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Estado de SP tomba Fábrica Boyes e Museu da Água em Piracicaba

ResumoO Condephaat tombou a Fábrica Boyes, o Palacete Luiz de Queiroz e o Museu da Água, no Complexo Beira Rio, em Piracicaba, interior de São Paulo. A decisão teve 20 votos favoráveis e dois contrários, com ressalvas apresentadas pelo Movimento Salve a Boyes.

O Condephaat aprovou o tombamento da Fábrica Boyes, do Palacete Luiz de Queiroz e do Museu da Água, no Complexo Beira Rio, em Piracicaba. A decisão teve 20 votos favoráveis e dois contrários, com ressalvas do Movimento Salve a Boyes.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 14 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Estado de SP tomba Fábrica Boyes e Museu da Água em Piracicaba

O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), órgão do Governo do Estado de São Paulo, aprovou nesta segunda-feira (14) o tombamento da Companhia Industrial e Agrícola Boyes (Fábrica Boyes), do Palacete Luiz de Queiroz (Palacete Boyes) e do Museu da Água, no Complexo Beira Rio, em Piracicaba (SP). A decisão estadual recebeu 20 votos favoráveis e dois contrários, sem abstenções. A Praça Dona Ermelinda Ottoni (Praça da Boyes) permanecerá como área envoltória do conjunto protegido, segundo o conselho.

A partir de agora, o Estado cumprirá os trâmites legais até a publicação da Resolução de Tombamento no Diário Oficial, quando os proprietários dos imóveis serão notificados, informou o Condephaat. O processo teve início em fevereiro de 2026, quando o conselho abriu o estudo de tombamento e garantiu proteção provisória ao complexo.

Vitória com ressalvas

O Movimento Salve a Boyes, que buscou o tombamento em nível estadual, classificou a decisão como "vitória e um reconhecimento da luta da sociedade civil", destacando a relevância histórica e cultural do espaço para a memória fabril de Piracicaba e do Brasil. O grupo, porém, apontou "lacunas graves" que podem comprometer as relações visuais e a leitura histórica da Rua do Porto.

Segundo o movimento, não foram contemplados: a proteção do Canal de Água que atravessa a fábrica; o Edifício 8, estrutura onde se lê o letreiro "BOYES", o que possibilitaria a demolição de ambos; e a definição de limite de altura para novas edificações no terreno da fábrica e no entorno. O g1 procurou o Condephaat para entender por que esses itens ficaram fora, mas o órgão não respondeu até a última atualização da reportagem.

O coletivo ressalva que a exclusão desses elementos não libera demolições automáticas: "Cada proposta de intervenção sobre os bens protegidos e sua área deverá ser submetida à análise e aprovação do Condephaat".

O impasse com o projeto imobiliário

No centro da disputa está um projeto que prevê a demolição de seis dos 13 prédios da antiga fábrica para erguer quatro torres residenciais de aproximadamente 90 metros às margens do rio Piracicaba. A demolição foi aprovada pelo conselho municipal (Codepac) em junho de 2023. Em 2025, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) acolheu recurso de associações ambientais e suspendeu o empreendimento, com o relator apontando risco de danos irreversíveis. A suspensão valia até a conclusão do processo estadual, finalizado nesta segunda.

O tombamento trava a demolição dos bens protegidos, mas as exclusões apontadas pelo movimento deixam em aberto a leitura de que a área envoltória e os elementos não listados seguirão dependendo de análise do Condephaat. entenda como o tombamento estadual pode impor novas regras ao projeto imobiliário em Piracicaba

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