# Caso Dhandara: internação máxima de 3 anos a adolescentes

> O Caso Dhandara resultou em internação máxima de três anos para dois adolescentes, aplicada pela Justiça de Divinópolis. Os menores, com 17 anos à época do crime em setembro de 2025, foram responsabilizados pela morte de Dhandara Kellen Ferreira Jerônimo, de 18 anos. A medida socioeducativa segue o Estatuto da Criança e do Adolescente.

*Portal Notícias MG · Cidade · 26 de agosto de 2026 · Vânia Drummond*

A Justiça aplicou medida socioeducativa de internação pelo período máximo de três anos a dois adolescentes responsabilizados pela morte de Dhandara Kellen Ferreira Jerônimo, de 18 anos, em Divinópolis. Eles tinham 17 anos quando o crime ocorreu, em setembro de 2025.

A Justiça aplicou medida socioeducativa de internação pelo período máximo de três anos a dois adolescentes responsabilizados pela morte de Dhandara Kellen Ferreira Jerônimo, de 18 anos, em Divinópolis. Os dois tinham 17 anos quando o crime ocorreu, em setembro de 2025. Segundo informações divulgadas após o julgamento, o processo reconheceu atos infracionais relacionados a estupro, feminicídio duplamente qualificado, ocultação e vilipêndio de cadáver, além de tráfico de drogas.

A decisão representa uma das etapas finais de uma investigação iniciada após o desaparecimento de Dhandara, no dia 10 de setembro de 2025. A jovem saiu de casa, no bairro Niterói, e não retornou. Três dias depois, em 13 de setembro, o corpo foi localizado em uma área de mata próxima a uma lagoa, no bairro Primavera, após informações levarem a Polícia Militar até o local.

Durante os primeiros dias do caso, a Polícia Civil adotou cautela ao tratar publicamente da causa da morte. A perícia foi realizada no local onde o corpo foi encontrado, mas os investigadores aguardavam exames complementares antes de estabelecer oficialmente a dinâmica do crime. Naquele momento, informações mais graves sobre possíveis agressões e violência sexual eram atribuídas principalmente aos relatos dos familiares e ainda dependiam de confirmação investigativa.

Com o avanço das apurações, a Polícia Civil reuniu elementos que permitiram reconstruir de forma mais detalhada os últimos momentos da jovem. As informações tornadas públicas posteriormente apontaram que Dhandara foi atraída para uma região isolada e submetida a violência sexual antes de ser morta. O processo também reuniu provas periciais, material genético, depoimentos e registros de comunicação analisados ao longo da investigação.

Segundo os dados divulgados sobre o processo, os dois adolescentes participaram da sequência de atos praticados contra a jovem. A investigação apontou que Dhandara sofreu violência sexual e, posteriormente, morreu por asfixia. Informações apresentadas após o encerramento da apuração indicam que peças da própria roupa íntima da vítima foram utilizadas durante a asfixia.

Depois da morte, o corpo foi abandonado na área de mata do bairro Primavera. A apuração também identificou atos praticados contra o cadáver, circunstância que levou ao reconhecimento de ato infracional correspondente ao crime de vilipêndio de cadáver. A ocultação do corpo também passou a integrar a responsabilização dos adolescentes no procedimento que tramitou na Justiça da Infância e da Juventude.

Dhandara havia saído de casa na tarde de 10 de setembro. Na época, familiares informaram que ela deixou a residência por volta das 16h30 utilizando um serviço de transporte por motocicleta. Quando a jovem deixou de manter contato e não voltou para casa, parentes e amigos começaram uma mobilização para tentar descobrir seu paradeiro.

O motociclista responsável pelo deslocamento chegou a ser citado durante as primeiras buscas porque havia transportado a jovem antes do desaparecimento. A própria família, no entanto, esclareceu posteriormente que ele não tinha envolvimento com o crime e que colaborou com as buscas ao indicar informações sobre o trajeto feito naquele dia. A investigação não atribuiu participação dele na morte de Dhandara.

No dia 13 de setembro, após três dias sem notícias, o corpo foi encontrado às margens de uma lagoa no bairro Primavera. A Polícia Militar isolou a área e acionou a perícia da Polícia Civil para os levantamentos técnicos. A identificação foi posteriormente confirmada por familiares no Instituto Médico-Legal de Divinópolis.

O estado em que o corpo foi encontrado dificultou uma conclusão imediata sobre a causa da morte. Familiares relataram, naquela época, que Dhandara estava sem roupas e que havia um pneu sobre o corpo. Embora essas informações tenham aumentado as suspeitas de violência desde os primeiros dias, a Polícia Civil manteve a investigação aberta e aguardou os resultados periciais para estabelecer tecnicamente o que havia ocorrido.

O sepultamento aconteceu na manhã de 14 de setembro de 2025, no Cemitério Parque Divino Espírito Santo, no bairro Jusa Fonseca, em Divinópolis. A despedida foi realizada sem velório e reuniu familiares e pessoas próximas da jovem. Naquele momento, a investigação ainda não havia divulgado oficialmente a dinâmica que mais tarde seria estabelecida no processo.

