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'Caramelos' esperam no mesmo lugar por tutora um mês após internação em SC

ResumoDois cães caramelo aguardam a tutora, uma mulher em situação de rua internada há um mês, no mesmo local em Florianópolis. Protetores de animais buscam um lar temporário para os cães enquanto a tutora se recupera. O caso gerou comoção na cidade e mobilizou voluntários para garantir o bem-estar dos animais.

Há um mês, dois cães da cor caramelo permanecem no mesmo ponto em Florianópolis, à espera da tutora, uma mulher em situação de rua que foi internada. O caso comoveu a cidade e mobilizou protetores, que agora buscam um lar temporário para os animais enquanto a recuperação da tutor

Ronaldo Pimenta
Ronaldo Pimenta Repórter de Esporte Mineiro · 17 de julho de 2026 · 4 min de leitura
'Caramelos' esperam no mesmo lugar por tutora um mês após internação em SC

'Caramelos' esperam no mesmo lugar por tutora um mês após mulher em situação de rua ser internada em SC

Dois cães da cor caramelo permanecem no mesmo ponto de Florianópolis (SC) há exatamente um mês, aguardando a tutora, uma mulher em situação de rua que foi internada em uma unidade de saúde da capital catarinense. O caso, que ganhou repercussão nas redes sociais e na imprensa local, mobilizou protetores independentes e a prefeitura, que oferecem alimentação diária e avaliam a possibilidade de um lar temporário para os animais.

Como começou a espera dos caramelos

A mulher, que não teve a identidade revelada, vivia nas ruas do Centro de Florianópolis com os dois cães, ambos de porte médio e pelagem caramelo, uma das cores mais comuns entre os cães de rua no Brasil. No fim de março, ela passou mal e foi levada por uma equipe do Samu para o Hospital Celso Ramos. Desde então, os animais não saíram do local onde a tutora foi socorrida.

Segundo relatos de moradores da região, os cães se revezam entre a calçada e a marquise de um prédio comercial, sempre próximos um do outro. Um deles, mais velho, tem dificuldade de locomoção e manca da pata traseira direita. O outro, mais novo, late para quem se aproxima demais, mas aceita carinho de quem oferece comida.

A mobilização de protetores e da prefeitura

Protetores de animais da Grande Florianópolis se organizaram para garantir alimentação e água fresca duas vezes ao dia. Uma voluntária, que pediu para não ser identificada, disse ao portal ND+ que "os cães estão magros, mas não desnutridos. Eles comem ração e aceitam petiscos. O problema é que não querem sair dali de jeito nenhum".

A prefeitura de Florianópolis, por meio da Diretoria de Bem-Estar Animal, informou que equipes de fiscalização passaram pelo local e registraram a situação. Em nota, o órgão afirmou que "acompanha o caso e avalia a melhor forma de intervenção, respeitando o vínculo afetivo dos animais com a tutora". A internação da mulher, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, não tem previsão de alta.

O que diz a lei sobre animais de tutores internados

No Brasil, a legislação não prevê um protocolo específico para animais cujos tutores são hospitalizados, especialmente em situação de rua. O Código Civil, no artigo 936, estabelece que o tutor é responsável pelos danos causados pelo animal, mas não há regra sobre guarda temporária em internação. direitos dos animais no Brasil

Em Santa Catarina, a Lei Estadual 18.058/2021 determina que órgãos públicos devem garantir abrigo e alimentação a animais domésticos em situação de vulnerabilidade, o que inclui aqueles cujos tutores estão impossibilitados de cuidar. A prefeitura de Florianópolis já utilizou esse dispositivo em casos anteriores, como o de um idoso internado com covid-19 em 2022, cujos cães foram acolhidos por uma ONG parceira.

A espera que comoveu as redes

O caso dos caramelos viralizou após uma publicação no Instagram da protetora @animaisfloripa, que mostra os dois cães deitados lado a lado na calçada, com a legenda: "Eles não entendem de hospital, só de esperar". O post acumulou mais de 15 mil curtidas e centenas de comentários de pessoas oferecendo ajuda financeira ou lar temporário.

Uma moradora do bairro Centro, que passa diariamente pelo local, contou ao jornal local que "já viu os cães recusarem comida de outras pessoas. Eles cheiram, mas não comem. Só aceitam de quem já conhecem. É como se estivessem de luto".

Próximos passos: lar temporário ou adoção?

Protetores e a prefeitura discutem a possibilidade de levar os animais para um abrigo temporário, mas esbarram na resistência dos cães em deixar o local. Uma veterinária voluntária, que avaliou os animais na última quarta-feira, disse que "eles estão saudáveis, mas estressados. O ideal seria um lar que pudesse recebê-los juntos, para não romper o vínculo entre eles".

Se a tutora receber alta, os cães poderão ser reintegrados a ela. Caso contrário, a prefeitura deve abrir processo de adoção responsável, priorizando um único adotante para os dois animais. Até lá, a espera continua.

Perguntas Frequentes

Os cães ainda estão no mesmo local?

Sim. Até a última atualização, os dois caramelos permaneciam na calçada da Rua Felipe Schmidt, no Centro de Florianópolis, onde a tutora foi internada.

A tutora já recebeu alta?

Não. A internação da mulher em situação de rua continua, sem previsão de alta pela Secretaria Municipal de Saúde.

Como ajudar os cães?

Interessados em contribuir com ração, água ou lar temporário podem entrar em contato com a Diretoria de Bem-Estar Animal de Florianópolis pelo telefone (48) 3251-6000 ou com o perfil @animaisfloripa no Instagram.

Os cães podem ser adotados?

Ainda não. A prioridade é reintegrá-los à tutora após a alta. Se isso não for possível, a prefeitura abrirá processo de adoção responsável.

O que a lei diz sobre animais de tutores internados?

A Lei Estadual 18.058/2021 de SC garante abrigo e alimentação a animais domésticos em situação de vulnerabilidade, incluindo aqueles cujos tutores estão hospitalizados.

Há risco de os cães serem recolhidos?

A prefeitura avalia a situação, mas a orientação é respeitar o vínculo afetivo e evitar recolhimento forçado, salvo risco à saúde pública.

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