Febre maculosa: região de Piracicaba lidera casos e mortes em SP em 2026
A região de Piracicaba registra o maior número de casos e mortes por febre maculosa no estado de São Paulo em 2026, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde. Moradores cobram ações de prevenção e combate ao carrapato-estrela.
Maria Aparecida, 54 anos, moradora do bairro São Dimas, em Piracicaba, perdeu o marido para a febre maculosa em janeiro de 2026. Ele teve febre alta e dores no corpo por cinco dias antes de ser diagnosticado. "O médico falou que parecia gripe. Quando descobriu, já era tarde", conta. O caso dela é um dos 47 registrados na região neste ano, segundo a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo.
A região de Piracicaba lidera os casos e mortes por febre maculosa no estado de São Paulo em 2026. Dados da Secretaria Estadual da Saúde, atualizados em junho, mostram que a área responde por 31% dos 152 casos confirmados no estado. A taxa de letalidade na região é de 38%, contra 22% da média estadual. A doença, transmitida pela picada do carrapato-estrela infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii, pode matar em até 72 horas se não tratada com antibióticos específicos.
Por que Piracicaba concentra tantos casos? A resposta está na combinação de áreas verdes, presença de capivaras e cavalos - hospedeiros do carrapato - e falta de informação. A região tem extensas áreas de mata ciliar ao longo do Rio Piracicaba e zonas rurais com criação de equinos. A Prefeitura de Piracicaba, em nota, informou que intensificou a pulverização de acaricidas em parques e praças, mas reconhece que a ação é insuficiente. "Pedimos que a população evite áreas com mato alto e use repelentes", disse a secretária municipal de Saúde, Ana Paula Santos.
Sintomas que exigem atenção imediata
Os primeiros sinais da febre maculosa são inespecíficos: febre acima de 39°C, dor de cabeça intensa, dores musculares e mal-estar. Após 2 a 5 dias, podem surgir manchas vermelhas nos pulsos e tornozelos. O diagnóstico precoce é essencial. "Se a pessoa teve contato com carrapato nos últimos 15 dias e apresenta febre, deve procurar atendimento e mencionar o risco", orienta o infectologista Carlos Eduardo Alves, do Hospital Regional de Piracicaba.
O tratamento é feito com antibióticos como doxiciclina, disponíveis na rede pública. Quanto mais cedo o início, maior a chance de cura. Em 2026, o tempo médio entre os primeiros sintomas e o início do tratamento na região de Piracicaba é de 4,5 dias, segundo a Secretaria Estadual da Saúde. A meta é reduzir para 2 dias.
Como se proteger: medidas práticas
A prevenção é a arma mais eficaz. O carrapato-estrela vive em áreas de grama alta, beiras de rios e pastos. As principais recomendações são:
- Evitar andar em locais com mato alto, especialmente em áreas rurais e de preservação.
- Usar calças compridas, botas e roupas claras para facilitar a visualização do carrapato.
- Aplicar repelente com DEET (dietiltoluamida) nas áreas expostas, reaplicando a cada 4 horas.
- Verificar o corpo a cada 2 horas durante atividades ao ar livre e remover carrapatos com pinça, puxando suavemente.
- Manter gramados aparados e controlar a presença de capivaras e cavalos em áreas urbanas.
A Prefeitura de Piracicaba mantém um canal de denúncia para focos de carrapato pelo telefone 156 e pelo aplicativo Piracicaba 24h. Em 2026, foram registradas 312 denúncias, das quais 78% foram atendidas em até 48 horas.
O papel do poder público
A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo criou, em março de 2026, um comitê de emergência para a febre maculosa na região de Piracicaba. O grupo reúne técnicos da vigilância epidemiológica, agentes de saúde e representantes das prefeituras de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras. Entre as ações previstas estão a capacitação de médicos da atenção básica para diagnóstico precoce e a distribuição de 10 mil frascos de repelente para famílias de áreas de risco.
A Câmara Municipal de Piracicaba aprovou, em maio, a Lei Municipal 9.876/2026, que obriga proprietários de terrenos baldios a manter o mato cortado sob multa de R$ 500 a R$ 5 mil. A fiscalização é feita pela Secretaria de Obras.
Mortes evitáveis: o drama das famílias
Em 2026, a região de Piracicaba registrou 18 mortes por febre maculosa, segundo a Secretaria Estadual da Saúde. A maioria das vítimas são homens entre 30 e 60 anos que trabalham ou têm lazer em áreas rurais. O caso mais recente foi o de um pescador de 47 anos, morador do bairro Santa Olímpia, que morreu em maio após quatro dias de sintomas.
A família de João Batista, 52 anos, que faleceu em março, criou uma petição online pedindo mais campanhas de prevenção. "Ele nem sabia o que era febre maculosa. Achava que era só gripe", relata a filha, Letícia. A petição já tem 1.200 assinaturas petição febre maculosa Piracicaba.
Perguntas Frequentes
O que é febre maculosa?
É uma doença infecciosa causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida pela picada do carrapato-estrela. Pode ser fatal se não tratada a tempo.
Quais são os primeiros sintomas?
Febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e mal-estar. Depois podem surgir manchas vermelhas nos pulsos e tornozelos.
Como é feito o diagnóstico?
Por exame clínico e histórico de exposição a carrapatos. Exames sorológicos confirmam, mas o tratamento deve começar antes do resultado.
Onde posso denunciar focos de carrapato em Piracicaba?
Pelo telefone 156 ou aplicativo Piracicaba 24h. A Prefeitura promete atender em até 48 horas.
A febre maculosa tem cura?
Sim, com antibióticos como doxiciclina. O tratamento precoce reduz a letalidade de 80% para menos de 10%.
Como proteger crianças?
Evitar que brinquem em áreas com mato alto, usar repelente infantil e verificar o corpo após passeios ao ar livre.