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Ataques russos contra Kiev deixam ao menos nove mortos

Nove pessoas morreram e mais de uma dúzia ficaram feridas em ataques aéreos russos contra Kiev e a região ao redor da capital ucraniana nesta terça-feira (1º), segundo autoridades, no sexto dia consecutivo de ataques à cidade. O serviço de emergência informou, no Telegram, que oito mortos e cinco feridos, entre eles três crianças, foram registrados em Kiev, com incêndios em diferentes pontos da capital. Em Boryspil, na região de Kiev, uma pessoa morreu e nove ficaram feridas, incluindo uma criança, depois que mísseis e drones danificaram um prédio residencial e uma instalação comercial, segundo o governador Tymur Tkachenko.

Os ataques na Ucrânia e na Rússia continuam enquanto avançam os esforços por uma solução para o conflito mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, iniciado com a invasão em larga escala por Moscou em fevereiro de 2022. Alertas de ataque aéreo foram emitidos para a maior parte do território ucraniano nas primeiras horas desta terça-feira. Na região de Orlivka, às margens do rio Danúbio, um novo ataque interrompeu as operações de passagem na fronteira com a Romênia, integrante da União Europeia e da Otan.

Na Rússia, um ataque com drones provocou incêndio na área portuária de Ust-Luga, importante ponto de exportação no noroeste do país. Na região de Samara, onde ficam várias refinarias de petróleo, a cerca de 800 km a sudeste de Moscou, um ataque aéreo danificou instalações civis, conforme o governador local. Rússia e Ucrânia negam ter como alvo deliberadamente a população civil; a Reuters não conseguiu verificar os relatos de forma independente.

Enquanto isso, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse na segunda-feira (31) que teve conversa "detalhada e construtiva" com enviados do presidente dos EUA, Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, para definir datas de visita e avançar nos esforços de paz. O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, afirmou a Vladimir Putin que a guerra precisa terminar em nome da humanidade; o líder do Kremlin disse que Moscou "avança nesse caminho".

O conflito levou membros da Otan, especialmente os que fazem fronteira com a Rússia, a reforçar capacidades militares. A missão de policiamento aéreo no Báltico acionou caças na Letônia, e a Finlândia restringiu tráfego aéreo e marítimo próximo à Rússia. Margus Tsahkna, ministro das Relações Exteriores da Estônia, agradeceu à Otan por reagir "rápida e exatamente como planejado" ao colocar caças no ar, em publicação no X. Para quem vive na região, a guerra deixou de ser notícia distante: virou rotina de sirenes, abrigos e interrupções na fronteira, enquanto famílias como as de Boryspil contam feridos e reconstroem o que resta do dia a dia.

Inácio Bicalho
Repórter de Interior e Agro
Do Norte de Minas, cobre o sertão mineiro, a seca, o pequeno produtor e as pautas que a capital ignora.
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