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Capital do Pão de Queijo: Contagem entre as maiores produtoras de MG

ResumoContagem é a capital do pão de queijo em Minas Gerais, concentrando 32 empresas do setor. A cidade responde por aproximadamente 38% da produção nacional do quitute, consolidando-se como o maior polo fabricante do estado. Os dados posicionam Contagem como referência absoluta na indústria de pão de queijo brasileira.

Contagem pode ser considerada a capital do pão de queijo. A cidade reúne 32 empresas e responde por cerca de 38% da produção nacional. Veja os dados.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 28 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
Capital do Pão de Queijo: Contagem entre as maiores produtoras de MG

Contagem pode ser considerada a capital do pão de queijo. A cidade reúne 32 empresas produtoras da iguaria e responde por aproximadamente 38% de toda a produção nacional. Em Minas Gerais, que concentra cerca de 66% da produção industrial brasileira, o município se destaca não apenas pelo volume fabricado, mas pelo que o produto movimenta: empregos, arrecadação e negócios que levam um dos maiores símbolos da gastronomia mineira para o Brasil e para o mundo.

A estrutura da Cidade Industrial e a rede de rodovias e ferrovias favorecem a circulação de mercadorias. O município transformou a receita tradicional em uma cadeia produtiva capaz de abastecer diferentes regiões e países. Essa história ganhou uma escala própria.

Um levantamento da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedecon), realizado com cinco das dez maiores fabricantes de Contagem, estima uma produção de aproximadamente 46 mil toneladas por ano. Juntas, essas empresas geram cerca de 1.440 empregos diretos e distribuem o produto para todo o território nacional, além de países como Argentina, Portugal, México e Estados Unidos.

O impacto também chega aos cofres públicos. Dados da Receita Federal mostram que, entre 2019 e 2023, as dez maiores empresas do segmento na cidade geraram mais de R$ 36 milhões em ICMS. Não por acaso, o município passou a reconhecer oficialmente a força dessa cadeia. Em 2025, a Câmara Municipal aprovou projeto de lei que instituiu 17 de agosto como o Dia Municipal do Pão de Queijo.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Luciano Oliveira, a data ajuda a dar visibilidade a uma atividade que já faz parte da economia local. "É muito importante dar visibilidade a essa vocação, fortalecendo a identidade do município e posicionando Contagem como a capital nacional do pão de queijo. Mais do que celebrar um patrimônio da gastronomia mineira, queremos impulsionar o desenvolvimento econômico, gerar oportunidades para toda a cadeia produtiva e consolidar nossa cidade como referência em gastronomia, inovação e valorização da indústria que tanto orgulha Minas Gerais", destacou o secretário.

Antes de virar produto congelado, chegar às prateleiras ou atravessar fronteiras, o pão de queijo nasceu de uma cozinha muito mais simples. A história da receita remonta a meados do século XVIII, nas fazendas de Minas Gerais. Para evitar o desperdício, cozinheiras aproveitavam queijos endurecidos e os misturavam a leite, polvilho, derivado da mandioca, e ovos.

A receita atravessou gerações, ganhou versões diferentes de acordo com cada região e, com a industrialização e o congelamento, encontrou um caminho para sair das cozinhas mineiras e conquistar outros mercados.

É justamente nessa trajetória que está parte da força cultural do quitute. Para a cozinheira e pesquisadora culinária Patrícia Brito, o pão de queijo carrega elementos de diferentes matrizes da formação de Minas. "Hora ele é feito com queijo da Serra da Canastra, hora com queijo do Norte de Minas e também com queijo de outras localidades. Para nós, que somos mineiros, ele está muito enraizado na nossa ancestralidade, principalmente na herança africana e na indígena, já que o polvilho doce e o azedo, bases da produção, são extraídos da mandioca", pontuou a pesquisadora.

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