E o Congresso, candidato? A eleição que virou disputa pelo STF
Propostas de impeachment de ministros do STF ganharam espaço na campanha para o Senado e a Câmara. Em Minas Gerais, um candidato à reeleição usa trechos de sua atuação na CPI na propaganda eleitoral.
A campanha eleitoral para o Senado e a Câmara dos Deputados parece, em alguns momentos, uma eleição para escolher ministros do Supremo Tribunal Federal. Propostas de impeachment de ministros do STF ganharam espaço principalmente entre candidatos ao Senado. Em Minas Gerais, um candidato à reeleição usa na propaganda eleitoral trechos de sua atuação na CPI.
O que explica esse deslocamento? A resposta curta: o debate sobre o STF virou atalho para falar de poder, e o eleitorado de parte do Congresso responde a esse chamado. A resposta longa passa por como a pauta institucional foi ocupando o lugar que antes era de temas mais próximos do cotidiano.
O que está em jogo na campanha
Quando um candidato ao Senado coloca o impeachment de ministros do STF no centro da propaganda, ele não está apenas escolhendo um tema. Está definindo contra quem governa, se eleito. E isso tem efeito prático: desloca o debate de obras, emendas e serviços para o terreno da disputa institucional.
Em Minas, esse movimento aparece de forma concreta. Um candidato à reeleição usa trechos de sua atuação na CPI na propaganda eleitoral. A CPI, nesse caso, funciona como vitrine: mostra o candidato em ação contra o que ele apresenta como excesso de poder do STF.
Por que isso importa para o interior
Quem acompanha política no interior de Minas sabe que a pauta do STF chega às cidades pequenas, mas não chega sozinha. Ela chega junto com a cobrança por estrada, por água, por crédito rural. O produtor que perde a safra por falta de chuva não vota pensando em ministro do Supremo. Vota pensando em quem resolve o problema dele.
O risco desse tipo de campanha é justamente esse: transformar a eleição para o Congresso em um plebiscito sobre o STF, deixando de lado o que o Congresso faz de fato. Aprovar orçamento, fiscalizar o Executivo, legislar sobre o que chega à mesa do eleitor.
A pergunta que fica, e que o eleitor pode fazer a qualquer candidato, é simples: além de propor impeachment, o que o senhor pretende fazer pelo meu município? A resposta a essa pergunta é o que separa a campanha do mandato.