Ave ameaçada faz ninho na Terceira Ponte: filhotes caem no mar e força-tarefa age no ES
Uma ave ameaçada de extinção fez ninho em um pilar da Terceira Ponte, na Grande Vitória, e a queda de filhotes no mar mobilizou uma força-tarefa. A espécie, o trinta-réis-real, enfrenta riscos com a urbanização costeira. Saiba como a comunidade e órgãos ambientais agem para salva
Ave ameaçada de extinção faz ninho em pilar da Terceira Ponte e queda de filhotes no mar mobiliza força-tarefa no ES
Uma ave ameaçada de extinção escolheu um local improvável para se reproduzir: o pilar da Terceira Ponte, na Grande Vitória. Mas a queda de filhotes no mar acendeu o alerta e mobilizou uma força-tarefa que une biólogos, bombeiros e moradores. A espécie, o trinta-réis-real (Thalasseus maximus), está na lista de aves ameaçadas do ICMBio.
A força-tarefa atua desde o início da temporada reprodutiva, em setembro. Os filhotes, ao tentar os primeiros voos, caem na água e correm risco de afogamento ou predação. A comunidade local, que acompanha o ninho há anos, se organizou para ajudar.
O ninho no pilar: risco e resistência
O trinta-réis-real, que mede cerca de 50 centímetros de envergadura, costuma nidificar em ilhas costeiras. A urbanização e a falta de áreas seguras levaram a ave a buscar o pilar da ponte. A escolha, embora estratégica para fugir de predadores terrestres, expõe os filhotes ao mar aberto.
Moro aqui há 20 anos e nunca vi nada igual, conta o pescador João Batista, de 58 anos, que mora na Barra do Jucu. Desde setembro, ele observa o ninho e avisa os biólogos quando um filhote cai. A gente não pode deixar morrer. Eles são parte da nossa história.
A queda de filhotes no mar não é rara. Em 2024, o Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (Ipram) registrou o resgate de 12 filhotes da espécie na região da Terceira Ponte. Desses, 8 foram devolvidos ao ninho após reabilitação.
Força-tarefa em ação: como funciona o resgate?
A força-tarefa envolve o Ipram, o Corpo de Bombeiros e o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema). Quando um filhote cai, a comunidade aciona o grupo pelo WhatsApp. Em minutos, um barco ou jet ski se aproxima para o resgate.
O biólogo Marcos Vinícius, do Ipram, explica: O filhote é levado para o centro de reabilitação, onde recebe cuidados. Depois de estável, tentamos recolocá-lo no ninho. Se não for possível, ele segue para um cativeiro especializado.
A operação é delicada. O trinta-réis-real é uma espécie protegida por lei federal. Qualquer intervenção precisa ser autorizada pelo Iema. A comunidade, no entanto, já sabe o que fazer: não tocar no animal, apenas avisar.
O impacto da urbanização costeira
A urbanização costeira no Espírito Santo reduziu as áreas de nidificação do trinta-réis-real. A Ilha do Frade, antes um refúgio, hoje tem menos de 30% da vegetação original, segundo o Iema. A espécie, que precisa de locais arenosos e isolados, encontra cada vez menos opções.
A Terceira Ponte, inaugurada em 1978, corta a baía de Vitória. O pilar onde o ninho foi montado fica a cerca de 15 metros de altura. A queda dos filhotes, que tentam voar com 45 dias de vida, é quase inevitável.
O que a comunidade espera?
A força-tarefa já resgatou 4 filhotes nesta temporada. A expectativa é que mais 3 ou 4 ainda caiam até o fim do ciclo, em fevereiro. A comunidade quer que o poder público instale barreiras de proteção no pilar, para evitar novas quedas.
A gente quer que a ponte seja segura para a ave também, diz João Batista. Não adianta só resgatar. Tem que prevenir.
O Iema informou que estuda a viabilidade de instalar telas de proteção. Enquanto isso, a força-tarefa segue de prontidão. O trinta-réis-real, que já foi caçado e perdeu habitat, agora depende da solidariedade de quem mora ao lado.
Perguntas Frequentes
Qual ave ameaçada de extinção fez ninho na Terceira Ponte?
É o trinta-réis-real (Thalasseus maximus), uma espécie de ave costeira que está na lista de ameaçados do ICMBio.
Por que os filhotes caem no mar?
Os filhotes tentam os primeiros voos a partir do pilar, que fica a 15 metros de altura. Muitos não conseguem planar e caem na água.
Como a força-tarefa resgata os filhotes?
Moradores avisam biólogos e bombeiros, que usam barcos ou jet skis para resgatar os filhotes. Eles são levados para reabilitação no Ipram.
O que a comunidade pode fazer para ajudar?
A principal orientação é não tocar no animal e acionar o Ipram ou o Corpo de Bombeiros pelo telefone 190 ou 193.
Há planos para evitar novas quedas?
O Iema estuda instalar telas de proteção no pilar. A medida depende de estudos de impacto na estrutura da ponte.