Análise: Trajeto de rios influencia locais de alagamentos no RS
O Rio Grande do Sul segue em alerta mesmo com pausa nas chuvas. Segundo o analista Pedro Côrtes, o trajeto dos rios influencia diretamente os locais de alagamento no estado, com 206 municípios afetados e mais de 1.800 pessoas fora de casa.
Análise: Trajeto de rios influencia locais de alagamentos no RS
O Rio Grande do Sul permanece em estado de alerta mesmo com uma pausa nas chuvas. Segundo o último balanço da Defesa Civil, 206 municípios gaúchos foram afetados pelos temporais, e mais de 1.800 pessoas estão fora de suas casas, a maior parte delas desabrigadas.
O analista de Clima e Meio Ambiente da CNN Pedro Côrtes avalia que o trajeto dos rios da região influencia os locais de alagamento no estado. A água que caiu nas cabeceiras dos rios Taquari e Jacuí ainda está descendo em direção às áreas mais baixas, incluindo Porto Alegre e a região metropolitana.
Por que o alerta se mantém mesmo com tempo bom?
Pedro Côrtes explica que toda a água acumulada nos dias anteriores continua afluindo para as regiões mais baixas. "Toda a água está ainda afluindo para as regiões mais baixas e mesmo em Porto Alegre agora, com o tempo bom, céu limpo, há preocupação com inundações", afirmou.
O solo já está encharcado e os níveis dos rios e arroios continuam elevados, reduzindo drasticamente a capacidade de absorção de novas chuvas. "Qualquer chuva mais intensa que caia na cabeceira dos rios vai acabar impactando Porto Alegre", alertou o analista.
Situação nos municípios afetados
O governo do estado informou que há 21 abrigos ativos espalhados por 18 cidades gaúchas para receber as famílias desalojadas. Alertas de alto risco para inundação foram emitidos para General Câmara e Charqueadas, no rio Jacuí, e São Borja, no rio Uruguai.
Na capital gaúcha, o Lago Guaíba apresenta elevação gradual do nível, com previsão de alta mais intensa entre sexta-feira (24) e sábado (25). O nível ainda está abaixo da cota de inundação nos pontos de medição do Cais Mauá e na região das ilhas, mas algumas vias ribeirinhas já estão alagadas.
"São locais que, tradicionalmente, acabam sendo alagados na região das ilhas de Porto Alegre e que, nesse momento, estão demandando uma atenção maior da Defesa Civil", explicou a repórter da CNN Gabriela Garcia.
Vale do Taquari: rio baixa e famílias aguardam retorno
No Vale do Taquari, o rio em Lajeado baixou mais de três metros, saindo da cota de inundação. A repórter Jéssica Malman relatou que a prefeitura acredita que, até o fim desta sexta-feira (24), o rio retorne ao seu curso normal de 13 metros, permitindo que as famílias voltem para suas residências.
Cerca de 168 famílias permanecem abrigadas no Parque do Imigrante, aguardando a autorização prevista para o final da tarde. As ruas e avenidas do município já passam por limpeza desde o início da manhã, com uso de caminhões-pipa.
Riscos históricos e previsão de novas chuvas
A região de Canoas, na Grande Porto Alegre, foi citada como exemplo dos riscos envolvidos. A área, banhada pelo rio dos Sinos, ficou completamente submersa em 2024, afetando cerca de 50 mil famílias. "Foi uma tragédia há dois anos", recordou Pedro Côrtes.
O analista também mencionou a previsão de retorno das chuvas no final de semana e início da semana seguinte, com possibilidade de volumes intensos em determinadas áreas, mantendo o estado em situação de atenção.
Perguntas Frequentes
Quantos municípios foram afetados pelos temporais no RS?
Segundo a Defesa Civil, 206 municípios gaúchos foram afetados pelos temporais.
Quantas pessoas estão fora de casa no RS?
Mais de 1.800 pessoas estão fora de suas casas, a maior parte delas desabrigadas.
Por que o alerta continua mesmo com a pausa nas chuvas?
A água das cabeceiras dos rios Taquari e Jacuí ainda desce para áreas mais baixas, e o solo encharcado reduz a absorção de novas chuvas.
Qual a situação do Lago Guaíba em Porto Alegre?
O Lago Guaíba apresenta elevação gradual, com previsão de alta mais intensa entre sexta (24) e sábado (25), mas ainda abaixo da cota de inundação.
Quantas famílias estão abrigadas no Parque do Imigrante?
Cerca de 168 famílias permanecem abrigadas no Parque do Imigrante, em Lajeado.
O que aconteceu em Canoas em 2024?
A região de Canoas, banhada pelo rio dos Sinos, ficou completamente submersa em 2024, afetando cerca de 50 mil famílias.