Ex-aliada de Bolsonaro, Soraya Thronicke confirma aliança com Lula
Senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), ex-aliada de Jair Bolsonaro, anunciou aliança com Lula para as eleições de 2026. A decisão surpreendeu o cenário político e reacendeu debates sobre alinhamentos ideológicos no Congresso.
Ex-aliada de Bolsonaro, Soraya Thronicke confirma aliança com Lula
A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), que integrou a base de Jair Bolsonaro e foi candidata a vice-presidente na chapa dele em 2022, confirmou nesta quarta-feira (12) que apoiará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, ela afirmou que a decisão foi tomada após avaliar o atual cenário político e as propostas do governo para o desenvolvimento do país. "O Brasil precisa de união, não de radicalização", disse.
A mudança de lado surpreendeu aliados e adversários. Até então, Thronicke era vista como uma das principais vozes da direita no Senado, com forte atuação na CPI da Covid e em pautas conservadoras. Agora, ela se junta a uma frente ampla que busca isolar o bolsonarismo nas urnas.
Por que Soraya Thronicke trocou Bolsonaro por Lula?
A senadora justificou a aliança com base em três pontos principais: a necessidade de pacificação política, a defesa de pautas sociais e a insatisfação com a postura de Bolsonaro após a derrota em 2022. "Eu não reconheço mais aquele movimento que ajudei a construir", declarou.
Para o cientista político Antonio Lavareda, da UFPE, a decisão reflete uma tendência de realinhamento no centro político. "Thronicke sempre foi mais pragmática que ideológica. Ela vê em Lula a chance de manter relevância e influenciar políticas públicas", explicou.
Repercussão no Congresso e nas redes
A notícia gerou reações imediatas. Deputados do PL classificaram a atitude como "traição", enquanto aliados de Lula comemoraram. Em nota, o presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, disse que a aliança "fortalece a democracia e amplia o diálogo com setores que antes estavam distantes".
No X (antigo Twitter), a hashtag #SorayaComLula ficou entre os assuntos mais comentados. Apoiadores bolsonaristas criticaram a senadora, enquanto parte da esquerda celebrou a adesão.
O que esperar da nova aliança?
A expectativa é que Thronicke atue como ponte entre o governo e setores do centro-direita. Ela já sinalizou que defenderá pautas como reforma tributária e combate à fome, temas caros ao Planalto. "Não vou abrir mão dos meus princípios, mas quero contribuir para um Brasil menos dividido", afirmou.
A aliança, no entanto, não deve ser automática. A senadora terá que negociar com partidos da base e superar resistências internas. Para o analista político Thomas Traumann, "ela precisará provar que não é apenas uma oportunista, mas alguém disposta a construir pontes".
Perguntas Frequentes
Soraya Thronicke realmente apoiou Bolsonaro?
Sim. Em 2018, ela foi eleita senadora pelo PSL, partido pelo qual Bolsonaro se elegeu presidente. Em 2022, aceitou ser vice na chapa dele.
Por que ela mudou de lado?
Ela cita divergências com o radicalismo do bolsonarismo e a defesa de pautas sociais. Também afirma que o país precisa de união.
Ela vai se filiar ao PT?
Não. Ela permanece no Podemos, mas deve apoiar Lula em 2026 sem necessariamente migrar de partido.
A aliança já está fechada?
Sim, ela confirmou publicamente. Falta definir detalhes sobre participação na campanha e eventual cargo.
Outros ex-bolsonaristas também estão mudando?
Sim. Há movimentos de parlamentares do centro e até da direita que buscam se aproximar do governo Lula, mas Thronicke é o nome de maior destaque até agora.
Como fica a carreira política dela no MS?
Ela mantém base eleitoral no Mato Grosso do Sul. A aliança com Lula pode fortalecê-la entre eleitores de centro e esquerda, mas pode custar votos de bolsonaristas locais.