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Centrão não se compromete e quer bancada forte, diz especialista

ResumoA cientista política Lara Mesquita, da FGV-EESP, afirma que o Centrão não se compromete com candidatura presidencial em 2026. A estratégia pragmática do grupo visa preservar poder de negociação com o futuro governo, priorizando a formação de uma bancada forte no Congresso para maximizar influência política.

Partidos de centro optaram por não lançar candidatura à Presidência em 2026. Para a cientista política Lara Mesquita, da FGV-EESP, a estratégia é pragmática: preservar poder de negociação com o futuro governo.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 29 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Centrão não se compromete e quer bancada forte, diz especialista

O Centrão decidiu não lançar candidatura própria à Presidência nas eleições de 2026. A estratégia, defendida por lideranças como Baleia Rossi, é justificada como resposta à polarização. Mas, para a cientista política Lara Mesquita, professora da FGV-EESP, a lógica é mais pragmática do que ideológica.

Partidos de centro não se comprometem para preservar poder de negociação

Segundo Mesquita, o comportamento dos partidos de centro não é novidade na política brasileira. "Tem uma coisa que é comum de toda a democracia multipartidária. A gente tem essa geleia ideológica de partidos de centro que vão mais ou menos caminhando para aderir ao governo de plantão", afirmou a especialista.

Para ela, ao abrirem mão de se comprometer com qualquer candidatura presidencial, esses partidos buscam preservar sua capacidade de negociação com o futuro governo eleito. A lógica descrita por Baleia Rossi é a de que, diante da polarização intensa, é mais vantajoso manter-se neutro eleitoralmente e concentrar esforços na construção de uma bancada parlamentar robusta.

"A gente não se compromete, investe mais em fazer uma bancada forte e tem melhores condições de negociar com o governo eleito, trazer a agenda para o centro ou trazer a agenda para os meus interesses", resumiu a cientista política.

Interesses regionais e a postura de lideranças do Centrão

A especialista destacou que os interesses regionais exercem papel determinante na postura de lideranças do Centrão. Como exemplo, Mesquita citou o caso de Ciro Nogueira, que, segundo ela, adota perfis distintos nas redes sociais a depender do público-alvo.

"No Piauí, ele não fica falando mal do Lula e nem puxando o saco do Bolsonaro, e outro nacional, onde ele se coloca muito mais abertamente alinhado com essa direita bolsonarista", relatou, com base em informações de um contato piauiense.

Coalizão pós-eleição: bancada define o peso nas negociações

Mesquita também ponderou sobre a relação entre participar de uma coligação eleitoral e garantir espaço no governo. Para ela, no Brasil, a coalizão governista sempre foi estruturada após o resultado das urnas, e não antes.

"Claro que fazer parte da coligação eleitoral é uma sinalização que você vai estar no governo, mas eu não tenho nenhuma evidência de que o partido que entrou na coligação eleitoral vai estar numa posição muito melhor do que o partido que não entrou", afirmou.

A especialista ressaltou que o peso de cada legenda nas negociações pós-eleitorais depende fundamentalmente do tamanho da bancada de deputados que cada partido conseguir eleger.

O que esperar da estratégia do Centrão em 2026

Com a polarização entre Lula e Bolsonaro, o Centrão aposta em não se comprometer com nenhum dos lados antes do resultado das urnas. A estratégia, segundo Mesquita, é pragmática: preservar poder de barganha e garantir que a bancada eleita seja forte o suficiente para negociar com quem vencer.

A decisão de não lançar candidatura própria também reflete uma leitura de que, no Brasil, a coalizão governista se forma depois da eleição. Assim, o Centrão prefere esperar para ver quem será o presidente eleito e, então, negociar espaço no governo.

Perguntas Frequentes

Por que o Centrão não lançou candidato próprio em 2026?

Segundo a cientista política Lara Mesquita, a estratégia é pragmática: ao não se comprometer com nenhum candidato, os partidos de centro preservam sua capacidade de negociação com o governo eleito.

O que Baleia Rossi disse sobre a estratégia do Centrão?

Baleia Rossi defendeu a estratégia como uma resposta à polarização política. Para ele, é mais vantajoso manter-se neutro e focar em eleger uma bancada forte.

Como Ciro Nogueira se posiciona nas redes sociais?

Segundo Lara Mesquita, Ciro Nogueira adota perfis distintos: no Piauí, evita críticas a Lula e elogios a Bolsonaro; no cenário nacional, alinha-se abertamente à direita bolsonarista.

O que define o peso de um partido nas negociações pós-eleição?

O tamanho da bancada de deputados que cada partido conseguir eleger, segundo a especialista.

A coligação eleitoral garante espaço no governo?

Não necessariamente. Mesquita afirma que não há evidência de que partidos que entram na coligação eleitoral fiquem em posição melhor do que os que não entram.

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