". A mensagem do novo presidente foi interpretada como um aval à continuidade de políticas comuns na região amazônica e à blindagem do comércio bilateral contra eventuais discordâncias ideológicas.

## O caso do Chile: Kast e a relação com Lula

De acordo com fontes diplomáticas, os recados emitidos por Santiago têm sido na mesma linha. O chileno José Antonio Kast, que assumiu em março, já se reuniu com Lula duas vezes, uma antes e outra depois da posse, e deixou clara a disposição de trabalhar com o Brasil.

O candidato à Presidência da República pelo PL (Partido Liberal), Flávio Bolsonaro, foi ao Chile para a posse do direitista. Lula preferiu não comparecer. Mesmo assim, segundo interlocutores no Itamaraty, os dois governos têm trabalhado juntos em diversas frentes e não houve mudança no status do relacionamento desde a saída do esquerdista Gabriel Boric.

## Milei isolado? O que o Itamaraty avalia

Por tudo isso, o governo brasileiro acredita que a influência de Milei hoje é limitada na vizinhança e descarta que outros líderes sul-americanos sigam o argentino em uma postura de enfrentamento a Lula. Na avaliação do Itamaraty, mesmo pertencendo ao mesmo espectro político que o chefe da Casa Rosada, os demais presidentes de direita na região têm uma tendência de limitar o espaço para a ideologia.

Eles buscam, segundo essas avaliações, um canal aberto e próximo com o americano Donald Trump, mas sem jogar fora um bom relacionamento político com o Brasil.

## O que esperar das relações Brasil-vizinhos?

A leitura do Itamaraty é que a direita sul-americana atual age com racionalidade prática: quer manter acordos comerciais, proteger a Amazônia e dialogar com Washington, mas sem romper com Brasília. Para quem acompanha a política regional, isso significa que, mesmo com divergências ideológicas, a pauta comum, como a integração amazônica e o comércio bilateral, deve prevalecer.

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## Perguntas Frequentes

### Keiko Fujimori é aliada de Lula?

Keiko Fujimori reconhece diferenças ideológicas com Lula, mas afirmou, durante a campanha, que ele é o único líder na América do Sul capaz de unir a região, sinalizando pragmatismo.

### Abelardo de la Espriella segue Milei?

Não. Espriella se inspira em Nayib Bukele, com discurso de tolerância zero na segurança e defesa da liberdade de expressão, e respondeu a Lula com mensagem de cooperação.

### José Antonio Kast já se encontrou com Lula?

Sim. Kast, que assumiu em março, já se reuniu com Lula duas vezes, uma antes e outra depois da posse, e demonstrou disposição de trabalhar com o Brasil.

### Por que Milei não lidera a direita na região?

Segundo o Itamaraty, a influência de Milei é limitada. Os demais líderes de direita preferem limitar o espaço para a ideologia e manter canais abertos com Lula.

### Flávio Bolsonaro foi ao Chile? E Lula?

Flávio Bolsonaro foi ao Chile para a posse de Kast. Lula preferiu não comparecer, mas os dois governos mantêm relação normal, sem mudança desde a saída de Boric.

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