CapaCidade
Cidade

Tarifaço dos EUA é injustificado para 59,4%, diz Atlas/Bloomberg

ResumoPesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada em 31 de janeiro, revela que 59,4% dos eleitores brasileiros consideram injustificada a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos. O levantamento indica rejeição majoritária à medida protecionista norte-americana. A pesquisa ouviu eleitores brasileiros sobre o contexto comercial bilateral, com 40,6% dos entrevistados avaliando a tarifa como justificada ou sem opinião formada.

Levantamento AtlasIntel/Bloomberg, divulgado nesta sexta (31), aponta que 59,4% dos eleitores brasileiros consideram injustificada a tarifa adicional de 25% imposta pelos EUA. Entenda os dados e o contexto.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 31 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Tarifaço dos EUA é injustificado para 59,4%, diz Atlas/Bloomberg

Tarifaço dos EUA é injustificado para 59,4%, diz Atlas/Bloomberg

A maioria dos brasileiros reprova o novo tarifaço americano. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta sexta-feira (31), mostra que 59,4% dos eleitores consideram injustificada a tarifa adicional de 25% que os Estados Unidos passaram a cobrar sobre produtos do Brasil. Outros 33,1% avaliam a medida como justificada, e 7,5% não souberam responder.

O levantamento ouviu 5.021 pessoas entre os dias 22 e 27 de julho, por recrutamento digital aleatório (Atlas RDR). A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, e o índice de confiança é de 95%.

O que diz a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg

A insatisfação com a tarifa recuou em relação ao ano passado. Em julho de 2025, 62,2% consideravam a cobrança injustificada. Agora, esse grupo caiu para 59,4%. Quem via a sobretaxa como justa também diminuiu: passou de 36,8% para 33,1%. A fatia de indecisos, porém, saltou de 1% para 7,5%.

O tema tem forte presença no debate público. Segundo o levantamento, 85,1% dos entrevistados acompanharam com atenção a implementação da medida.

Por que os EUA impuseram a tarifa de 25%

A nova sobretaxa entrou em vigor no dia 22 e foi somada às tarifas já existentes. A decisão veio depois de investigação conduzida pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), iniciada após o presidente americano Donald Trump anunciar, em julho de 2025, uma tarifa de 50% contra produtos brasileiros.

A apuração usou como base a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O órgão analisou políticas brasileiras ligadas a comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e combate ao desmatamento ilegal.

Segundo o USTR, a investigação identificou práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais dos EUA. O governo americano afirma que as políticas brasileiras criam condições desiguais de concorrência.

O que está em jogo para o Brasil

Entre os pontos citados pelos EUA estão questões ambientais. O USTR reconhece que o Brasil tem legislação para combater o desmatamento, mas alega falha na aplicação. Esse tema entrou na lista de fatores que, na visão do órgão, geram insegurança jurídica e distorções comerciais.

Apesar da nova rodada de sobretaxas, nem tudo foi atingido. Produtos como café e carne bovina ficaram de fora. O documento do USTR também prevê dezenas de exceções para itens essenciais à economia americana ou sem fornecedores alternativos suficientes. Entram aí determinados produtos farmacêuticos, pescados, couros, ferro-gusa, mel orgânico, hidróxido de alumínio e componentes da indústria aeronáutica.

O que os EUA esperam com a medida

Os americanos querem acesso aos mesmos regimes preferenciais que o Brasil concede a outros parceiros comerciais. A defesa é por relações em bases de reciprocidade.

A autoridade comercial americana também fez um alerta sobre possíveis respostas brasileiras, sem detalhar cenários.

Repercussão e próximos passos

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg chega em meio a um cenário de tensão comercial. A queda na rejeição, ainda que pequena, pode indicar que parte da população passou a enxergar a medida com outros olhos. O aumento dos indecisos, de 1% para 7,5%, sugere que a discussão ainda não está fechada.

Para quem acompanha o dia a dia do comércio exterior, a recomendação é monitorar os desdobramentos. A resposta brasileira, se vier, deve passar por negociação ou contramedidas. tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros

O que a pesquisa mede exatamente

A pesquisa mede a opinião pública sobre a validade da tarifa. Não avalia impacto econômico direto. O número de 59,4% reflete a percepção dos eleitores, não o efeito real da medida sobre preços ou exportações.

Perguntas Frequentes

A tarifa de 25% já está valendo?

Sim. A nova sobretaxa entrou em vigor no dia 22 e foi adicionada às tarifas já existentes sobre os produtos afetados.

Quais produtos foram excluídos da tarifa?

Café e carne bovina ficaram de fora. Também há exceções para farmacêuticos, pescados, couros, ferro-gusa, mel orgânico, hidróxido de alumínio e componentes aeronáuticos.

O que motivou a investigação dos EUA?

O USTR analisou políticas brasileiras sobre comércio digital, pagamentos eletrônicos, propriedade intelectual, acesso do etanol americano e desmatamento, com base na Seção 301.

Qual a margem de erro da pesquisa?

A margem de erro é de um ponto percentual, com índice de confiança de 95%.

A rejeição à tarifa aumentou ou caiu?

Caiu. Em julho de 2025, 62,2% consideravam a tarifa injustificada. Agora, 59,4% têm essa opinião.

// Leia também

Publicidade