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Gabriel Azevedo: Simões desinforma ao propor cashback da dívida

ResumoGabriel Azevedo (MDB) criticou Mateus Simões (PSD) por propor cashback da dívida de Minas Gerais com a União em rodovias federais. O ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte classificou a ideia como desinformação à população. A proposta de Simões converteria parte do débito em investimentos federais, mas Azevedo contesta a viabilidade e a transparência da medida.

Gabriel Azevedo (MDB) voltou a criticar Mateus Simões (PSD) por propor que parte da dívida de Minas com a União vire investimento em rodovias federais. Para o ex-presidente da Câmara de BH, a ideia 'desinforma a população'.

Sérgio Tadeu Mafra
Sérgio Tadeu Mafra Repórter de Economia Regional · 31 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Gabriel Azevedo: Simões desinforma ao propor cashback da dívida

Gabriel Azevedo (MDB), candidato ao governo de Minas Gerais, voltou a criticar o governador e candidato à reeleição Mateus Simões (PSD) durante agenda em São João del-Rei, neste domingo (30/8). O ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte questionou a proposta de negociar com o próximo presidente da República para que parte dos recursos pagos pelo Estado à União, em razão da dívida pública, seja destinada à duplicação de rodovias federais em território mineiro.

"É uma proposta enganosa. Mateus tenta convencer a população de que a dívida de Minas Gerais com a União tem cashback: eu pago a minha dívida e você me devolve o dinheiro para eu gastar comigo mesmo. Não funciona assim", afirmou Gabriel.

No sábado (29/8), em Montes Claros, Simões defendeu que aproximadamente R$ 1 bilhão por ano do pagamento da dívida seja usado pelo governo federal na duplicação das BRs 251 e 116. O governador disse que levará a proposta ao próximo presidente se for reeleito.

Gabriel argumenta que o mecanismo não está previsto nas regras atuais do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), ao qual Minas aderiu no fim de 2025. "A duplicação dessas rodovias é necessária e eu a defendo. Só que uma coisa é Minas Gerais pagar aquilo que deve. Outra é o estado negociar investimentos federais. Misturar as duas coisas é desinformar a população", afirmou.

Minas formalizou a adesão ao Propag em 31 de dezembro de 2025, com amortização extraordinária de 20% do saldo devedor e refinanciamento do restante em até 30 anos, com correção pelo IPCA e juros reais de 0% ao ano. Na data-base de 1º de dezembro de 2025, o saldo confessado era de R$ 179,3 bilhões.

Gabriel comparou a proposta a uma relação entre credor e devedor: "É como dever ao banco e dizer: 'Eu pago a prestação, desde que o banco use o dinheiro para reformar a minha casa'. Isso não é pagamento." Para ele, se a intenção é deixar de repassar R$ 1 bilhão à União, será preciso mudar a legislação federal e o contrato da dívida. "Se a ideia é pagar normalmente e pedir que a União invista R$ 1 bilhão nas estradas, então é outra coisa: negociar uma despesa no orçamento federal. Isso é perfeitamente legítimo."

Os trechos mineiros das BRs 116 e 251 foram concedidos à iniciativa privada neste ano. O contrato prevê investimentos e duplicação de trechos. Gabriel defende que intervenções adicionais considerem as condições da concessão. "Proposta séria precisa responder: quanto custa, de onde vem o dinheiro, quanto tempo leva, quem é responsável e qual mudança jurídica será necessária. Fazer o contrário é populismo."

O candidato do MDB também relacionou a proposta à necessidade de diálogo com o Palácio do Planalto, independentemente de quem ocupar a Presidência. "Não dá para chamar o governo federal de 'grande agiota nacional', atacar permanentemente o partido do presidente e depois anunciar que uma conversa resolverá tudo. Dívida não tem cashback. Federação exige diálogo."

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