Capela em BH que transformou mulheres negras em arte sagrada
Na Vila Estrela, um afresco monumental chamado "Igreja das Santas Pretas" ocupa três paredes da capela Oratório Maria Estrela da Manhã. A obra levou três anos para ser concluída (2015-2018) e retrata 14 mulheres negras da comunidade como personagens bíblicos, em cenários dos morr
No Morro do Papagaio, região Centro-Sul de Belo Horizonte, a Vila Estrela guarda uma capela que virou tela para rostos comuns. O Oratório Maria Estrela da Manhã, no mesmo imóvel do Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos (Muquifu), abriga um afresco monumental que transformou 14 mulheres negras da comunidade em personagens sagrados.
A pintura mural, batizada de "Igreja das Santas Pretas", ocupa três paredes e levou três anos para ser concluída (2015-2018). A obra nasceu do encontro entre o padre Mauro Luiz da Silva, também curador do Muquifu, e os artistas plásticos Claiton Gos e Marcial Ávila. Juntos, eles criaram 14 cenas inspiradas nas sete dores e sete alegrias de Maria, mãe de Jesus, mas com um detalhe: os cenários são os morros de BH e os rostos são de mulheres negras da própria Vila Estrela.
"É um afresco monumental que representa histórias e memórias de mulheres negras, faveladas, que estiveram envolvidas por décadas na história da demolição de um barracão de favela, com o desejo de construir uma 'igreja de verdade'", relembrou o padre Mauro.
A ideia partiu de uma busca por representatividade. "A motivação foi o desejo de que as nossas histórias enquanto pessoas negras podem estar também nos museus, e especificamente em uma capela, também podemos representar os personagens bíblicos", destacou o sacerdote.
O processo, contudo, não foi simples. O artista Claiton Gos contou que enfrentou preconceito e intolerância. "O maior desafio que encontramos aqui não foi nem o tempo e nem o espaço. Mas enfrentar preconceito, racismo e intolerância de pessoas que chegavam aqui para tentar desarticular esse projeto", afirmou. Durante os três anos de criação, a capela ficou de portas abertas para quem quisesse entrar, tomar um café e conversar.
O resultado é uma obra luminosa, com a dor e a superação revestidas de serenidade. A capela segue como ponto de encontro comunitário. Todas as terças-feiras, às 15h, ocorre visita guiada. Às 18h30, a comunidade se reúne para a oração do terço, seguida da missa às 19h. O encontro termina com o tradicional "Chá da dona Jovem".
Local: Rua Santo Antônio do Monte, 708, Vila Estrela (Muquifu)
Perguntas Frequentes
Onde fica a capela com o afresco "Igreja das Santas Pretas"?
No Oratório Maria Estrela da Manhã, dentro do Muquifu, na Rua Santo Antônio do Monte, 708, Vila Estrela, Morro do Papagaio, BH.
Quanto tempo levou para pintar o afresco?
Três anos, entre 2015 e 2018.
Quem são os artistas responsáveis pela obra?
Os artistas plásticos Claiton Gos e Marcial Ávila, em parceria com o padre Mauro Luiz da Silva.
Quantas mulheres são retratadas no afresco?
14 mulheres negras da própria comunidade da Vila Estrela.
Há visitas guiadas na capela?
Sim, todas as terças-feiras, das 15h às 16h.
O que acontece na capela além das visitas?
Às 18h30 há oração do terço, seguida de missa às 19h, e ao final é servido o "Chá da dona Jovem".