CNN tem acesso raro ao sul do Líbano sob ocupação israelense
A CNN obteve acesso raro ao sul do Líbano sob ocupação israelense, acompanhando um comboio de moradores autorizados a transitar por aquele território para chegar às suas casas em três vilarejos de maioria cristã. A região, ocupada por Israel desde março, tem vilarejos inteiros reduzidos a escombros.
Ao dirigir por uma estrada litorânea, as bandeiras do Líbano e do Hezbollah dão lugar a bandeiras de Israel. Postos de controle israelenses surgem, com soldados montando guarda em casas crivadas de estilhaços. A paisagem torna-se plana: vilarejo após vilarejo, casa após casa, destruídos.
Os vilarejos cristãos de Rmeish, Ain Ebel e Debel foram amplamente poupados dos bombardeios, mas seus moradores estão isolados do restante do Líbano. Eles não podem entrar ou sair sem integrar um comboio liderado pela ONU. A Caritas, organização católica sem fins lucrativos, ajuda a organizar alguns desses comboios e precisa solicitar permissão ao exército israelense para cada morador, por meio de um mecanismo de monitoramento liderado pelos Estados Unidos. As aprovações geralmente são concedidas, mas os comboios às vezes sofrem atrasos ou são cancelados, e a viagem pode levar desde algumas horas até um dia inteiro.
Ronnie e Rita Alam fugiram de Rmeish com as duas filhas em março, quando os bombardeios israelenses se intensificaram. Eles alugaram uma casa em Beirute, o que sobrecarregou suas finanças. A CNN acompanhou Ronnie levando a esposa e as filhas de volta a Rmeish pela primeira vez em quatro meses. Ronnie, no entanto, precisa retornar ao trabalho em Beirute. "Estou feliz por voltar para casa, mas triste porque meu marido não estará comigo", disse Rita, emocionada. "Nossa família está sendo separada. Somos quatro e agora seremos três."
Tecnicamente, um cessar-fogo está em vigor, mas ataques israelenses continuam ocorrendo diariamente no sul do Líbano. Israel insiste que isso é permitido pelo acordo de cessar-fogo mais recente. Apesar dos riscos, Ronnie disse que, financeiramente, não havia alternativa real a não ser enviar sua família de volta para a aldeia.
Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, mais de 4.300 pessoas foram mortas em ataques israelenses desde 2 de março, e as Nações Unidas informam que mais de 350 mil continuam deslocadas desde o início da ocupação israelense. Em Ain Ebel, Yorgos Mitri decidiu permanecer durante todo esse tempo, devido ao apego à sua casa e ao receio de não conseguir mais voltar a ela. Ele não simpatiza com o Hezbollah, culpando o grupo por desencadear a guerra que transformou a vista de sua casa em uma paisagem de destruição. "Dá para ver os resultados... o que conquistamos depois de tudo isso?", disse ele, apontando para a cidade devastada de Bint Jbeil. Sua revolta contra o Hezbollah é acompanhada pela solidariedade aos seus vizinhos muçulmanos xiitas. "Ninguém merece isso", disse ele. "Não podemos viver isolados. Precisamos viver todos juntos."
Para quem está no local, a situação dificilmente parece um cessar-fogo, e as chamadas zonas-piloto, previstas em acordo-quadro liderado pelos EUA, não aparentam estar abrindo caminho para a retirada de Israel. Famílias como a de Rita e Ronnie seguem separadas pela necessidade de trabalhar e morar em lugares diferentes, enquanto aguardam uma solução que ainda parece distante.