Caso Moraes: PL mira bancada pró-impeachment; PT defende investigação
Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto, calibram reações às menções ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, no relatório do caso Master. As revelações envolvendo Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro já entraram no discurso da oposição.
A estratégia do PL é reforçar o apelo pela eleição de uma bancada de senadores de direita disposta a avançar com o impeachment de ministros do Supremo a partir de 2027. A avaliação é que a insatisfação de parte do eleitorado pode virar voto. Para Flávio e seu entorno, não basta eleger um presidente de direita; seria preciso ter maioria na Casa Alta para alterar a correlação de forças com a Corte.
A abertura de um processo de impeachment depende de o presidente do Senado pautá-lo. Pedidos nesse sentido jamais avançaram. Uma bancada maior e alinhada à direita, na visão dos oposicionistas, aumentaria o custo político de ignorar essas iniciativas. Nesta terça (1º), parlamentares reforçaram os pedidos de impeachment contra Moraes, com outro ofício na fila. Flávio e aliados também pediram a renúncia do ministro.
Em outra frente, aliados de Lula mantêm o discurso de que as investigações precisam seguir "doa a quem doer", inclusive as que envolvem o entorno do presidente. Petistas dizem que Lula dá autonomia à PF para apurar. O QG de Lula usará a retirada de sigilo da ação sobre Moraes para cobrar que André Mendonça, do STF, faça o mesmo com o inquérito sobre o financiamento do filme "Dark Horse". A CNN mostrou que Flávio enviou áudio a Vorcaro pedindo dinheiro para a cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Pessoalmente, Lula é aconselhado a manter distância da queda de braço entre Mendonça e Moraes. No governo, o embate é visto como crise interna do Judiciário, sem espaço para o presidente. Petistas lembram que Mendonça é relator de investigações contra Lulinha, filho de Lula, o que tornaria inadequado um posicionamento contra o magistrado. Ainda assim, reconhecem que o episódio deve contaminar o processo eleitoral e reforçar a bandeira da oposição sobre o STF.