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Cágados no Rio Paraibuna: por que ver é comum em setembro

Na tarde deste sábado (5), quem caminhava às margens do Rio Paraibuna, em Juiz de Fora, na região da Ponte Domingos Alves Pereira, a Ponte Vermelha, no Bairro Santa Terezinha, Zona Nordeste, teve uma surpresa: vários cágados foram flagrados nadando no rio. O registro foi feito pela leitora da Tribuna de Minas Aline Elisa.

Ver cágados no Rio Paraibuna é mais comum em setembro porque o aumento das temperaturas e o início do período chuvoso deixam os répteis mais ativos. Segundo a bióloga e mestre em Biodiversidade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Vanessa Nocelli, os avistamentos tendem a ser mais frequentes entre setembro e março.

Os animais são cágados-de-barbicha (Phrynops geoffroanus), espécie dulcícola, que vive em água doce e tem ampla distribuição pela América do Sul. Adaptada a ambientes urbanos, pode ser encontrada em rios, lagos, lagoas e córregos, inclusive os poluídos. "Começa o calor, eles saem para comer e reproduzir", explica a bióloga. Neste sábado, a máxima esperada pelo Inmet em Juiz de Fora era de 32 graus.

A maior atividade entre setembro e novembro está ligada às temperaturas elevadas. Um hábito típico é o assoalhamento, quando o animal se expõe ao sol sobre pedras, troncos ou margens para regular a temperatura corporal.

A alimentação é predominantemente carnívora, com peixes, crustáceos e insetos, além de frutos e vegetais. As fêmeas são maiores que os machos e chegam a 35 centímetros de carapaça. A reprodução também explica a movimentação: a nidificação ocorre em solo arenoso ou argiloso, com desovas entre fevereiro e agosto, de oito a 20 ovos. Os nascimentos se concentram no período chuvoso, entre dezembro e janeiro.

A orientação é não pegar, retirar ou manusear o animal. Segundo Vanessa, o cágado provavelmente segue seu comportamento natural, em busca de alimento ou atividades do ciclo de vida. A captura pode representar risco para a pessoa. Para quem mora perto de cursos d'água, a tendência é que novos encontros ocorram nos próximos meses. O mais indicado é observar à distância e deixar o animal seguir seu caminho.

Sérgio Tadeu Mafra
Repórter de Economia Regional
De Uberlândia, cobre economia do Triângulo e agronegócio mineiro com dado na mão e linguagem clara.
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