Após 5 meses, Prefeitura contrata empresa para retirada de resíduos das chuvas no Parque de Exposições
Cinco meses após as chuvas de fevereiro, a Prefeitura de Juiz de Fora contratou, por R$ 347.730, uma empresa para auxiliar na retirada de resíduos do antigo Parque de Exposições. O serviço começou em 23 de julho. Entenda o que mudou e os riscos envolvidos.
Após 5 meses, Prefeitura contrata empresa para auxiliar na retirada de resíduos das chuvas do Parque de Exposições
Cinco meses depois das chuvas de fevereiro em Juiz de Fora, os resíduos ainda estão armazenados, temporariamente, no antigo Parque de Exposições. No dia 17 deste mês, a Prefeitura publicou a contratação emergencial de uma empresa para auxiliar na retirada dos materiais, por R$ 347.730. A empresa iniciou os trabalhos na última quinta-feira (23). Quanto a uma previsão para a conclusão, a resposta do Executivo foi de que "as equipes seguem atuando de forma integrada, conforme o cronograma estabelecido".
O que mudou com a contratação emergencial?
Até então, a remoção dos resíduos era feita exclusivamente pelas equipes do Demlurb. A contratação de empresa especializada, segundo a Prefeitura, tem como objetivo reforçar as equipes e dar maior celeridade à retirada, sem substituir o trabalho já realizado desde fevereiro. O Executivo afirma que, até o momento, mais de dez mil toneladas de resíduos foram removidas.
Por que a demora de cinco meses?
A contratação para intensificar os serviços foi realizada só agora, embora, em 2 de abril, a Tribuna tenha publicado matéria em que o Executivo afirmava que já havia uma "força-tarefa" instaurada desde 26 de março com esse fim. Para a Prefeitura, "a remoção dos resíduos do antigo Parque de Exposições segue o planejamento estabelecido desde o início da operação, considerando o grande volume de material recebido durante o período de emergência e a complexidade das etapas necessárias para sua destinação final".
Quais resíduos estão sendo retirados?
A contratação lista lama, terra, vegetação e demais materiais, que incluem entulho, pedras, concreto e restos de pavimentação, como a Prefeitura informou à Tribuna. O transporte será feito pela empresa, com caminhões basculantes, até o aterro de Grama, local licenciado para a disposição final desse tipo de material, ainda segundo a Prefeitura.
Riscos técnicos e ambientais do armazenamento prolongado
Segundo a doutora em Geotecnia Ambiental, Júlia Righi de Almeida, "em situações de grande volume de resíduos gerados por eventos de calamidade, é relativamente comum que a remoção ocorra de forma gradual, em função da logística de transporte, da necessidade de triagem e da capacidade de destinação final".
Proliferação de vetores e impactos na vizinhança
Desde abril, moradores da região do Jóquei Clube, Zona Norte, já relatavam aumento significativo da presença de mosquitos nas proximidades do parque. Segundo Júlia, esse é de fato um risco, assim como a proliferação de animais peçonhentos, entre outros vetores, devido ao acúmulo de água favorecido em alguns pontos. Além do carreamento de partículas para a rede de drenagem durante novas chuvas, "a permanência dos resíduos na área também pode gerar impactos relacionados à intensa circulação de caminhões e equipamentos, como aumento de poeira e ruído, além de causar desconforto visual e paisagístico para a população do entorno".
Armazenamento temporário: prática segura ou risco?
A professora dos cursos de Engenharia Civil e Engenharia Ambiental da UFJF destaca que, em situações de calamidade, o armazenamento temporário em áreas controladas é uma prática adotada para permitir a triagem e a destinação adequada dos materiais: "O fato de os resíduos estarem concentrados em um local específico tende a ser mais seguro do que permanecerem dispersos em vias públicas e encostas, por exemplo". Ela afirma que o tempo de permanência, por si só, não significa necessariamente um agravamento imediato dos riscos, mas desde que a área de armazenamento temporária permaneça controlada e com manejo periódico dos materiais. "Do ponto de vista técnico e ambiental, o ideal é que a remoção e a destinação desses materiais sejam concluídas no menor prazo possível".
Serviço nos bairros continua com o Demlurb
A Prefeitura esclarece que a contratação não se destina à retirada de resíduos nos bairros, e o serviço ainda está sendo feito pelo Demlurb. Até o momento, foram atendidos 122 bairros e 799 vias com lavagem de ruas, raspagem de barro, remoção de terra e resíduos e desobstrução de vias. "Os atendimentos seguem conforme o planejamento operacional, as demandas identificadas pelas equipes técnicas e a autorização da Defesa Civil".
Lições para o futuro: planos de resiliência
A professora alerta que, mais importante do que discutir medidas emergenciais é a necessidade de os municípios possuírem planos de resiliência e diretrizes previamente definidos para a resposta e a recuperação após desastres: "Eventos extremos tendem a se tornar mais frequentes, e a dificuldade em lidar com grandes volumes de resíduos após enchentes e deslizamentos não é uma característica exclusiva de Juiz de Fora (...). Por isso, é fundamental que exista um plano previamente definido para coleta, armazenamento temporário, triagem, transporte e destinação final dos resíduos gerados em desastres".
Perguntas Frequentes
Por que a Prefeitura demorou cinco meses para contratar a empresa?
A Prefeitura afirma que a remoção seguiu o planejamento desde o início, considerando o grande volume e a complexidade das etapas. A contratação emergencial foi publicada em 17 de julho para reforçar as equipes do Demlurb.
Qual o valor da contratação?
A contratação emergencial foi de R$ 347.730, para auxiliar na retirada e transporte dos resíduos.
Para onde os resíduos estão sendo levados?
Os materiais estão sendo transportados por caminhões basculantes até o aterro de Grama, local licenciado para a disposição final desse tipo de material.
Quais bairros já foram atendidos?
Até o momento, foram atendidos 122 bairros e 799 vias com serviços de lavagem, raspagem e remoção de resíduos.
A contratação substitui o trabalho do Demlurb?
Não. A empresa contratada reforça as equipes do Demlurb, que continua responsável pelos serviços nos bairros.