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Conflito EUA-Irã virou guerra econômica, diz especialista

A guerra entre os Estados Unidos e o Irã completa seis meses nesta sexta-feira (28), contrariando previsões de um conflito curto. Nenhum objetivo declarado pelos americanos foi alcançado, e a disputa se transformou em uma "guerra econômica", avalia Priscila Caneparo, pós-doutora em Direito Internacional.

Segundo Caneparo, o conflito mudou de natureza ao longo dos meses. "De fato, acabou por se repercutir em uma pressão muito mais econômica do que estratégica militar", afirmou. "A guerra virou de uma guerra propriamente dita militar para uma guerra econômica. O Irã sabe muito bem disso, acabou se revelando uma guerra híbrida em relação justamente ao controle da economia mundial."

Antes do conflito, 20% de toda a produção mundial de petróleo passava pelo Estreito de Ormuz. Com o impasse, mediadores intensificam esforços para reabrir a rota. Pressionado pelo Qatar, o Irã concordou em apresentar uma lista de condições para retomar o tráfego no estreito.

Em paralelo, os Estados Unidos anunciaram novas sanções para sufocar a economia iraniana. O Irã condenou o embargo, classificou a medida como terrorismo e pediu que países não a apliquem. Donald Trump ameaçou punir quem apoiar o regime iraniano. Caneparo, porém, vê como pouco viável a sobretaxação de China e Índia, dois dos maiores compradores de petróleo iraniano. "Eu acho muito inviável, eu acho muito pouco palpável essa perspectiva", disse. Navios sem bandeira e com GPS desligado seguem abastecendo principalmente os mercados indiano e chinês.

A especialista avalia que o regime iraniano saiu fortalecido, dificultando uma saída honrosa para os EUA. As negociações seguem imprevisíveis: Trump oscila entre sinalizar acordo e ameaçar destruir a civilização iraniana; o Irã alterna entre negar engajamento e indicar proximidade de diálogo.

Caneparo também aponta um possível reordenamento regional. A credibilidade americana no Oriente Médio está em xeque, já que bases militares não garantem proteção efetiva. Ela menciona uma possível aliança islâmica entre Paquistão, Arábia Saudita e Turquia, comparável à OTAN. "Será que de fato outros países, como Emirados Árabes Unidos e Jordânia, não entrarão nessa nova logística de proteção regional?", questionou. Se consolidado, o movimento seria "uma virada paradigmática em relação à questão geoestratégica no Oriente Médio".

Marília Stefani
Repórter de Segurança Pública
De Betim, cobre segurança pública em MG com dado, contexto e cuidado para não alimentar o pânico.
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