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AMM alerta candidatos ao Governo de Minas sobre perdas fiscais

ResumoA Associação Mineira de Municípios (AMM) divulgou carta aberta aos candidatos ao Governo de Minas Gerais cobrando compensação por perdas de ICMS e IPVA. Segundo a entidade, cerca de R$ 28,6 bilhões deixaram de chegar às prefeituras mineiras, o que pressiona orçamentos municipais e exige compromisso dos candidatos com a recomposição dessas receitas.

Associação Mineira de Municípios divulgou carta aberta aos candidatos ao Governo de Minas cobrando compensação por perdas de ICMS e IPVA. Segundo a entidade, cerca de R$ 28,6 bilhões deixaram de chegar às prefeituras.

Geraldo Assunção
Geraldo Assunção Repórter de Política Estadual · 14 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
AMM alerta candidatos ao Governo de Minas sobre perdas fiscais

A Associação Mineira de Municípios (AMM) divulgou uma Carta Aberta aos candidatos ao Governo de Minas Gerais para alertar sobre o impacto das políticas de renúncia fiscal do Estado nas receitas municipais. No documento, a entidade defende medidas para compensar as perdas acumuladas pelas prefeituras mineiras.

A AMM calcula que aproximadamente R$ 28,6 bilhões deixaram de chegar aos cofres municipais. O valor considera que 25% da arrecadação do ICMS e 50% do IPVA pertencem constitucionalmente aos municípios.

Segundo dados apresentados pela entidade, os municípios deixaram de receber cerca de R$ 30 bilhões em razão da política de incentivos e benefícios fiscais adotada pelo Governo de Minas Gerais nos últimos anos. As renúncias de ICMS e IPVA passaram de R$ 6,9 bilhões, em 2020, para R$ 25,2 bilhões projetados para 2026.

De acordo com Nota Técnica da AMM sobre as renúncias previstas na LDO 2020-2026, foram estimados R$ 102,4 bilhões em renúncias no período, sendo R$ 90,4 bilhões referentes ao ICMS e R$ 12 bilhões ao IPVA.

O que a carta pede aos candidatos

A AMM reconhece que as políticas de atração de investimentos contribuíram para o desenvolvimento de diversas cidades. A entidade ressalta, no entanto, que os efeitos das renúncias fiscais também acentuaram desigualdades dentro do Estado.

Segundo o documento, o custo das desonerações foi distribuído entre os 853 municípios mineiros, incluindo aqueles que não foram beneficiados diretamente pelos investimentos atraídos. A AMM chama a atenção para a situação das cidades de menor porte, considerando que a maioria dos municípios mineiros possui menos de 10 mil habitantes e depende dos recursos compartilhados para garantir a oferta de serviços públicos à população.

A carta também aborda o crescimento das obrigações assumidas pelos municípios. A AMM cita estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM) que estimou impacto de R$ 270 bilhões nos cofres municipais em decorrência de pautas aprovadas pelo Congresso Nacional sem a indicação de novas fontes de custeio.

Os cinco compromissos propostos

Diante desse cenário, a entidade pede aos candidatos ao Governo de Minas Gerais um compromisso expresso com medidas voltadas à proteção das receitas municipais:

  • Revisão das políticas de renúncia fiscal, com avaliação de custo-benefício
  • Criação de mecanismos de compensação aos municípios
  • Ampliação da transparência e do controle social sobre os incentivos
  • Participação dos municípios nas decisões que afetem suas receitas
  • Compensação das perdas já acumuladas pelas prefeituras mineiras

A AMM também reforça a importância do fortalecimento do pacto federativo e da autonomia financeira dos municípios.

Assinada pelo presidente da AMM e prefeito de Iguatama, Lucas Vieira, a carta representa o posicionamento da entidade em defesa do fortalecimento financeiro e da autonomia das cidades mineiras.

"Minas Gerais só será grande se suas cidades forem fortes", afirmou a AMM ao encerrar o documento.

O próximo passo depende da resposta dos candidatos ao Governo de Minas, que passam a ter a carta como referência para eventuais compromissos de campanha sobre o repasse de receitas às prefeituras.

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