Desde o início das apurações, um adolescente de 17 anos apareceu entre as pessoas de interesse da investigação porque havia se encontrado com Dhandara no dia em que ela desapareceu. O jovem mantinha uma relação com a vítima e confirmou posteriormente que esteve com ela naquela data. Inicialmente, porém, ele negou qualquer participação na morte.

Em 19 de setembro de 2025, esse adolescente se apresentou à Polícia Civil acompanhado de advogado. A defesa confirmou que ele mantinha um relacionamento casual com Dhandara e que ambos haviam se encontrado no dia do desaparecimento, mas sustentou que o adolescente não tinha participado do crime. Essa era a versão apresentada pela defesa durante a fase inicial da investigação.

Familiares de Dhandara também relataram, ainda em setembro de 2025, que a relação da jovem com um dos adolescentes teria sido marcada por episódios anteriores de violência. A mãe afirmou à imprensa que a filha já havia sofrido agressão e que havia registro de ocorrência relacionado a um episódio anterior. Essas informações passaram a compor o contexto analisado durante a apuração.

A investigação continuou nos meses seguintes e identificou a participação de um segundo adolescente, que também tinha 17 anos quando Dhandara morreu. Com novas evidências reunidas pela Polícia Civil, os dois foram apreendidos em novembro de 2025 e encaminhados ao Centro Socioeducativo de Divinópolis. Naquele momento, a internação tinha caráter provisório enquanto o procedimento judicial avançava.

Em novembro, a defesa de um dos adolescentes voltou a contestar as acusações. O advogado afirmou que pretendia demonstrar a inocência do representado e argumentou, naquela fase, que as provas disponíveis não seriam suficientes para comprovar sua participação. A posição da defesa foi apresentada antes do encerramento do processo e da decisão que reconheceu a responsabilidade pelos atos infracionais.

Durante o andamento do caso, os dois adolescentes foram submetidos a procedimentos destinados a confrontar as versões apresentadas. Informações divulgadas após a sentença apontam que ambos admitiram ter estado com Dhandara na região de mata, mas passaram a atribuir um ao outro a responsabilidade direta pela morte. As versões divergentes foram analisadas juntamente com o restante das provas reunidas no processo.

A apuração, entretanto, não ficou baseada apenas nos depoimentos. Conforme informações tornadas públicas sobre o processo, a Polícia Civil reuniu resultados de perícias, registros de comunicação, depoimentos e evidências genéticas. Esse conjunto foi utilizado para estabelecer a participação dos adolescentes nos atos praticados contra Dhandara.

A investigação concluiu que a jovem foi vítima de violência sexual antes da morte. Em seguida, segundo os elementos apresentados no procedimento, Dhandara sofreu agressões e morreu por asfixia. O corpo foi posteriormente deixado no matagal, onde somente seria encontrado três dias depois do desaparecimento.

A Justiça reconheceu atos infracionais correspondentes a crimes de elevada gravidade. Como os envolvidos tinham menos de 18 anos na data dos fatos, eles não foram submetidos ao sistema penal destinado aos adultos. O caso tramitou conforme as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê medidas socioeducativas quando fica comprovada a prática de ato infracional.

Por esse motivo, tecnicamente, a medida aplicada não corresponde a uma pena de prisão nos mesmos moldes previstos para adultos condenados criminalmente. A internação é uma medida socioeducativa privativa de liberdade e deve ser cumprida em estabelecimento adequado, com acompanhamento pedagógico e psicológico, conforme determina a legislação.

O caso Dhandara, como ficou conhecido, segue como um marco na discussão sobre a responsabilização de adolescentes em situações de extrema violência. A decisão da Justiça de Divinópolis, ao aplicar o período máximo de internação, reforça o peso dos atos reconhecidos, mas também reabre o debate sobre os limites das medidas socioeducativas diante de crimes dessa natureza.

Para a família de Dhandara, a sentença encerra uma longa espera por justiça, iniciada com o desaparecimento da jovem e arrastada por meses de investigação. A mãe, que desde o início cobrou respostas, agora acompanha o cumprimento da medida. A comunidade de Divinópolis, abalada pelo caso, segue atenta aos desdobramentos.

A internação de três anos, embora máxima para a legislação vigente, é vista por muitos como insuficiente diante da gravidade dos atos. Especialistas apontam que o ECA, ao priorizar a ressocialização, limita o tempo de privação de liberdade para menores. Essa tensão entre punição e reeducação deve continuar a gerar debates no campo jurídico e social.

Enquanto isso, a Justiça da Infância e da Juventude de Divinópolis acompanha o cumprimento da medida socioeducativa. Os adolescentes permanecem sob custódia do sistema socioeducativo, onde deverão cumprir a internação. O caso, que chocou a cidade, deixa um alerta sobre a violência contra a mulher e a necessidade de políticas de prevenção.

A história de Dhandara, que saiu de casa numa tarde de setembro e não voltou, agora se desdobra em um processo de responsabilização. A medida aplicada, ainda que limitada, representa um passo na busca por justiça. Para a família, resta a dor da perda e a esperança de que casos assim não se repitam.

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