Como pesquisadores encontraram fóssil de serpente ancestral em SP
Pesquisadores encontraram no interior de São Paulo o fóssil de uma serpente ancestral que viveu entre 85 e 75 milhões de anos atrás. Publicado na Nature, o estudo sobre a espécie Tametara mirim revela características inéditas do cérebro e do crânio do animal, indicando que as pri
Como pesquisadores encontraram fóssil de serpente ancestral em SP
Pesquisadores encontraram o fóssil de uma serpente ancestral no Sítio Paleontológico José Martin Suárez, em Presidente Prudente, interior de São Paulo. A descoberta, publicada na revista Nature em 22 de janeiro de 2025, descreve a espécie Tametara mirim, cujo crânio e mandíbulas preservados em 3D fornecem pistas sobre como esses animais evoluíram e ocuparam diferentes ambientes.
O fóssil de serpente ancestral foi encontrado em 2020, na Formação Adamantina, dentro da Bacia Bauru. A datação indica que o animal viveu entre aproximadamente 85 milhões e 75 milhões de anos atrás, período que corresponde ao final do Cretáceo Superior.
O que o fóssil revela sobre o cérebro das primeiras serpentes
A preservação do material permitiu que os pesquisadores realizassem exames em alta resolução. Com a técnica, foi possível reconstruir em detalhes estruturas do crânio, incluindo o cérebro, nervos cranianos e o ouvido interno do animal.
A análise revelou que o cérebro de Tametara mirim apresentava uma morfologia diferente daquela observada tanto em outras serpentes primitivas quanto nas espécies atuais. Para os pesquisadores, essa diferença indica que, já no início da evolução das serpentes, existia uma diversidade na anatomia cerebral e, provavelmente, nas funções sensoriais desses animais.
A anatomia que indica um modo de vida subterrâneo
O formato do cérebro e outras características anatômicas também forneceram evidências de que Tametara mirim tinha um modo de vida associado a ambientes subterrâneos. O crânio mede 17,8 milímetros, com comprimento total estimado em aproximadamente 33 milímetros, enquanto a parte preservada do corpo possui 419 milímetros.
O fóssil de Tametara mirim é composto por parte do crânio e da mandíbula articulados com a porção anterior da coluna vertebral, que preserva cerca de 103 vértebras antes da região cloacal, localizados entre a base do crânio e a cloaca.
Comparação entre espécies revela nichos ecológicos distintos
Os pesquisadores compararam as características encontradas no fóssil com as de outra serpente primitiva, Dinilysia, e identificaram diferenças que indicam que as duas espécies ocupavam ambientes distintos. Enquanto Tametara apresentava evidências compatíveis com um modo de vida subterrâneo, Dinilysia apresentava características de uma espécie com hábitos terrestres superficiais.
Essa descoberta mostra que, desde o início de sua evolução, as serpentes já apresentavam uma diversidade ecológica significativa, com diferentes espécies adaptadas a ambientes variados.
Datação e origem das serpentes modernas
O estudo também confirma a origem das serpentes no Jurássico Médio e uma origem das serpentes modernas, chamadas de serpentes coroa, no início do Cretáceo Superior. A descoberta de Tametara mirim, com seus 85 a 75 milhões de anos, se encaixa nesse período de transição entre as formas primitivas e as linhagens que dariam origem às espécies atuais.
Como o fóssil foi preservado
A descoberta foi feita no Sítio Paleontológico José Martin Suárez, em Presidente Prudente, um dos pontos de coleta mais importantes da Formação Adamantina. A preservação tridimensional do crânio e das mandíbulas articuladas é rara e permitiu que os pesquisadores usassem técnicas de imageamento de alta resolução para reconstruir estruturas internas sem danificar o material.
Perguntas Frequentes
Onde o fóssil de serpente ancestral foi encontrado?
O fóssil foi encontrado no Sítio Paleontológico José Martin Suárez, em Presidente Prudente, interior de São Paulo.
Qual a idade do fóssil?
O fóssil tem entre aproximadamente 85 milhões e 75 milhões de anos.
Qual o nome da espécie?
A espécie foi batizada de Tametara mirim.
O que o fóssil revela de novo?
O fóssil mostra que o cérebro das primeiras serpentes já apresentava diversidade morfológica, e que espécies diferentes ocupavam ambientes distintos, no caso, Tametara mirim vivia em ambientes subterrâneos.
Onde o estudo foi publicado?
O estudo foi publicado na revista Nature em 22 de janeiro de 2025.