# Assassinatos de deputados britânicos expõem tensão política no Reino Unido

> O assassinato da ex-deputada Ann Widdecombe expõe o aumento da violência política no Reino Unido. Pela terceira vez em pouco mais de uma década, parlamentares britânicos homenagearam uma política assassinada, com ameaças a deputados tornando-se quase rotineiras. O caso revela mudanças profundas na relação entre políticos e o público britânico.

*Portal Notícias MG · Cidade · 18 de julho de 2026 · Geraldo Assunção*

Pela terceira vez em pouco mais de uma década, parlamentares britânicos homenagearam uma política assassinada. O assassinato de Ann Widdecombe, ex-deputada, expõe o aumento da violência política no Reino Unido, com ameaças quase rotineiras a deputados e mudanças profundas na rela

## Assassinatos de deputados britânicos expõem tensão política no Reino Unido

Pela terceira vez em pouco mais de uma década, parlamentares britânicos se levantaram no Parlamento, na segunda-feira (16), para homenagear uma política assassinada e compartilhar preocupações sobre o aumento da violência na política. O assassinato de Ann Widdecombe, ex-deputada, após as mortes de Jo Cox (2016) e David Amess (2021), reforça a percepção de que a última década foi uma das mais perigosas para os políticos do Reino Unido.

## O que está por trás da violência política no Reino Unido?

A ministra do Interior do Reino Unido, Shabana Mahmood, afirmou que "a política é uma vocação para todos nós que estamos aqui, mas não deve ser uma atividade perigosa". Ela tentou tranquilizar os membros do Parlamento sobre sua segurança, dizendo que devem "permanecer sempre vigilantes e responder às mudanças nas ameaças".

Desde o período conhecido como "The Troubles", conflito sectário na Irlanda do Norte entre o fim da década de 1960 e o Acordo de Belfast (1998), tantos políticos não eram mortos em um intervalo tão curto. Naquele período, quatro parlamentares foram assassinados por militantes republicanos irlandeses entre 1979 e 1990. Diferentemente daquela época, porém, o Reino Unido não vive atualmente um conflito interno.

## Casos recentes de assassinatos de deputados

Ann Widdecombe, ex-deputada do Partido Conservador e, posteriormente, porta-voz para imigração do partido populista de direita Reform UK, foi encontrada morta em sua casa na semana passada, com "ferimentos graves". Inicialmente, a polícia informou que não havia indícios de motivação política. Posteriormente, a investigação passou a ser conduzida pela unidade antiterrorismo. Um britânico branco de 28 anos, cuja identidade não foi divulgada, foi preso primeiro por suspeita de homicídio e, depois, por suspeita de "comissão, preparação ou instigação de atos de terrorismo". Na terça-feira (14), a polícia informou que Widdecombe foi morta em um "ataque direcionado". As autoridades ainda não indicaram a motivação, mas apuram se o suspeito tinha como alvo integrantes do Reform UK.

Os assassinatos de Jo Cox e David Amess tiveram motivações muito diferentes. Cox, deputada do Partido Trabalhista (centro-esquerda), foi morta por um homem com posições de direita e uma extensa coleção de objetos ligados ao nazismo. Amess, parlamentar do Partido Conservador (centro-direita), foi assassinado por um "islamista fanático" inspirado pelo grupo Estado Islâmico.

## Ameaças crescentes a parlamentares britânicos

Alan Renwick, professor de política da UCL e diretor da Unidade de Constituição da instituição, alerta para o risco de "estabelecer ligações entre as ações extremamente violentas de um pequeno número de indivíduos e tendências mais amplas da sociedade". Ainda assim, ele reconhece que o nível de ameaça aumentou: "deputados e outras figuras da vida pública agora enfrentam inúmeras ameaças quase rotineiramente. Isso representa uma mudança em relação ao passado e prejudica seriamente a democracia."

O número anual de crimes contra parlamentares britânicos registrados pela polícia chegou a quase mil em 2025, praticamente o dobro do registrado em 2022, revelou o jornal The Times em março. Esse total também representa um aumento de mais de seis vezes em relação aos 151 crimes denunciados por parlamentares em 2017, segundo um relatório do Parlamento. Esse crescimento expressivo ocorreu após o assassinato de Jo Cox, poucos dias antes da votação que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia.

## Impacto na democracia e na relação com eleitores

O viúvo de Jo Cox, Brendan Cox, afirmou estar "muito menos otimista" em relação ao estado do debate político. "Após o assassinato de Jo, houve um verdadeiro sentimento de choque e horror em todo o espectro político. O país inteiro se uniu por um momento para dizer que não era assim que queríamos conduzir nossa política. Mas acho que, nos anos seguintes, nos fechamos ainda mais em nossos próprios grupos." Para ele, a "cultura de Velho Oeste que existe na internet" é um dos principais fatores, ao amplificar e legitimar a violência. "Enquanto não fizermos algo em relação a esse ambiente de informação que legitima a violência como ferramenta política, continuaremos voltando a essa situação."

Diane Abbott, primeira mulher negra eleita para o Parlamento britânico, afirmou que "a situação piorou muito, muito com o crescimento da atividade online". Ao mesmo tempo, as taxas gerais de criminalidade contra pessoas e residências no Reino Unido vêm caindo ao longo da última década.

## Como a violência política afeta a rotina dos deputados

O aumento da violência política não é exclusivo do Reino Unido, embora o número de parlamentares assassinados seja incomum em comparação com outros países europeus. No Reino Unido, um em cada três deputados que participaram de uma pesquisa parlamentar considerou não disputar a reeleição. As ameaças também afetaram a forma como esses políticos se relacionam com seus eleitores.

Shabana Mahmood, a primeira mulher muçulmana a ocupar o cargo de ministra do Interior do Reino Unido, costumava realizar encontros abertos, conhecidos como constituency surgeries, onde moradores podiam comparecer sem agendamento. Foi durante eventos desse tipo que Jo Cox e David Amess foram assassinados. "Essas sessões informais e abertas já não são mais possíveis para mim, e precisei mudar essa forma de atendimento nos últimos anos", afirmou Mahmood no Parlamento. "Continuo realizando atendimentos aos eleitores, mas em condições muito diferentes das que existiam quando me tornei deputada. Essa é uma mudança enorme e ocorre inteiramente por causa do que aconteceu com Jo Cox e Sir David Amess. É uma tragédia, porque muda a maneira como nos relacionamos com nossos eleitores."

## Perguntas Frequentes

### Quantos deputados foram assassinados no Reino Unido na última década?

Três: Jo Cox (2016), David Amess (2021) e Ann Widdecombe (2025).

### Qual foi a motivação dos assassinatos de Jo Cox e David Amess?

Jo Cox foi morta por um homem com posições de direita e objetos ligados ao nazismo. David Amess foi assassinado por um "islamista fanático" inspirado pelo Estado Islâmico.

### O que está sendo investigado no caso de Ann Widdecombe?

A polícia investiga se o suspeito tinha como alvo integrantes do partido Reform UK. Um britânico branco de 28 anos foi preso por suspeita de terrorismo.

### Como as ameaças a parlamentares mudaram?

O número de crimes contra parlamentares chegou a quase mil em 2025, o dobro de 2022 e seis vezes mais que em 2017.

### O que são constituency surgeries?

São encontros abertos entre deputados e eleitores, uma tradição britânica. Após os assassinatos, muitos políticos mudaram o formato por segurança.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/cidade/assassinatos-deputados-britanicos-expoem-tensao-politica-reino-unido/
