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Microplásticos em girinos da Amazônia: o que a ciência descobriu

ResumoPesquisadores detectaram microplásticos em girinos de áreas preservadas e impactadas da Amazônia. O achado acende alerta sobre a contaminação invisível que atinge desde a base da cadeia alimentar até comunidades ribeirinhas.

Pesquisadores detectaram microplásticos em girinos de áreas preservadas e impactadas da Amazônia. O achado acende alerta sobre a contaminação invisível que atinge desde a base da cadeia alimentar até comunidades ribeirinhas. Veja os detalhes do estudo.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 15 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Microplásticos em girinos da Amazônia: o que a ciência descobriu

Cientistas descobrem microplásticos no corpo de girinos da Amazônia

Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Museu Paraense Emílio Goeldi encontraram fragmentos de microplásticos no tecido de girinos coletados em igarapés da Amazônia. O estudo, publicado em maio de 2026, analisou animais de áreas com diferentes níveis de impacto humano e revelou que a contaminação já alcança até mesmo locais de floresta preservada.

Pesquisadores encontraram microplásticos no corpo de girinos coletados em igarapés da Amazônia, tanto em áreas preservadas quanto em regiões com ocupação humana. As partículas, menores que 5 mm, foram identificadas nos tecidos dos animais, indicando que a poluição plástica já atinge a base da cadeia alimentar aquática na maior floresta tropical do mundo.

O que a pesquisa encontrou nos girinos

O estudo analisou girinos de duas espécies de anuros, Leptodactylus e Rhinella, coletados em cinco pontos da região de Santarém, no oeste do Pará. Em todos os pontos, inclusive na Floresta Nacional do Tapajós, foram detectadas partículas de plástico nos intestinos e na musculatura dos animais.

"A presença de microplásticos em girinos de áreas de proteção integral mostra que a poluição não tem fronteiras", afirma a bióloga Dra. Ana Beatriz Nunes, coordenadora do estudo, em entrevista à Agência Amazônia Real. "As partículas chegam por via aérea ou por cursos d'água que nascem fora da unidade de conservação."

Das 120 amostras analisadas, 78% continham ao menos uma fibra ou fragmento plástico. Os tipos mais comuns foram polietileno e polipropileno, materiais usados em sacolas, embalagens e linhas de pesca (Agência Amazônia Real, mai/2026).

Como os microplásticos chegam aos igarapés

Os microplásticos chegam aos corpos d'água amazônicos por três vias principais: esgoto doméstico não tratado, lixo descartado nas margens e partículas transportadas pelo vento. Estima-se que o Rio Amazonas despeje cerca de 165 mil toneladas de plástico por ano no Oceano Atlântico (MMA, Relatório de Poluição Marinha, 2024).

Nas áreas urbanas de Santarém e Belterra, a queima de lixo a céu aberto também libera partículas que caem nos igarapés com a chuva. "A gente vê sacola voando do lixão e sabe que vai parar no rio", conta seu Raimundo Nonato, pescador artesanal há 40 anos na região do Lago Grande. "O peixe pequeno come aquilo, o grande come o pequeno, e a gente come o peixe."

Para entender como a contaminação se distribui, os pesquisadores coletaram também amostras de água e sedimento dos mesmos igarapés. A concentração de microplásticos na água variou de 12 a 48 partículas por litro, com os maiores valores nos pontos próximos a áreas urbanas (UFPA, Laboratório de Ecologia Aquática, 2026).

Impacto na cadeia alimentar e riscos para a fauna

Os girinos ocupam a base da cadeia alimentar aquática: servem de alimento para peixes, aves e insetos aquáticos. Ao ingerir microplásticos, eles transferem as partículas para os predadores, num processo chamado bioacumulação. Estudos anteriores mostram que peixes de importância comercial na Amazônia, como o tambaqui e o jaraqui, já apresentam microplásticos no trato digestivo.

"O problema não é só físico, as partículas podem carregar substâncias tóxicas adsorvidas, como pesticidas e metais pesados", explica o toxicologista Dr. Carlos Menezes, da UFPA. "Quando o girino ingere o plástico, ele também ingere esses contaminantes."

Nos girinos analisados, foram identificados resíduos de DDT e mercúrio associados às fibras plásticas. O DDT, proibido no Brasil desde 1998, ainda persiste no solo de áreas agrícolas antigas (Ibama, Relatório de Contaminantes, 2023).

O que dizem os órgãos ambientais

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que monitora a qualidade da água em 12 bacias hidrográficas da Amazônia, mas ainda não inclui microplásticos como parâmetro obrigatório. "Estamos em fase de padronização metodológica para incorporar esse indicador", disse a diretora de Qualidade Ambiental, em nota.

A Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Semas) afirmou que vai reforçar a fiscalização do descarte de resíduos sólidos nos municípios da calha do Tapajós, especialmente nos lixões a céu aberto.

Perguntas frequentes

Microplástico pode matar girinos?

Sim. Em altas concentrações, as partículas causam obstrução intestinal, redução da absorção de nutrientes e inflamação nos tecidos, podendo levar à morte dos animais.

Comer peixe da Amazônia oferece risco?

Estudos indicam que os microplásticos estão presentes em peixes de água doce, mas os efeitos para a saúde humana ainda estão sendo investigados por órgãos como a Anvisa e a Fiocruz.

Como posso reduzir a contaminação por plástico?

Evitar o descarte de resíduos em rios e lagos, reduzir o uso de sacolas plásticas e participar de mutirões de limpeza nas margens de igarapés são ações práticas.

O governo tem planos para combater esse problema?

O Ministério do Meio Ambiente lançou em 2025 o Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar, que inclui ações de coleta seletiva e educação ambiental em municípios da Amazônia Legal Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar.

A pesquisa continuará?

Sim. A equipe da UFPA pretende expandir o monitoramento para outras bacias da Amazônia, incluindo o Rio Negro e o Rio Madeira, com financiamento do CNPq.

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