Ex-prefeito de Guapé condenado em nova fase da Trem da Alegria
O ex-prefeito de Guapé (MG), Nelson Alves Lara, foi condenado a 9 anos, 6 meses e 26 dias de reclusão em mais uma fase da Operação Trem da Alegria. A decisão atinge também o empresário Reginaldo Fernandes Souza.
A Justiça condenou o ex-prefeito de Guapé, no Sul de Minas, Nelson Alves Lara, a 9 anos, 6 meses e 26 dias de reclusão, com início do cumprimento da pena em regime fechado. A decisão, que integra a segunda fase da Operação Trem da Alegria, também atingiu o empresário Reginaldo Fernandes Souza, sentenciado a 8 anos, 2 meses e 6 dias de prisão, inicialmente em regime fechado. Ambos foram condenados solidariamente ao pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos, conforme informações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
A sentença, que responde à pergunta central sobre o caso, aponta que as irregularidades estariam ligadas a um esquema envolvendo propriedades rurais do então prefeito. Segundo o Ministério Público, Lara e Souza teriam combinado a manutenção do registro das terras, localizadas na zona rural, em nome do empresário. Posteriormente, um condomínio de luxo foi erguido na área. Durante o mandato, Lara teria autorizado e realizado aprovações relacionadas ao empreendimento, incluindo o uso de caminhões-pipa da Prefeitura de Guapé em serviços da construção.
Não é a primeira condenação do ex-prefeito. Em fevereiro deste ano, ele já havia sido sentenciado a 17 anos de prisão, também em regime fechado. O empresário Reginaldo Fernandes Souza está preso. Ele havia obtido liberdade, assim como Lara, mas voltou a ser detido após descumprir uma determinação do Tribunal de Justiça e vender caminhões.
A primeira fase da operação foi deflagrada em 7 de fevereiro de 2024, para apurar uma suposta organização criminosa na Prefeitura de Guapé. Na ocasião, foram cumpridos mandados contra ocupantes de cargos municipais, incluindo o prefeito, o procurador-geral e o diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae). Seis pessoas foram denunciadas por oito crimes, com 26 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, seis prisões preventivas e seis afastamentos de cargos. A operação avançou por outras sete fases, com denúncias de uso de documento falso, fraude em licitação, peculato, corrupção e organização criminosa.
Para quem acompanha a política local, a decisão reforça a fiscalização sobre o uso de recursos públicos no interior. A população de Guapé, que vive a rotina da zona rural, espera que as investigações garantam o retorno do dinheiro desviado. A comunidade acompanha os desdobramentos e aguarda o trânsito em julgado para cobrar a aplicação das penas.