# Complexo de mineração de lítio é paralisado pela Justiça em Minas

> A Justiça Federal em Minas Gerais paralisou o complexo de mineração de lítio Grota do Cirilo, da Sigma Mineração, em Itinga e Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha. A decisão suspendeu as licenças ambientais do empreendimento, atendendo a pedido de comunidades quilombolas da região. A paralisação afeta diretamente a operação de extração de lítio no local.

*Portal Notícias MG · Cidade · 07 de setembro de 2026 · Inácio Bicalho*

A Justiça Federal em Minas Gerais suspendeu as licenças ambientais e determinou a paralisação do complexo de mineração de lítio Grota do Cirilo, da Sigma Mineração, em Itinga e Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha. A decisão atende a pedido de comunidades quilombolas.

A Justiça Federal em Minas Gerais determinou a suspensão das licenças ambientais e a paralisação das atividades do complexo minerário Grota do Cirilo, operado pela Sigma Mineração S.A. nos municípios de Itinga e Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha. A decisão, do juiz federal Antônio Lúcio Túlio de Oliveira Barbosa, da Vara Cível de Teófilo Otoni, atende a pedido da Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais e estabelece multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento.

A entidade questiona os estudos de impacto ambiental apresentados para o empreendimento e afirma que comunidades tradicionais que estariam na área diretamente afetada não foram consultadas antes do licenciamento. Na decisão, o magistrado considerou haver risco de danos irreversíveis às comunidades próximas.

"O perigo de dano reside no fato de que o complexo de mineração opera de forma contínua, extraindo recursos e promovendo constantes detonações de explosivos e movimentação de terras a poucos quilômetros de distância do território tradicional", escreveu o juiz.

A federação sustenta que pelo menos três comunidades quilombolas, Baú, Genipapo Pintos e Jenipapo II, estão dentro da zona de impacto direto do empreendimento, mas não foram consultadas durante o processo de licenciamento ambiental. As atividades de mineração no projeto Grota do Cirilo começaram em 2023. O empreendimento integra os projetos desenvolvidos na região conhecida como Vale do Lítio, onde ocorre a exploração do mineral utilizado, entre outras aplicações, nas indústrias de eletrônicos e de baterias.

Segundo a federação, a Sigma Mineração teria subestimado a distância entre as áreas de mineração e as comunidades tradicionais, o que teria permitido acelerar a obtenção das licenças ambientais junto aos órgãos estaduais. A empresa, por outro lado, afirma que as comunidades mencionadas estão fora do raio de oito quilômetros considerado para a obrigatoriedade da consulta prévia. A defesa apresentou ao processo dados de georreferenciamento que, segundo a mineradora, sustentam essa versão.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), porém, apresentou informações de demarcação diferentes. Conforme os dados do órgão, a Comunidade do Baú, por exemplo, está a cerca de 2,3 quilômetros da área diretamente afetada pelo empreendimento e, portanto, estaria dentro da área de proteção prevista em lei. Diante da divergência entre os levantamentos, a Justiça Federal determinou a realização de uma nova perícia para esclarecer os dados de georreferenciamento. Até que a situação seja analisada, as atividades minerárias devem permanecer interrompidas.

O magistrado afirmou ainda que a continuidade da mineração sem a consulta às comunidades eventualmente atingidas "representa uma lesão diária, cumulativa e crônica à integridade física e sociocultural do grupo tradicional, justificando a imediata paralisação corretiva".

Conforme os autos do processo, desde o início das operações no complexo Grota do Cirilo, a Sigma Mineração foi multada em R$ 2 milhões pelo Governo de Minas Gerais por descumprimento de condicionantes ambientais. A empresa concordou em firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para corrigir as irregularidades e manter as atividades minerárias.

Na mesma decisão que determinou a paralisação da mineração, o juiz proibiu o Governo de Minas de firmar acordo desse tipo enquanto a questão estiver sendo analisada. Também foi estabelecida multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/cidade/complexo-mineracao-litio-paralisado-pela-justica-minas/
