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Centenas de imigrantes acampam em Ceuta após travessia em massa

ResumoCeuta registrou centenas de imigrantes acampados em praia local após travessia em massa da fronteira com Marrocos. A Espanha estimou 69.500 retornos ao Marrocos em quatro dias, com 72 mortos no lado espanhol. A crise migratória gerou tensões na União Europeia, exigindo resposta coordenada dos Estados-membros.

Centenas de imigrantes montaram acampamento em praia de Ceuta após milhares cruzarem a fronteira. Espanha estima 69.500 retornos ao Marrocos em quatro dias, com 72 mortos no lado espanhol. Crise gera tensões na UE.

Cláudia Resende
Cláudia Resende Repórter de Saúde e Educação · 03 de agosto de 2026 · 5 min de leitura
Centenas de imigrantes acampam em Ceuta após travessia em massa

Centenas de imigrantes acampam em Ceuta após travessia em massa

Centenas de imigrantes montaram acampamento em uma praia no território espanhol de Ceuta, no norte da África, nesta segunda-feira (3), após milhares de pessoas terem cruzado a fronteira na semana passada. A Espanha estima que cerca de 69.500 imigrantes retornaram ao Marrocos nos últimos quatro dias, superando as estimativas iniciais de cerca de 50 mil chegadas à cidade na quinta-feira (30). O número oficial de mortos no lado espanhol da fronteira é de 72, com 11 mortes registradas no lado marroquino.

A crise expõe a pressão migratória sobre os enclaves espanhóis no norte da África. Ceuta e Melilla ficam na costa mediterrânea junto ao Marrocos e enfrentam periodicamente tentativas de travessia de imigrantes que buscam chegar à Europa.

O acampamento na praia de El Trampolín

Um vídeo da agência de notícias Reuters mostrou dezenas de imigrantes, a maioria da África Subsaariana, deitados na areia da praia de El Trampolín. Muitos estavam enrolados em toalhas para se proteger do vento, enquanto veículos do Exército e da polícia patrulhavam a estrada atrás deles.

Muitos imigrantes disseram que partiram de Ceuta porque o fechamento do comércio os deixou sem alimentos, enfrentaram hostilidade por parte dos moradores. Além disso, não conseguiram seguir viagem para a Espanha continental.

Números oficiais e centros de acolhimento colapsados

O líder de Ceuta, Juan Jesus Vivas, disse à emissora Telecinco que entre 3 mil e 5 mil imigrantes permanecem no enclave, acrescentando que os dois centros de acolhimento, um para adultos e outro para menores, haviam "colapsado". A autoridade local Alberto Gaitan disse que a cidade estava processando 862 menores imigrantes, que possuem proteções legais especiais contra a deportação.

Por trás do número há uma família e uma fila. A informação sobre o colapso dos centros reforça a urgência de uma resposta coordenada, mas os números oficiais ainda são os únicos dados confiáveis para dimensionar a crise.

Tensões diplomáticas na União Europeia

A crise alimentou a retórica anti-imigração em toda a Europa e desencadeou tensões diplomáticas na UE em torno da política de fronteiras, com a Espanha acusando alguns parceiros de uma resposta prejudicial e polarizadora.

O ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel Albares, disse nesta segunda-feira (3) que o país apoiou em outras ocasiões outros países da UE durante crises migratórias e que agora esperava apoio recíproco. O bloco convocou uma reunião de emergência por videoconferência entre os ministros do Interior para discutir a crise na terça-feira (4).

Albares criticou duramente o governo da Itália, acusando-o de ajudar a amplificar a desinformação. Ele também disse que o Marrocos ofereceu imediatamente apoio policial e não impôs condições à cooperação, permitindo o rápido retorno da maioria daqueles que fizeram a travessia.

O papel do Marrocos e a posição espanhola

Vivas, de Ceuta, criticou Marrocos, afirmando haver uma percepção generalizada em Ceuta de que a cidade havia permitido, se não orquestrado, a crise. "O Marrocos nos mostrou que não é confiável. Não há alternativa a não ser implementar todos os meios necessários para garantir que ele não possa fazer isso novamente", disse Vivas ao jornal El País.

No domingo, o Ministério do Interior do Marrocos atribuiu o aumento do fluxo a informações falsas nas redes sociais, a redes de tráfico de pessoas e a uma interpretação equivocada de uma decisão judicial espanhola que proibia o retorno imediato de imigrantes interceptados no mar. Essa posição estava em consonância com a visão oficial do governo espanhol.

Segundo relatos do jornal El País e da rádio Cadena SER, citando autoridades a par do assunto, os serviços de inteligência espanhóis concluíram que o Marrocos não planejou a travessia em massa, mas permitiu que ela ocorresse. Os controles de fronteira do Marrocos foram gradualmente flexibilizados durante o mês de julho e teriam sido removidos à medida que multidões avançavam em direção à passagem de Tarajal durante o feriado do Dia do Trono marroquino.

Em seu comunicado de domingo, a pasta afirmou que o Marrocos está "comprometido em fortalecer a cooperação e a coordenação internacional no combate à migração irregular e ao tráfico de pessoas".

Falhas de inteligência e tensões internas

O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, disse a repórteres no sábado que a agência de inteligência estrangeira CNI, controlada pelo Ministério da Defesa, não o alertou sobre um aumento iminente. O jornal El País informou nesta segunda-feira (3) que isso gerou tensões entre os dois ministérios. Um porta-voz do Ministério do Interior minimizou as tensões relatadas.

A ministra da Defesa, Margarita Robles, recusou-se a dizer se o CNI dispunha de informações prévias sobre a travessia em massa, acrescentando que o trabalho do órgão é sigiloso e elogiando a atuação "excepcional" dos integrantes das forças de segurança espanholas.

Perguntas Frequentes

Quantos imigrantes retornaram ao Marrocos após a travessia?

A Espanha estima que cerca de 69.500 imigrantes retornaram ao Marrocos nos últimos quatro dias, superando as estimativas iniciais de cerca de 50 mil chegadas à cidade na quinta-feira (30).

Qual é o número oficial de mortos na fronteira?

O número oficial de mortos no lado espanhol da fronteira é de 72, com 11 mortes registradas no lado marroquino.

Quantos menores imigrantes estão sendo processados em Ceuta?

A autoridade local Alberto Gaitan disse que a cidade estava processando 862 menores imigrantes, que possuem proteções legais especiais contra a deportação.

O Marrocos planejou a travessia em massa?

Segundo relatos do jornal El País e da rádio Cadena SER, os serviços de inteligência espanhóis concluíram que o Marrocos não planejou a travessia, mas permitiu que ela ocorresse. O Ministério do Interior do Marrocos atribuiu o fluxo a informações falsas e redes de tráfico de pessoas.

O que aconteceu com os centros de acolhimento em Ceuta?

O líder de Ceuta, Juan Jesus Vivas, disse que os dois centros de acolhimento, um para adultos e outro para menores, haviam "colapsado", com entre 3 mil e 5 mil imigrantes permanecendo no enclave.

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