CapaCidade
Cidade

Caverna de Minas guarda memória do clima da terra

ResumoA Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas (MG), preserva em estalagmite um registro climático de 22,5 mil a 9,3 mil anos. A pesquisa, publicada em junho, documenta aquecimento de 5,8 °C no período. O estudo oferece dados diretos sobre variações térmicas pré-históricas na região central do Brasil.

Pesquisa publicada em junho revela que estalagmite da Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas, preservou registro climático de 22,5 mil a 9,3 mil anos, com aquecimento de 5,8 °C.

Sérgio Tadeu Mafra
Sérgio Tadeu Mafra Repórter de Economia Regional · 28 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Caverna de Minas guarda memória do clima da terra

Uma pesquisa publicada em junho deste ano revela que uma estalagmite da Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas, preservou um registro climático contínuo de 22,5 mil a 9,3 mil anos atrás. As inclusões fluidas presentes em suas camadas funcionam como "cápsulas do tempo", permitindo medir diretamente a temperatura da caverna no momento em que cada gota de água ficou aprisionada.

Segundo o estudo, a região passou por um aquecimento de aproximadamente 5,8 °C entre o fim da última era glacial e o início do Holoceno. As variações ocorreram em "degraus", com um salto abrupto de 1,4 °C em cerca de dois séculos, há 13 mil anos. Esse tipo de dado ajuda a entender como o clima mudou em ciclos anteriores e o que isso pode significar para os próximos anos.

O registro contínuo de mais de 13 mil anos é raro na América do Sul. A capacidade de medir diretamente a temperatura do passado, em vez de estimá-la por proxies indiretos, dá mais precisão às reconstruções climáticas. Para quem vive em Minas Gerais, a informação conecta o passado geológico à realidade atual: mudanças de temperatura dessa magnitude alteram regimes de chuva, afetam a agricultura e a disponibilidade de água.

A pesquisa foi divulgada pelo veículo Sete Dias, que integra a Rede Sindijori MG. O estudo completo está disponível em publicação internacional que cita Sete Lagoas como referência em avanço do aquecimento global na América do Sul. A tendência, segundo os dados, é de que novos estudos aprofundem o entendimento sobre os chamados "saltos térmicos", eventos que podem ocorrer em escalas de tempo relativamente curtas.

Para a economia regional, o efeito prático aparece no planejamento de longo prazo. Setores como o agronegócio e a gestão de recursos hídricos dependem de previsões cada vez mais precisas sobre o comportamento do clima. Número sem contexto não alimenta ninguém, e é esse contexto que a pesquisa ajuda a construir.

// Leia também

Publicidade