Flávio Bolsonaro pede renúncia de Moraes após caso Master
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, defendeu nesta terça-feira (1/9) que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), renuncie ao cargo caso sejam comprovadas as acusações envolvendo a relação do magistrado com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A declaração foi dada no Senado, após Flávio presidir uma sessão da Comissão de Segurança Pública da Casa. O candidato afirmou ter ficado "impactado" com as revelações publicadas nesta terça-feira sobre informações encontradas no celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Compliance Zero.
"É uma coisa muito grave. Acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem mais condição de ele continuar sendo ministro do Supremo", afirmou Flávio.
As informações sobre as mensagens e os arquivos extraídos do aparelho de Vorcaro foram obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo. O banqueiro é investigado pela PF por suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Entre as revelações, estão metadados de um contrato de R$ 131,2 milhões firmado entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, e Daniel Vorcaro. Segundo os registros, um perfil identificado como "Ministro Alexandre de Moraes" aparece como responsável por uma alteração feita no documento em janeiro de 2024.
Os dados indicam que uma versão do contrato devolvida por Vorcaro a Viviane em 15 de janeiro daquele ano foi aberta e modificada no Office 365 utilizado pelo ministro. A edição foi registrada às 23h04, cerca de uma hora e 40 minutos depois de o banqueiro enviar o documento à advogada pelo WhatsApp.
Para Flávio, as informações precisam ser esclarecidas pelo magistrado. "Se ele edita os contratos da esposa, que estava oficialmente sendo contratada, se parece que tem alguma forma de ajudar o Vorcaro a dar garantias de que a Polícia Federal não atue em determinado momento ou que o procurador-geral da República se posicione a favor do Vorcaro por influência de Alexandre de Moraes, então são muitas acusações graves e que espero, de verdade, que ele esclareça", disse.
Até a publicação das informações, Moraes não havia se manifestado sobre os metadados atribuídos ao perfil identificado com seu nome. O material disponibilizado também não apresenta manifestações dos demais citados. Além do contrato, mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicam que o banqueiro pediu reiteradamente a Moraes que procurasse o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, diante do avanço das investigações. Os diálogos se estenderam até poucas horas antes da primeira prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025. As mensagens não comprovam que Moraes tenha atendido às solicitações ou interferido nas investigações.
No mesmo dia, Flávio também foi alvo de novas revelações. Segundo a Revista Piauí, um relatório do Coaf mostra que Vorcaro transferiu mais US$ 1,6 milhão para o Havengate Development Fund, fundo que administrava recursos destinados ao filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 16 de setembro de 2025. O pagamento ocorreu oito dias depois de Flávio enviar mensagem a Vorcaro cobrando parcelas atrasadas e elevou para US$ 12,3 milhões o total de repasses identificados. A assessoria de Flávio não respondeu sobre os valores e afirmou que os questionamentos deveriam ser direcionados à produtora do filme.