Tarifaço EUA-Brasil: impacto eleitoral e relação incerta em 2026
O novo tarifaço dos Estados Unidos ao Brasil tem repercussões políticas imediatas. Pesquisa Genial/Quaest mostra que 51% associam as taxas à família Bolsonaro, enquanto a relação bilateral segue incerta, com possibilidade de acordo difícil pós-eleições.
Tarifaço EUA-Brasil: impacto eleitoral e relação incerta em 2026
O novo tarifaço dos Estados Unidos ao Brasil tem repercussões que vão além da economia. A mais imediata é a eleitoral: o tema deve dominar a campanha presidencial de 2026, com vantagem para o presidente Lula (PT) e incerteza sobre o futuro da relação entre Brasília e Washington.
O tarifaço dos EUA ao Brasil deve ser tema central da campanha eleitoral de 2026. Pesquisa Genial/Quaest mostra que 51% associam as taxas à família Bolsonaro, beneficiando Lula. A relação bilateral fica incerta: no curto prazo, há ameaça de retaliação, mas acordo pós-eleitoral será difícil, já que exportações brasileiras aos EUA caíram de 12% para 9%.
Impacto eleitoral: Lula se beneficia da associação ao tarifaço
O presidente Lula tende a sair ganhando com a decisão americana. O eleitorado associa as tarifas a ações da família Bolsonaro, segundo a última pesquisa Genial/Quaest. Enquanto 51% dos entrevistados concordam que a família Bolsonaro é culpada e responsável pelas taxas, apenas 30% avaliam que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), está tentando reverter a situação.
A retórica de Lula contra os EUA será usada eleitoralmente na disputa. O tema certamente será explorado ao longo da campanha, com o governo petista capitalizando a insatisfação popular contra a medida americana.
Relação EUA-Brasil: curto prazo e cenário pós-eleitoral
A pergunta mais difícil é para onde vai a relação entre Brasília e Washington. No curto prazo, o Palácio do Planalto vai iniciar uma investigação de reciprocidade, o que leva a uma ameaça de retaliação contra os Estados Unidos. Mas nenhuma decisão deve chegar antes das eleições.
Passado o pleito, se Lula vencer, haverá um momento de acomodação com o presidente americano, Donald Trump. A má notícia, no entanto, é que o caminho para um acordo que possa reduzir as tarifas pode ser difícil, mesmo em um cenário pós-eleitoral.
Exportações em queda e pressão reduzida do setor privado
As tarifas foram aplicadas somente para 25% das exportações brasileiras, com repercussão econômica mais restrita. Além disso, as exportações brasileiras direcionadas aos EUA estão caindo. Até o ano passado, 12% das vendas do Brasil iam para território americano; agora o número já caiu para 9%.
Isso significa que as empresas brasileiras devem procurar outros destinos. A partir disso, a pressão do setor privado para reverter a taxação em 2027 talvez não seja muito grande. Ao mesmo tempo, o Planalto não dá sinais de fazer grandes concessões à Casa Branca nas negociações comerciais.
Perspectivas para um acordo: caminho difícil
Certamente haverá um momento pós-eleitoral de tentar chegar a um acordo, mas o caminho será bem difícil. A combinação de tarifas restritas a um quarto das exportações, queda na participação do mercado americano e falta de disposição do governo brasileiro para concessões torna o cenário complexo.
A análise é do cientista político Christopher Garman, mestre em ciências políticas, pesquisador e diretor-executivo para as Américas do grupo Eurasia. Para ele, a relação bilateral entra em um período de incerteza que deve se estender além das eleições de 2026.
Perguntas Frequentes
O tarifaço vai afetar as eleições de 2026?
Sim. O tema deve dominar a campanha, com Lula se beneficiando da associação das tarifas à família Bolsonaro, segundo pesquisa Genial/Quaest.
O Brasil vai retaliar os EUA?
O Planalto vai iniciar investigação de reciprocidade, com ameaça de retaliação, mas nenhuma decisão deve sair antes das eleições.
As exportações brasileiras para os EUA estão caindo?
Sim. Caíram de 12% para 9% das vendas totais do Brasil, o que reduz a pressão do setor privado por um acordo.
É possível um acordo para reduzir as tarifas?
Haverá tentativa pós-eleitoral, mas o caminho é difícil, com pouca disposição do governo brasileiro para concessões.
Quem é Christopher Garman?
É mestre em ciências políticas, pesquisador e diretor-executivo para as Américas do grupo Eurasia, autor da análise sobre o tarifaço.