# Capela em BH que transformou mulheres negras em arte sagrada

> A Capela Oratório Maria Estrela da Manhã, em Belo Horizonte, abriga o afresco "Igreja das Santas Pretas". A obra monumental retrata 14 mulheres negras da comunidade Vila Estrela como personagens bíblicos. O afresco levou três anos para ser concluído (2015-2018) e ocupa três paredes da capela, transformando rostos locais em arte sagrada.

*Portal Notícias MG · Cidade · 28 de julho de 2026 · Vânia Drummond*

Na Vila Estrela, um afresco monumental chamado "Igreja das Santas Pretas" ocupa três paredes da capela Oratório Maria Estrela da Manhã. A obra levou três anos para ser concluída (2015-2018) e retrata 14 mulheres negras da comunidade como personagens bíblicos, em cenários dos morr

No Morro do Papagaio, região Centro-Sul de Belo Horizonte, a Vila Estrela guarda uma capela que virou tela para rostos comuns. O Oratório Maria Estrela da Manhã, no mesmo imóvel do Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos (Muquifu), abriga um afresco monumental que transformou 14 mulheres negras da comunidade em personagens sagrados.

A pintura mural, batizada de "Igreja das Santas Pretas", ocupa três paredes e levou três anos para ser concluída (2015-2018). A obra nasceu do encontro entre o padre Mauro Luiz da Silva, também curador do Muquifu, e os artistas plásticos Claiton Gos e Marcial Ávila. Juntos, eles criaram 14 cenas inspiradas nas sete dores e sete alegrias de Maria, mãe de Jesus, mas com um detalhe: os cenários são os morros de BH e os rostos são de mulheres negras da própria Vila Estrela.

"É um afresco monumental que representa histórias e memórias de mulheres negras, faveladas, que estiveram envolvidas por décadas na história da demolição de um barracão de favela, com o desejo de construir uma 'igreja de verdade'", relembrou o padre Mauro.

A ideia partiu de uma busca por representatividade. "A motivação foi o desejo de que as nossas histórias enquanto pessoas negras podem estar também nos museus, e especificamente em uma capela, também podemos representar os personagens bíblicos", destacou o sacerdote.

O processo, contudo, não foi simples. O artista Claiton Gos contou que enfrentou preconceito e intolerância. "O maior desafio que encontramos aqui não foi nem o tempo e nem o espaço. Mas enfrentar preconceito, racismo e intolerância de pessoas que chegavam aqui para tentar desarticular esse projeto", afirmou. Durante os três anos de criação, a capela ficou de portas abertas para quem quisesse entrar, tomar um café e conversar.

O resultado é uma obra luminosa, com a dor e a superação revestidas de serenidade. A capela segue como ponto de encontro comunitário. Todas as terças-feiras, às 15h, ocorre visita guiada. Às 18h30, a comunidade se reúne para a oração do terço, seguida da missa às 19h. O encontro termina com o tradicional "Chá da dona Jovem".

**Local:** Rua Santo Antônio do Monte, 708, Vila Estrela (Muquifu)

## Perguntas Frequentes

### Onde fica a capela com o afresco "Igreja das Santas Pretas"?

No Oratório Maria Estrela da Manhã, dentro do Muquifu, na Rua Santo Antônio do Monte, 708, Vila Estrela, Morro do Papagaio, BH.

### Quanto tempo levou para pintar o afresco?

Três anos, entre 2015 e 2018.

### Quem são os artistas responsáveis pela obra?

Os artistas plásticos Claiton Gos e Marcial Ávila, em parceria com o padre Mauro Luiz da Silva.

### Quantas mulheres são retratadas no afresco?

14 mulheres negras da própria comunidade da Vila Estrela.

### Há visitas guiadas na capela?

Sim, todas as terças-feiras, das 15h às 16h.

### O que acontece na capela além das visitas?

Às 18h30 há oração do terço, seguida de missa às 19h, e ao final é servido o "Chá da dona Jovem".

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