CapaCidade
Cidade

Crédito rural em áreas de risco ambiental soma R$ 92,4 bi desde 2019

ResumoO crédito rural em áreas de risco ambiental no Brasil totalizou R$ 92,4 bilhões desde 2019, conforme dados do Banco Central divulgados em 2025. O montante evidencia a necessidade de políticas de fiscalização mais rigorosas e maior transparência na concessão dos financiamentos.

Desde 2019, o crédito rural em áreas de risco ambiental no Brasil soma R$ 92,4 bilhões, segundo dados do Banco Central divulgados em 2025. O montante acende alerta sobre a necessidade de políticas de fiscalização mais rigorosas e transparência na concessão.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 16 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Crédito rural em áreas de risco ambiental soma R$ 92,4 bi desde 2019

O crédito rural em áreas de risco ambiental no Brasil soma R$ 92,4 bilhões desde 2019, segundo levantamento do Banco Central divulgado em 2025. O montante, que abrange operações de custeio e investimento, acende alerta sobre a necessidade de políticas de fiscalização mais rigorosas e transparência na concessão.

Desde 2019, o crédito rural em áreas de risco ambiental no Brasil totaliza R$ 92,4 bilhões, conforme levantamento do Banco Central. Os dados, que abrangem operações em biomas como Amazônia e Cerrado, reforçam a necessidade de aprimorar mecanismos de monitoramento e condicionar o financiamento à regularidade ambiental.

O que diz o levantamento do Banco Central?

O Banco Central analisou operações de crédito rural contratadas entre 2019 e 2025 em áreas classificadas como de risco ambiental, regiões com histórico de desmatamento ilegal, queimadas ou conflitos fundiários. O valor de R$ 92,4 bilhões considera financiamentos do Plano Safra e de outras linhas, como Pronaf e Moderagro, direcionados a propriedades em biomas críticos.

A metodologia do BC cruza dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) com informações de desmatamento do INPE. Dessa forma, é possível identificar quais financiamentos foram para imóveis com alertas de degradação. O número não significa que todo o crédito foi para áreas ilegais, mas sim que o risco ambiental estava presente no momento da contratação.

Contexto histórico e tendências

Em 2019, o crédito rural em áreas de risco ambiental somou R$ 11,2 bilhões. O valor cresceu progressivamente até 2023, quando atingiu R$ 19,8 bilhões, e registrou leve recuo em 2024, para R$ 18,5 bilhões. Especialistas apontam que o aumento reflete a expansão da fronteira agrícola sobre biomas sensíveis, como Amazônia e Cerrado.

Para quem acompanha o setor, o dado não é surpresa. A relação entre crédito rural e desmatamento é conhecida há anos, mas faltava uma base oficial consolidada. O levantamento do BC agora permite que órgãos de controle, como o Ministério Público, cruzem informações e identifiquem padrões.

Impactos nos biomas brasileiros

A Amazônia concentra 62% do crédito rural em áreas de risco ambiental, ou R$ 57,3 bilhões. O Cerrado responde por 28% (R$ 25,9 bilhões), e o Pantanal, por 6% (R$ 5,5 bilhões). Os demais biomas, como Caatinga e Mata Atlântica, somam 4%.

O Banco Central destaca que, na Amazônia, 73% das operações de crédito rural em áreas de risco foram para pecuária, principalmente bovinocultura de corte. No Cerrado, o cultivo de soja aparece em 58% dos contratos.

Por que o crédito rural em áreas de risco ambiental preocupa?

O financiamento de atividades agropecuárias em regiões com alto risco ambiental pode incentivar o desmatamento ilegal e a degradação do solo. Além disso, o produtor rural que opera nessas áreas fica mais exposto a multas, embargos e perda de financiamento futuro.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, entre 2019 e 2024, o Brasil registrou 45 mil km² de desmatamento na Amazônia Legal. O crédito rural não é a única causa, mas é um dos vetores que ampliam a pressão sobre a floresta.

Medidas em discussão

O Banco Central já sinalizou que pretende condicionar a concessão de crédito rural à comprovação de regularidade ambiental do imóvel. A medida, prevista na Resolução BCB nº 4.987, de 2023, exige que o CAR esteja ativo e sem sobreposição com áreas embargadas resolução BCB nº 4.987.

Além disso, o Plano Safra 2025/2026 deve incluir critérios mais rígidos para financiamento em biomas sensíveis, como a exigência de licenciamento ambiental para projetos acima de 300 hectares.

Em paralelo, o Ministério da Agricultura estuda criar um selo de sustentabilidade para produtores rurais que adotarem boas práticas ambientais. A proposta, ainda em fase de consulta pública, prevê desconto de até 1 ponto percentual na taxa de juros do crédito rural.

O que muda para o produtor rural?

Para o agricultor e o pecuarista que atuam em áreas de risco ambiental, o cenário exige planejamento. A regularização do CAR, a adoção de práticas de manejo sustentável e a adesão a programas de rastreabilidade podem ser diferenciais na hora de obter financiamento.

O Banco Central recomenda que o produtor consulte previamente a situação do imóvel no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar) antes de solicitar crédito. Dados do Sicar indicam que 12% dos imóveis rurais na Amazônia têm pendências documentais.

Perguntas Frequentes

O crédito rural em áreas de risco ambiental é ilegal?

Não necessariamente. O crédito pode ser concedido mesmo em áreas com risco ambiental, desde que o imóvel esteja regularizado e não haja embargo. O problema é quando o financiamento financia atividades ilegais, como desmatamento não autorizado.

Como consultar se uma área tem risco ambiental?

O Banco Central disponibiliza o Mapa de Risco Ambiental do Crédito Rural, que cruza dados do CAR com alertas de desmatamento do INPE. A ferramenta é pública e pode ser acessada pelo site do BC.

Qual o valor do crédito rural em áreas de risco em 2024?

Em 2024, o crédito rural em áreas de risco ambiental somou R$ 18,5 bilhões, segundo o Banco Central. O valor representa leve queda em relação a 2023.

O crédito rural em áreas de risco ambiental será proibido?

Não há proibição total prevista. O BC e o Ministério da Agricultura estudam condicionar o financiamento à regularidade ambiental, mas a medida ainda está em discussão.

Como o Plano Safra pode impactar o crédito rural em áreas de risco?

O Plano Safra 2025/2026 deve incluir critérios mais rígidos para financiamento em biomas sensíveis, como a exigência de licenciamento ambiental para projetos acima de 300 hectares.

// Leia também

Publicidade