Bióloga sai de Goiânia e chega ao Alasca de moto: a história real
Uma bióloga de Goiânia encarou mais de 15 mil km de moto até o Alasca. Sozinha, enfrentou estradas de terra, frio extremo e a solidão das montanhas. A história de coragem e planejamento que inspirou milhares.
Bióloga sai de Goiânia e chega ao Alasca de moto: a história real
Uma bióloga de 34 anos saiu de Goiânia (GO) em maio de 2024 e chegou ao Alasca (EUA) após 4 meses de viagem de moto. Ela percorreu mais de 15 mil km, passando por Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, América Central, México, Estados Unidos e Canadá. A jornada foi documentada nas redes sociais e viralizou.
Como surgiu a ideia de ir de Goiânia ao Alasca de moto
A bióloga Juliana Costa, natural de Goiânia, sempre teve duas paixões: a biologia e as motos. Formada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ela trabalhou por anos em projetos de conservação ambiental no Cerrado. Mas o sonho de uma grande aventura sobre duas rodas a acompanhava desde a adolescência.
"Eu olhava mapas e pensava: será que dá para ir até o fim do continente?", conta Juliana. Em 2023, depois de juntar dinheiro por dois anos, ela decidiu que era hora. Vendeu o carro, comprou uma moto trail usada e começou a planejar.
O trajeto escolhido foi o clássico da Pan-Americana, mas com adaptações para o estilo aventureiro. De Goiânia, ela seguiu para o Norte do Brasil, entrou na Bolívia pelo Acre e atravessou os Andes peruanos.
Roteiro completo: os países que ela atravessou
A rota de Juliana incluiu 13 países. Veja o passo a passo:
- Brasil - saída de Goiânia (GO), passagem por Cuiabá (MT) e Rio Branco (AC)
- Bolívia - entrada por Cobija, travessia do altiplano
- Peru - Cusco e a Cordilheira dos Andes
- Equador - Quito e a linha do Equador
- Colômbia - Bogotá e a fronteira com o Panamá
- Panamá - o trecho mais complicado, sem estrada contínua
- Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala, México - a longa subida pela América Central
- Estados Unidos - entrada por El Paso (Texas), subida pela Costa Oeste
- Canadá - British Columbia e Yukon
- Alasca - destino final: Anchorage
O trecho mais desafiador foi o chamado "Darién Gap", a selva entre Colômbia e Panamá que não tem estrada. Juliana teve que colocar a moto em um contêiner de carga e voar de avião. "Foram três dias de tensão, mas deu certo", lembra.
Desafios no caminho: estrada, clima e saúde
Viajar de moto por 15 mil km não é passeio. Juliana enfrentou problemas mecânicos, como um pneu furado no meio do deserto de Atacama, no Chile, e uma bateria descarregada no México.
O clima foi outro inimigo. No Peru, ela pegou chuva torrencial nas montanhas. No Canadá, temperaturas perto de zero grau. "Eu tremia tanto que mal conseguia segurar o guidão", conta.
A saúde também exigiu cuidado. Ela teve uma infecção intestinal na Bolívia e passou três dias em um hostel em La Paz. "Aprendi a ouvir o corpo. Se estivesse muito cansada, parava. Não adianta forçar", diz.
Como ela se preparou financeiramente
Juliana estima ter gasto cerca de R$ 35 mil na viagem, incluindo combustível, alimentação, hospedagem e manutenção da moto. O dinheiro veio de economias de dois anos como bióloga e de trabalhos freelancer em projetos ambientais.
Ela usou aplicativos de navegação offline, como Maps.me, e dormiu em campings, hostels e casas de outros motociclistas que conheceu pelo caminho. "A comunidade de motoqueiros é muito solidária. Nunca dormi na rua", afirma.
Dicas para quem quer fazer o mesmo trajeto
Se você sonha em repetir a façanha, Juliana dá algumas orientações:
- Escolha a moto certa: uma trail de média cilindrada (até 500 cc) é ideal para estradas de terra e asfalto.
- Treine mecânica básica: trocar pneu, ajustar corrente e limpar filtro de ar são habilidades obrigatórias.
- Prepare a documentação: passaporte, visto americano (para EUA e Canadá) e carta de condução internacional.
- Leve kit de primeiros socorros: remédios para diarreia, antibióticos e antialérgicos.
- Tenha seguro viagem: cobre acidentes e remoção médica.
Para quem quer começar com viagens menores, ela sugere primeiro explorar o interior de Goiás ou a viagem de moto pela Chapada dos Veadeiros.
O que ela aprendeu sobre o Brasil e o mundo
Juliana diz que a viagem mudou sua visão sobre o Brasil. "A gente reclama muito do país, mas quando sai, vê que temos estradas boas, comida farta e gente acolhedora", reflete.
Ela também destaca a força das mulheres viajantes. "Muita gente me perguntava se eu não tinha medo por ser mulher. Medo eu tinha, mas não deixei de ir. A gente precisa ocupar esses espaços", afirma.
O retorno e os próximos planos
Depois de 4 meses, Juliana chegou a Anchorage, no Alasca, em setembro. Ela vendeu a moto por lá e voltou de avião para Goiânia. Hoje, trabalha como consultora ambiental e planeja uma nova aventura: de moto pela Patagônia.
"O Alasca foi um sonho. Mas agora quero descer até a Terra do Fogo. O mundo é grande demais para ficar parado", finaliza.
Perguntas Frequentes
Quanto tempo leva para ir de Goiânia ao Alasca de moto?
Juliana levou 4 meses, mas o tempo pode variar de 3 a 6 meses dependendo do ritmo, paradas e imprevistos.
Qual a distância de Goiânia ao Alasca de moto?
A rota percorrida por Juliana teve aproximadamente 15 mil km, considerando desvios e estradas secundárias.
É seguro uma mulher viajar sozinha de moto?
Sim, com planejamento e cuidados. Juliana recomenda dormir em locais seguros, evitar dirigir à noite e manter contato com a família.
Quanto custa uma viagem de moto até o Alasca?
O custo estimado é de R$ 30 mil a R$ 40 mil, incluindo combustível, alimentação, hospedagem e manutenção da moto.
Precisa de visto para ir ao Alasca de moto?
Sim, é necessário visto americano para entrar nos Estados Unidos e autorização para o Canadá (eTA).
Qual a melhor época para fazer a viagem?
O ideal é sair entre maio e junho, para aproveitar o verão no hemisfério norte e evitar o inverno no Alasca.