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Análise: Qual o impacto do novo bloqueio dos Houthis em Bab El-Mandeb

ResumoO bloqueio dos Houthis no Estreito de Bab el-Mandeb contra a Arábia Saudita interrompe uma rota vital para 30% do tráfego global de petróleo. A ação ameaça o abastecimento energético mundial e pode paralisar exportações sauditas no curto prazo, elevando custos logísticos e pressionando cadeias de suprimento entre Ásia e Europa.

Os Houthis do Iêmen anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Estreito de Bab el-Mandeb, rota vital para petróleo e comércio entre Ásia e Europa. A medida ameaça o abastecimento global de energia e pode paralisar as exportações sauditas no curto prazo.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 21 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Análise: Qual o impacto do novo bloqueio dos Houthis em Bab El-Mandeb

Análise: Qual o impacto do novo bloqueio dos Houthis em Bab El-Mandeb

Os Houthis do Iêmen anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Estreito de Bab el-Mandeb, uma das rotas mais estratégicas para o escoamento de petróleo e para o comércio entre a Ásia e a Europa. A medida, que representa uma nova frente no conflito regional, ameaça diretamente o abastecimento global de energia e a logística do comércio internacional.

O que é o Estreito de Bab el-Mandeb e por que ele importa?

Bab el-Mandeb é um estreito que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden, no Oceano Índico. Por ali passa uma parcela significativa do petróleo e das mercadorias que viajam entre a Ásia e a Europa. Navios da China, Índia, Japão, Coreia do Sul e do Sudeste Asiático utilizam essa rota para acessar o Canal de Suez e chegar ao Mar Mediterrâneo.

Com o bloqueio dos Houthis, essa passagem fica comprometida. A alternativa mais imediata é contornar o continente africano pelo Cabo da Boa Esperança, o que adiciona 6 mil quilômetros e de 10 a 15 dias extras de navegação.

O impacto direto nas exportações de petróleo da Arábia Saudita

Durante o CNN Prime Time desta segunda-feira (20), o analista de Internacional Lourival Sant'Anna detalhou o efeito do bloqueio sobre a Arábia Saudita. Segundo ele, o país antes exportava 10 milhões de barris de petróleo por dia, volume que caiu para 7 milhões, o equivalente a 7% do petróleo consumido no mundo.

Antes do fechamento do Estreito de Ormuz, uma parcela pequena do petróleo saudita era escoada pelo oleoduto Leste-Oeste, que transporta o produto até o Mar Vermelho, com ponto final no Porto de Yanbu. A partir de março, com o avanço do conflito entre EUA e Irã, essa rota ganhou relevância. Em abril, todo o petróleo produzido pela Arábia Saudita passou por Bab el-Mandeb.

Com o novo bloqueio, a Arábia Saudita fica sem uma rota viável de exportação. "A Arábia Saudita para de exportar petróleo. Não tem por onde ir no momento", explicou Sant'Anna.

A diferença para o bloqueio de 2023

Sant'Anna lembrou que os Houthis já haviam adotado medida semelhante no final de 2023, em solidariedade ao Hamas, conseguindo fechar em grande medida o tráfego pelo estreito. Na ocasião, o Estreito de Ormuz ainda funcionava como rota alternativa.

Agora, com Ormuz também comprometido pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, a Arábia Saudita se vê sem alternativas imediatas. A situação é mais grave do que no episódio anterior.

O que esperar no curto, médio e longo prazo?

No médio e longo prazo, o bloqueio pode estimular a criação de alternativas, como novos oleodutos e rotas de navegação. "Mas demora", ponderou Sant'Anna.

Para ele, no curto prazo o bloqueio representa uma arma extremamente eficaz nas mãos do Irã. No entanto, estrategicamente, no longo prazo, o país pode perder esse fator de pressão à medida que o mundo desenvolva rotas alternativas.

"Estrategicamente, no longo prazo, o Irã está dando um tiro no pé. Ele vai perder esse fator dissuasório no futuro, porque o mundo não vai mais contar com o Estreito de Ormuz. Mas agora, no curto prazo, é uma arma extremamente eficaz", concluiu.

Como o bloqueio afeta o comércio entre Ásia e Europa?

Além do petróleo, o fechamento de Bab el-Mandeb afeta diretamente o acesso da Ásia à Europa. Navios provenientes da China, Índia, Japão, Coreia do Sul e do Sudeste Asiático utilizam essa rota, atravessando o Oceano Índico, subindo pelo Mar Vermelho e acessando o Canal de Suez rumo ao Mar Mediterrâneo.

Com o bloqueio, a alternativa de contornar o Cabo da Boa Esperança aumenta custos e prazos de entrega, impactando cadeias de suprimento globais.

Perguntas Frequentes

O que é o Estreito de Bab el-Mandeb?

É um estreito que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden, no Oceano Índico, rota crucial para o petróleo e o comércio entre Ásia e Europa.

Quem são os Houthis?

Os Houthis são um grupo armado do Iêmen que controla partes do país e tem conduzido ações contra a Arábia Saudita e seus aliados.

Qual a diferença entre o bloqueio atual e o de 2023?

Em 2023, o Estreito de Ormuz ainda funcionava como rota alternativa. Agora, com Ormuz comprometido, a Arábia Saudita não tem alternativa viável no curto prazo.

Quanto tempo leva para contornar a África?

A rota pelo Cabo da Boa Esperança adiciona 6 mil quilômetros e de 10 a 15 dias extras de navegação.

O bloqueio pode afetar o preço do petróleo?

Sim, a paralisação das exportações sauditas, que representam 7% do consumo mundial, pode pressionar os preços globais do petróleo.

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